Mesmo com taxas de juros extremamente elevadas, os brasileiros continuam recorrendo ao crédito rotativo do cartão — uma das modalidades mais caras do mercado financeiro. Os dados mais recentes mostram um cenário preocupante de crescimento do endividamento no país.
Segundo informações divulgadas pelo Banco Central, o volume de crédito rotativo somou R$ 109,65 bilhões no primeiro trimestre de 2026, o que representa um aumento de 9,7% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o total ficou em R$ 99,9 bilhões.
O cartão de crédito está cada vez mais presente na vida dos brasileiros. Hoje, cerca de 101 milhões de pessoas utilizam essa forma de pagamento, o equivalente a quase metade da população do país.
No entanto, o uso crescente vem acompanhado de riscos. Aproximadamente 40 milhões de brasileiros estavam no rotativo em janeiro, ou seja, não conseguiram pagar o valor total da fatura e acabaram entrando nessa linha de crédito.
O grande problema do rotativo está no custo. Em março, a taxa média de juros chegou a 428,3% ao ano, um dos níveis mais altos do sistema financeiro.
Com encargos tão elevados, a inadimplência também dispara: 63,5% das dívidas nessa modalidade não são pagas, indicando que mais da metade dos valores emprestados acabam em atraso.
Especialistas são diretos: o rotativo deve ser evitado sempre que possível. A recomendação é quitar o valor total da fatura para não entrar nesse ciclo de juros altos.
Governo prepara pacote de medidas para conter o problema
Nos últimos anos, o governo e o Congresso adotaram algumas medidas para tentar frear o avanço das dívidas. Uma delas foi a criação de um limite para o rotativo: agora, o valor total da dívida não pode ultrapassar o dobro do débito original.
Na prática, isso significa que uma dívida de R$ 100 não pode passar de R$ 200, já incluindo juros e encargos.
O presidente do Banco Central alertou recentemente que muitos brasileiros passaram a usar linhas emergenciais, como o rotativo, como parte do orçamento mensal — algo considerado preocupante.
A avaliação é que o país precisa avançar em soluções estruturais que ofereçam alternativas de crédito mais acessíveis e adequadas à realidade da população.
Para enfrentar o problema do endividamento, o governo vem discutindo novas iniciativas. Entre elas:
- Criação de um programa de renegociação de dívidas
- Unificação de débitos (cartão, cheque especial e crédito pessoal)
- Possibilidade de descontos expressivos nos juros, que podem chegar a até 90%
- Uso controlado do FGTS como garantia ou para quitação de dívidas
Além disso, o crédito consignado para trabalhadores do setor privado já movimentou mais de R$ 80 bilhões em um ano, sendo apontado como uma alternativa com juros mais baixos.



