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terça-feira, 10 fevereiro, 2026
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Repressão no Equador deixa três mortos e revela virada autoritária de Noboa, aponta antropóloga — Brasil de Fato

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A crise no Equador tem se agravado com o avanço da repressão contra a mobilização nacional convocada pela Confederação de Nacionalidades Indígenas (Conaie). Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a antropóloga Pilar Troya, pesquisadora do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, afirma que a suspensão dos subsídios ao diesel foi apenas o estopim de uma revolta mais ampla contra o presidente Daniel Noboa.

“A questão do diesel foi o estopim porque vão subir todos os preços. É o principal combustível para o transporte das pessoas e das mercadorias. Mas o novo presidente também subiu o IVA, o Imposto ao Valor Agregado, de 12% para 15%. Ele demitiu milhares de funcionários públicos. O desemprego está muito alto e o emprego, precário. Os hospitais estão sem suprimentos e medicamentos. Pessoas que precisam de diálise estão morrendo”, relata Troya.

Desde o início dos protestos, iniciados em 18 de setembro, três pessoas morreram, segundo a pesquisadora — uma delas, uma idosa atingida por gás lacrimogêneo lançado por helicópteros em comunidades indígenas. “Isso nunca tinha acontecido no Equador. O movimento indígena não tem armas. E agora o Noboa tenta emplacar uma narrativa de que todos os que protestam são terroristas”, denuncia.

Segundo a Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie), uma das pessoas mortas desde o início das mobilizações é Efraín Fuérez, líder indígena de 46 anos baleado durante protesto em Pinsaqui, na província de Imbabura. A organização também informou o óbito de Rosa Elena Paqui, de 61 anos, por inalação de gás lacrimogêneo, e de José Guamán, agricultor de 30 anos, atingido por disparo em Otavalo.

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Troya lembra que o presidente decretou, há um ano e meio, um suposto “conflito armado interno” no país, o que tem servido de justificativa para equiparar manifestantes a narcotraficantes e intensificar a repressão militar. “Ele tenta dizer que todo mundo que protesta ou é terrorista ou é narcotraficante, então não tem que dialogar, só reprimir”, diz.

A pesquisadora também contextualizou o aumento da violência no país. “O Equador estava entre os três países mais seguros do continente quando [o ex-presidente Rafael] Correa terminou seu mandato, com cinco homicídios por 100 mil habitantes. Agora são quase 50”, comparou. Segundo ela, a escalada da criminalidade tem sido usada como um pretexto para a militarização. “Essa alta da criminalidade é a justificativa que Noboa precisa para o autoritarismo, a violência e a militarização”, afirma.

Ela ainda criticou o discurso oficial sobre uma tentativa de assassinato contra o presidente, que teria ocorrido durante os protestos. Segundo ela, foi uma montagem da equipe dele. “Seria a primeira vez que camponeses com pedras tentam assassinar um presidente rodeado de polícia e militares”, ironiza.

O governo equatoriano prepara um referendo, marcado para o dia 16 de novembro, com propostas de reformas constitucionais e maior presença militar no país. Enquanto isso, as manifestações seguem nas ruas com denúncias de abusos e violações de direitos humanos. Para Troya, o referendo será um teste de força para o governo Noboa: se o presidente vencer, reforça sua posição; se perder, sinaliza desgaste, embora, segundo ela, ele “ainda esteja bem sentado na cadeira de presidente”.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

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Fonte: Brasil de Fato

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