Ação integrada contou com diversas forças de segurança e órgãos federais
A Polícia Federal (PF) realizou nesta segunda-feira (15) uma operação de combate ao garimpo ilegal no rio Madeira, entre os municípios de Manicoré e Humaitá, no Amazonas. A ação, autorizada pela Justiça Federal do Amazonas, resultou na destruição de 71 dragas utilizadas na mineração ilegal até o início da tarde.
A ofensiva faz parte do conjunto de operações realizadas pela PF desde 2023 contra a exploração clandestina de minérios na região amazônica. Desta vez, a ação contou com uma atuação inédita e coordenada entre diferentes forças de segurança pública, sob a liderança do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia (CCPI Amazônia), em parceria com o Poder Judiciário.
Segundo a corporação, participaram da operação policiais federais, policiais rodoviários federais e agentes da Força Nacional de Segurança Pública. Além disso, representantes do Ministério Público do Trabalho (MPT) e do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) acompanharam a fiscalização, com o objetivo de verificar as condições em que os trabalhadores eram mantidos nas balsas e adotar medidas diante de situações de precariedade.
Fiscalização trabalhista
Durante a operação, fiscais do MPT e do MTE identificaram trabalhadores atuando em condições precárias a bordo das estruturas flutuantes destruídas. Esses profissionais, segundo os órgãos, muitas vezes são expostos a riscos físicos e de saúde, sem garantias legais ou condições adequadas de trabalho. A presença desses servidores busca assegurar providências para proteger os direitos trabalhistas das pessoas envolvidas.
Prefeito de Manicoré critica operação
Em nota publicada no Instagram, o prefeito de Manicoré, Lúcio Flávio (PSD), se posicionou contra a ação da PF. O gestor repudiou a destruição das dragas e balsas, classificando os garimpeiros como “extrativistas minerais familiares”. Para ele, a operação prejudica trabalhadores locais que, segundo sua visão, buscam apenas sustento na atividade.
“Lamentamos profundamente a forma como tudo ocorreu. Esses homens e mulheres não podem ser tratados como criminosos comuns, são pessoas que vivem da extração mineral em pequenas balsas, sustentando suas famílias”, declarou o prefeito.
A fala, no entanto, contrasta com a posição oficial dos órgãos de fiscalização, que classificam o garimpo ilegal como crime ambiental e econômico, com sérios impactos na preservação da Amazônia e na saúde pública.
Contexto da ação
O garimpo ilegal no rio Madeira é alvo frequente de operações policiais devido aos danos causados ao meio ambiente. O uso de mercúrio no processo de separação do ouro, por exemplo, contamina a água, peixes e populações ribeirinhas que dependem do rio para subsistência.
Além disso, as dragas representam uma ameaça à segurança hídrica e ao equilíbrio ambiental da região, considerada uma das mais ricas em biodiversidade do planeta. Estima-se que centenas de estruturas ilegais ainda estejam espalhadas por diferentes trechos do Madeira, operando de forma clandestina.
Nos últimos anos, a repressão ao garimpo ilegal ganhou força após denúncias de comunidades locais e de organizações ambientais. A integração entre diferentes forças de segurança é apontada como um avanço para tornar as operações mais eficazes e ampliar o alcance das ações contra a mineração ilegal.
Disputa de narrativas
A operação desta segunda-feira reacende a disputa em torno da legalidade e legitimidade das atividades de garimpo na Amazônia. De um lado, autoridades federais defendem a destruição imediata das balsas como forma de impedir que estruturas ilegais voltem a operar. De outro, lideranças locais, como o prefeito de Manicoré, afirmam que a medida ignora a realidade socioeconômica de famílias que dependem da extração mineral.
O debate, que envolve questões ambientais, trabalhistas e de desenvolvimento econômico, deve continuar a mobilizar diferentes setores da sociedade, especialmente em municípios amazônicos diretamente impactados pelo garimpo.



