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terça-feira, 28 abril, 2026
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Mesmo com juros a 428,3% ao ano, uso do rotativo do cartão avança em março

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Mesmo com taxas de juros extremamente elevadas, os brasileiros continuam recorrendo ao crédito rotativo do cartão — uma das modalidades mais caras do mercado financeiro. Os dados mais recentes mostram um cenário preocupante de crescimento do endividamento no país.

Segundo informações divulgadas pelo Banco Central, o volume de crédito rotativo somou R$ 109,65 bilhões no primeiro trimestre de 2026, o que representa um aumento de 9,7% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o total ficou em R$ 99,9 bilhões.

O cartão de crédito está cada vez mais presente na vida dos brasileiros. Hoje, cerca de 101 milhões de pessoas utilizam essa forma de pagamento, o equivalente a quase metade da população do país.

No entanto, o uso crescente vem acompanhado de riscos. Aproximadamente 40 milhões de brasileiros estavam no rotativo em janeiro, ou seja, não conseguiram pagar o valor total da fatura e acabaram entrando nessa linha de crédito.

O grande problema do rotativo está no custo. Em março, a taxa média de juros chegou a 428,3% ao ano, um dos níveis mais altos do sistema financeiro.

Com encargos tão elevados, a inadimplência também dispara: 63,5% das dívidas nessa modalidade não são pagas, indicando que mais da metade dos valores emprestados acabam em atraso.

Especialistas são diretos: o rotativo deve ser evitado sempre que possível. A recomendação é quitar o valor total da fatura para não entrar nesse ciclo de juros altos.

Governo prepara pacote de medidas para conter o problema

Nos últimos anos, o governo e o Congresso adotaram algumas medidas para tentar frear o avanço das dívidas. Uma delas foi a criação de um limite para o rotativo: agora, o valor total da dívida não pode ultrapassar o dobro do débito original.

Na prática, isso significa que uma dívida de R$ 100 não pode passar de R$ 200, já incluindo juros e encargos.

O presidente do Banco Central alertou recentemente que muitos brasileiros passaram a usar linhas emergenciais, como o rotativo, como parte do orçamento mensal — algo considerado preocupante.

A avaliação é que o país precisa avançar em soluções estruturais que ofereçam alternativas de crédito mais acessíveis e adequadas à realidade da população.

Para enfrentar o problema do endividamento, o governo vem discutindo novas iniciativas. Entre elas:

  • Criação de um programa de renegociação de dívidas
  • Unificação de débitos (cartão, cheque especial e crédito pessoal)
  • Possibilidade de descontos expressivos nos juros, que podem chegar a até 90%
  • Uso controlado do FGTS como garantia ou para quitação de dívidas

Além disso, o crédito consignado para trabalhadores do setor privado já movimentou mais de R$ 80 bilhões em um ano, sendo apontado como uma alternativa com juros mais baixos.





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