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terça-feira, 10 fevereiro, 2026
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O acreano Manex Silva faz história no esqui cross-country e alcança o melhor resultado do Brasil em Jogos de Inverno

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Nascido em Rio Branco, capital do Acre, Manex Silva entrou para a história do esporte brasileiro ao conquistar o melhor resultado do país no esqui cross-country em Jogos Olímpicos de Inverno. O atleta terminou o sprint livre da modalidade na 48ª colocação, com o tempo de 3min25s48, durante as disputas realizadas em Tesero, nos Jogos de Inverno de Milão-Cortina. O desempenho superou a marca anterior do Brasil, que pertencia a Jaqueline Mourão, 66ª colocada em Vancouver 2010, e consolidou o nome de Manex como referência nacional na modalidade.

A prova contou com 95 atletas de diferentes países, e apenas os 30 mais rápidos avançaram às quartas de final. Apesar de não garantir vaga na fase seguinte, o brasileiro saiu da competição com um resultado expressivo, que reforça a evolução do esqui cross-country no país e o crescimento técnico do atleta em competições de alto nível.

Melhor marca brasileira em Jogos Olímpicos

O 48º lugar de Manex Silva representa um marco histórico para o Brasil no esqui cross-country. Até então, o melhor desempenho do país em provas individuais da modalidade havia sido registrado por Jaqueline Mourão, em Vancouver 2010, quando terminou na 66ª posição. A nova marca não apenas melhora significativamente o histórico brasileiro, como também aproxima o país de referências continentais.

Manex chegou perto, inclusive, do recorde sul-americano em Jogos Olímpicos de Inverno, que permanece com o argentino Francisco Jerman, 44º colocado na edição de 1960. A proximidade desse feito continental reforça o nível competitivo alcançado pelo atleta acreano e indica um caminho promissor para o Brasil no cenário internacional da modalidade.

Prova intensa e alto nível técnico

O sprint livre do esqui cross-country é uma das provas mais dinâmicas e exigentes da modalidade. Disputado em um percurso curto, de aproximadamente 1,5 km, o sprint exige dos atletas explosão física, resistência, técnica apurada e leitura estratégica da pista. Cada detalhe, desde a largada até as curvas finais, pode influenciar diretamente o resultado.

Em Tesero, Manex enfrentou competidores de países tradicionalmente fortes nos esportes de inverno, como Noruega, Suécia, Finlândia, Alemanha e Suíça. Mesmo diante desse cenário desafiador, o brasileiro manteve um ritmo consistente ao longo do percurso, o que lhe garantiu um tempo competitivo e uma colocação inédita para o país.

Trajetória de um brasileiro na neve

A presença de Manex Silva nos Jogos de Inverno de Milão-Cortina carrega um simbolismo especial. Nascido no Acre, um estado sem tradição em esportes de neve e distante dos principais centros de treinamento da modalidade, o atleta construiu sua trajetória a partir de muito esforço, adaptação e investimento pessoal.

Assim como outros atletas brasileiros de esportes de inverno, Manex precisou buscar oportunidades fora do país para treinar e competir em alto nível. A rotina inclui longas temporadas no exterior, participação em circuitos internacionais e contato constante com diferentes condições climáticas e técnicas de prova.

Essa vivência internacional tem sido fundamental para a evolução do atleta, que vem apresentando resultados cada vez mais expressivos em competições oficiais da Federação Internacional de Esqui (FIS) e agora também no maior palco do esporte mundial.

Declaração de quem fez história

Após a prova, Manex Silva celebrou o resultado e destacou a satisfação pessoal com o desempenho alcançado em Milão-Cortina. Em entrevista, o atleta revelou que o resultado histórico era um objetivo que vinha sendo construído ao longo do tempo.

“Eu estava sonhando com um resultado assim. É verdade que eu sou muito estrito, tenho expectativas altas, mas estou feliz porque eu acho que eu fiz uma boa corrida, dei o meu melhor e acho que não poderia ter ido melhor do que isso. Estou muito feliz em ter feito o melhor resultado da história do Brasil em provas individuais da modalidade e eu acho que ainda dá para melhorar, então nos próximos anos eu vou tentar ir melhorando esse resultado para chegar perto dos melhores”, afirmou Manex.

A fala do atleta reflete não apenas a satisfação pelo feito alcançado, mas também o espírito competitivo e a ambição de seguir evoluindo, mirando resultados ainda mais expressivos nos próximos ciclos olímpicos.

Brasil nos Jogos de Inverno

Os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina marcam mais um capítulo importante da participação brasileira no evento. O país levou para a Itália a maior delegação de sua história, com 14 atletas, além de um reserva da equipe de bobsled. A ampliação do número de representantes é reflexo de um trabalho contínuo de desenvolvimento dos esportes de inverno no Brasil.

Modalidades como esqui cross-country, esqui alpino, snowboard, skeleton e bobsled têm ganhado mais espaço nos últimos anos, impulsionadas por projetos de formação, parcerias internacionais e maior visibilidade junto ao público brasileiro.

Mesmo sem tradição em esportes de neve, o Brasil tem conseguido se manter presente em Jogos Olímpicos de Inverno, apostando em atletas que, em muitos casos, conciliam treinos intensos com desafios logísticos e financeiros.

Desafios enfrentados pelos atletas brasileiros

Competir em esportes de inverno em nível olímpico impõe uma série de desafios aos atletas brasileiros. A ausência de neve no território nacional obriga a realização de treinos no exterior, o que demanda altos custos e planejamento de longo prazo.

Além disso, os brasileiros enfrentam adversários que crescem inseridos na cultura do esqui, com acesso desde a infância a infraestrutura adequada, competições regulares e treinadores especializados. Ainda assim, resultados como o de Manex Silva mostram que é possível reduzir a distância técnica com dedicação, planejamento e experiência internacional.

Olhar para o futuro

Com o melhor resultado da história do Brasil no esqui cross-country em Jogos Olímpicos, Manex Silva encerra sua participação em Milão-Cortina com a sensação de missão cumprida. Mais do que uma colocação expressiva, o desempenho simboliza um passo importante na consolidação do Brasil na modalidade.

A expectativa agora se volta para os próximos anos, com foco na continuidade do trabalho, na participação em competições internacionais e na preparação para futuras edições dos Jogos Olímpicos de Inverno. O próprio atleta já deixou claro que vê margem para evolução e que pretende seguir buscando resultados ainda melhores.

Para o esporte brasileiro, o feito de Manex serve como inspiração para novas gerações e como prova de que, mesmo em modalidades pouco tradicionais no país, é possível alcançar marcas relevantes no cenário olímpico.

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