A taxa de desemprego no Brasil subiu para 6,1% no trimestre móvel encerrado em março de 2026, alta de 1,0 ponto percentual em relação ao período anterior (5,1%). Apesar do avanço, o indicador permanece 0,9 ponto abaixo do registrado no mesmo trimestre de 2025 (7,0%), configurando o menor nível para trimestres encerrados em março desde o início da série histórica, em 2012. Os dados integram a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua) e foram divulgados nesta quinta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado também marca a primeira vez desde maio de 2025 que o desemprego ultrapassa a linha dos 6%, sugerindo uma inflexão recente no comportamento do mercado de trabalho.
O número de pessoas em busca de trabalho chegou a 6,6 milhões, um crescimento expressivo de 19,6% no trimestre — o equivalente a mais 1,1 milhão de brasileiros desocupados. Na comparação anual, no entanto, o contingente recuou 13%, indicando um cenário ainda mais favorável do que o observado um ano antes.
Já a população ocupada somou 102 milhões de trabalhadores, com queda de 1% frente ao trimestre anterior. Ainda assim, o nível de ocupação permanece 1,5% acima do registrado em igual período de 2025.
Setores tradicionais puxam queda no emprego
A retração no emprego foi concentrada em setores com forte componente sazonal. Comércio, administração pública e serviços domésticos lideraram as perdas, somando mais de 870 mil postos de trabalho a menos no trimestre.
Segundo analistas do IBGE, o movimento é típico para o período, refletindo tanto o enfraquecimento do comércio após o fim de ano quanto o encerramento de contratos temporários em áreas públicas, como educação e saúde.
Na comparação anual, porém, há sinais de recuperação em segmentos mais qualificados, como Informação, Comunicação e atividades financeiras e profissionais, além da própria administração pública. O único grupamento com queda no ano foi o de serviços domésticos.
Informalidade recua
A taxa de informalidade caiu de 37,5% para 37,3% da população ocupada, atingindo 38,1 milhões de trabalhadores. O recuo ocorreu tanto na comparação trimestral quanto anual, indicando uma leve melhora na qualidade das ocupações.
O número de empregados com carteira assinada no setor privado manteve estabilidade no trimestre, mas cresceu 1,3% no ano, enquanto o contingente sem carteira recuou no período mais recente. Já o trabalho por conta própria permaneceu estável no curto prazo, com avanço anual.
A redução da informalidade está associada, sobretudo, à diminuição de trabalhadores sem carteira e de autônomos sem registro formal.
Renda bate recorde
Mesmo com a piora pontual no desemprego, os indicadores de renda seguem em trajetória positiva. A massa de rendimentos atingiu R$ 374,8 bilhões, novo recorde da série histórica, com crescimento de 7,1% em relação ao ano anterior.
O rendimento médio real habitual também alcançou o maior valor já registrado, chegando a R$ 3.722, com alta tanto no trimestre quanto na comparação anual, já descontada a inflação.
O avanço é explicado, em parte, pela redução relativa de trabalhadores informais e de menor remuneração, elevando a média geral dos rendimentos.
Mercado de trabalho mostra sinais mistos
Os dados mais recentes revelam um mercado de trabalho em transição: enquanto o desemprego sobe no curto prazo, influenciado por fatores sazonais, indicadores estruturais — como renda, formalização e comparação anual — apontam para um cenário ainda resiliente.
A leitura geral sugere desaceleração pontual, mas não reversão da trajetória mais favorável observada ao longo de 2025.



