Única representante do Amazonas no programa, a estudante acompanhou por quatro dias o intenso debate do Projeto de Lei que visa combater organizações criminosas.
Brasília, 14 de Novembro de 2025 — A estudante de Direito, Flávia Daniele Brandão do Nascimento, foi a única amazonense, e uma das três representantes da Região Norte, a integrar a etapa presencial do Programa Estágio-Visita de Curta Duração da Câmara dos Deputados, realizada entre 10 e 13 de novembro.
Indicada pelo deputado federal Capitão Alberto Neto (PL-AM) e selecionada por meio de sorteio após etapas classificatórias, a imersão de Flávia em Brasília coincidiu com o intenso e urgente debate do Projeto de Lei (PL) n. 5582/2025, focado no combate às organizações criminosas.
“Estar em Brasília, representando o Amazonas, foi uma honra e uma responsabilidade imensa. A cidade estava respirando o PL de combate ao crime organizado. Isso fez a teoria que aprendemos no Direito saltar dos livros para a realidade de forma muito intensa,” relatou Flávia.
Amazônia: O Choque da Realidade e os Estereótipos
A presença da estudante no centro do poder nacional serviu também como um forte contraponto ao desconhecimento sobre a Região Amazônica. Flávia Daniele destacou que o maior impacto da experiência foi a revelação da profunda desconexão entre o Centro e o Norte do país.
“O mais interessante foi perceber a surpresa de alguns colegas. Uma pessoa até chegou a me perguntar se eu andava de canoa para me locomover pela cidade e disseram que acharam que Manaus era tudo mato, achei engraçado e procurei explicar que não era bem assim.” declara.
Para a estudante, a participação no Estágio-Visita é crucial para desconstruir essa visão. “Estar na Câmara é uma chance de quebrar esses estereótipos, mostrando que o Amazonas tem voz e protagonismo no cenário nacional, que vai muito além dos mitos de selva que o centro do país ainda carrega.”
Ponto de Vista: O Crime no Interior do Estado
Nos grupos de discussão do programa, o ponto de vista de Flávia foi vital para injetar a perspectiva regional nos debates sobre segurança pública.

A amazonense focou a discussão na expansão do crime organizado em seu estado. “Trouxemos para o debate a realidade do Amazonas. O crime no interior, com as rotas de tráfico, acaba afetando o Brasil inteiro. As populações ribeirinhas sofrem muito, e é preciso mais atuação para asfixiar essa situação no Amazonas,” explicou.
A estudante conclui que a experiência aprofundou seu senso de propósito. “Volto para Manaus com a certeza de que é preciso levar a realidade do Norte para as discussões legislativas. Se não levarmos nossa perspectiva, as políticas nacionais continuarão ignorando a Amazônia.”



