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terça-feira, 10 fevereiro, 2026
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Chile, Brasil e México apresentam Bachelet como candidata para liderar a ONU

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Os governos do Chile, Brasil e México se uniram para apresentar Michelle Bachelet como candidata para assumir a ONU, a partir do final de 2026. A proposta foi oficializada nesta segunda-feira, pelo governo do Chile.

O português António Guterres encerra seu segundo mandato neste ano e delegações de todo o mundo já mergulham em um intenso lobby para a eleição. Por um princípio de rotatividade, caberia à América Latina assumir a entidade. Mas, desta vez, há um outro argumento que ganha ainda mais intensidade: a de que, depois de 80 anos, a ONU tenha finalmente uma mulher como secretária-geral.

“Já passou da hora de uma mulher ser escolhida”, disse o presidente da Estônia, Alar Karis, durante os discursos da semana passada na Assembleia Geral, em Nova York.

O governo brasileiro também defende que países latino-americanos indiquem apenas mulheres como candidatas e tem defendido a medida como forma de promover, de uma maneira mais ampla, a ideia de igualdade de gênero.

Os apoiadores da candidatura de Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile, argumentam que poucas pessoas poderiam superar suas credenciais. Ela foi a primeira mulher presidente na América do Sul, a primeira ministra da Defesa, foi exilada política depois do golpe de Augusto Pinochet e, ao longo dos últimos anos, ocupou ainda cargos estratégicos dentro da própria ONU.

Sua simpatia por Lula é declarada e o brasileiro também já falou em gratidão diante de seu apoio dado durante os meses em que esteve preso.

Não foram poucos os embates entre ela e o ex-presidente Jair Bolsonaro, que ironizou a morte de seu pai, um general que se opunha à ditadura de Pinochet e foi assassinado. Em 2019, os comentários do brasileiro criaram um profundo constrangimento internacional para o país.

Mas a escolha para a direção da ONU não é uma simples votação. A candidata precisa, antes, ser aprovada por consenso pelo Conselho de Segurança. Ou seja, não pode ser vetada por Grã-Bretanha, China, França, Rússia ou Estados Unidos.

E é este o aspecto que pode desmontar a articulação da chilena no comando da ONU. Um dos candidatos da região é o atual chefe da Agência Internacional de Energia Atômica, o argentino Rafael Grossi. Nos últimos meses, ele costurou uma aproximação ao presidente Javier Milei e saiu em busca do apoio de Donald Trump.

Grossi viola o compromisso de dezenas de delegações por uma mulher no comando. Mas tanto ele como potências pelo mundo sabem que, neste momento, contar com o apoio de Trump pode ser decisivo.

A entrada em jogo do argentino ainda mina a esperança das alas progressistas da América Latina por um amplo consenso por Bachelet. Essa aliança seria importante para conquistar o apoio dos demais membros do Conselho de Segurança.

Em maio de 2025, por exemplo, o presidente chileno Gabriel Boric pediu que Xi Jinping apoiasse Bachelet. A sinalização foi de que a China estaria “disposta a considerar”, desde que ela tivesse amplo apoio na região.

Entre diplomatas, a perspectiva é de que os rachas políticos na América Latina se acentuem com a disputa pelo cargo de chefe da ONU. Com uma forte aliança com Milei e Trump, o Paraguai dificilmente sairia ao apoio de Bachelet. Equador, Peru, El Salvador e uma dezena de governos caribenhos e centro-americanos também poderiam ser fortemente influenciados pela pressão americana.

Entre as mulheres, há ainda a candidatura da ex-vice-presidente da Costa Rica, Rebeca Grynspan. Ela ganhou a confiança de europeus e russos ao negociar, em absoluto sigilo, o acordo que permitiu a Ucrânia continuar exportando seus produtos agrícolas, apesar da guerra. Seu nome não é descartado em Washington.

Conhecido como “o emprego mais impossível do mundo”, o cargo da futura secretária-geral terá desafios inéditos. A escolhida assumirá uma entidade sem recursos financeiros e que está sendo obrigada a encolher para poder sobreviver.

Uma das preocupações entre diplomatas é ainda de que seja transferida para a escolha da nova direção a profunda desconfiança entre governos. “Seria catastrófico um processo no qual o veto de um ou outro lado leve a uma ausência de decisão”, afirmou um experiente embaixador.

Um impasse e um cargo vago no posto mais alto da ONU seriam mais um prego no caixão da credibilidade da instituição, já seriamente abalada.



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