O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu avançar com uma nova medida para tentar conter a alta dos combustíveis e anunciou a redução do PIS/Cofins sobre a gasolina. A iniciativa segue a linha de ações já adotadas anteriormente para o diesel, embora os detalhes completos da nova desoneração ainda não tenham sido divulgados.
A decisão ocorre em um cenário de forte pressão internacional sobre os preços do petróleo. Desde março, a escalada de tensões no Oriente Médio — com ataques envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã — elevou o preço do barril de cerca de US$ 70 para patamares próximos ou acima de US$ 100, impactando os combustíveis em diversos países.
Um dos principais fatores por trás dessa disparada foi o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde circula aproximadamente 20% do petróleo mundial. A restrição no fluxo global elevou os preços e aumentou a volatilidade no mercado de energia.
No Brasil, os efeitos são sentidos principalmente no diesel, mais dependente de importações. Já a gasolina sofre impacto indireto, embora parte relevante do abastecimento seja garantida pela produção interna e pela mistura com etanol.
Pacote de medidas para combustíveis
Desde o início da crise, o governo tem adotado uma série de ações para tentar segurar os preços:
- Isenção total de PIS/Cofins sobre o diesel
- Subsídios por litro tanto para o diesel nacional quanto para o importado
- Redução de tributos sobre querosene de aviação e biodiesel
- Apoio ao gás de cozinha, com subsídio ao produto importado
No total, o pacote já anunciado ultrapassa R$ 30 bilhões em custos para os cofres públicos.
No caso da gasolina, os tributos federais representam cerca de R$ 0,68 por litro. A expectativa é que a perda de arrecadação seja parcialmente compensada pelo aumento das receitas com exportação de petróleo, beneficiadas pelos preços elevados no mercado internacional.
Impacto nos preços ao consumidor
Dados da Agência Nacional do Petróleo mostram que, recentemente, os preços apresentaram leve recuo. A gasolina foi vendida, em média, a R$ 6,75 por litro, enquanto o diesel ficou em torno de R$ 7,31.
Apesar dessa pequena queda, o cenário segue pressionado e dependente da evolução do conflito internacional e das condições do mercado global de energia.
A nova medida também ocorre em um ambiente de atenção política, já que o comportamento dos preços dos combustíveis costuma ter impacto direto sobre a inflação e o custo de vida — fatores que influenciam a percepção da população sobre a economia.
Diante disso, o governo segue buscando alternativas para suavizar os efeitos da alta internacional, ao mesmo tempo em que tenta equilibrar os impactos fiscais dessas políticas.



