Os aumentos nos planos de saúde coletivos — empresariais e por adesão — devem perder força em 2026, mas ainda continuarão pesando no bolso dos consumidores. A expectativa de analistas é de reajustes médios entre 9% e 10%, abaixo dos cerca de 11% registrados no ano anterior. Mesmo assim, o índice segue elevado, ficando aproximadamente o dobro da inflação projetada para o período, estimada em 4,8%.
Após anos de reajustes mais agressivos, impulsionados pelos prejuízos acumulados durante a pandemia, o setor começa a mostrar sinais de maior equilíbrio. Em 2025, as operadoras registraram lucro operacional significativo, o que contribui para uma pressão menor por aumentos tão elevados.
Além disso, houve uma desaceleração da chamada inflação médica — indicador que reflete custos com medicamentos, tecnologias e serviços hospitalares. Esse fator, combinado a uma leve redução na sinistralidade (proporção das receitas usada para custear atendimentos), ajuda a explicar a expectativa de reajustes mais moderados.
Nos últimos anos, operadoras adotaram uma série de medidas para conter despesas, o que também impacta os reajustes:
- Maior uso de coparticipação, com cobrança ao usuário por consultas, exames e procedimentos
- Regras mais rígidas para reembolso fora da rede credenciada
- Redução de redes premium, com substituição por opções mais acessíveis
Essas mudanças alteram o comportamento dos beneficiários, incentivando o uso de serviços próprios das operadoras e reduzindo custos.
Apesar da desaceleração, reajustes dos planos de saúde seguem acima da inflação
Apesar da desaceleração, os reajustes continuam acima da inflação geral, o que mantém a pressão sobre o orçamento das famílias e empresas. Vale lembrar que, diferentemente dos planos individuais, os contratos coletivos não têm limite de aumento definido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o que permite variações maiores.
Nos últimos anos, houve casos de aumentos bem acima da média, chegando a patamares de até 40% em determinados contratos.
Especialistas avaliam que o setor caminha para um cenário de maior estabilidade, após o período de forte ajuste no pós-pandemia. No entanto, essa acomodação tem um custo: a redução de benefícios, seja na rede de atendimento, nas condições de reembolso ou no acesso a determinados serviços.
Outro fator que pode influenciar os preços é a menor judicialização no setor, após decisões recentes que restringiram a obrigatoriedade de cobertura de procedimentos fora do rol da ANS. A expectativa é que isso contribua para reduzir pressões sobre os custos, embora os efeitos devam aparecer de forma gradual.



