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segunda-feira, 28 setembro, 2026
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Aliança de Flávio com Trump coloca militares em alerta

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Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial no país está deixando uma ala nacionalista dos militares brasileiros alarmada. O temor é de que um alinhamento estratégico com os EUA possa significar o enfraquecimento das Forças Armadas do país, uma submissão aos interesses nacionais americanos e, principalmente, um impacto negativo para a indústria militar brasileira.

Nos últimos meses, Flávio Bolsonaro vem sinalizando que, se vencer a eleição, irá adotar uma política externa compatível com os planos de Donald Trump para o controle da América Latina. Flavio ainda sinalizou que ofereceria ao Departamento de Estado norte-americano um espaço para também atuar numa eventual equipe de transição, algo jamais visto desde a redemocratização do país.

Generais e militares do alto escalão admitiram ao ICL Notícias que existe, dentro das Forças Armadas, uma preocupação real sobre o que isso pode querer dizer para a doutrina de defesa nacional e o acesso dos EUA a informações sensíveis sobre o Brasil. Essa preocupação une dois grupos dentro da Caserna: os militares mais progressistas, em menor número, e a ala nacionalista e conservadora e que, por décadas, operou com base num projeto de desenvolvimento do país.

Mesmo que os “órfãos” do movimento golpista ainda existam – e que sejam ativos em grupos de WhatsApp de militares – a ausência de qualquer tipo de comentário público sobre a eleição de 2026 por parte de generais e militares foi vista como um sinal positivo.

Uma das preocupações que circula nas conversas entre os militares se refere às promessas de Flávio Bolsonaro de aderir ao projeto de Trump de usar as forças armadas para lutar contra o narcotráfico. O candidato do PL já anunciou que irá aderir ao Escudo das Américas, aliança militar criada pelos EUA supostamente para combater o narcotráfico.

Mas colocar as Forças Armadas para atacar o narcotráfico é, para esses militares, tirar o foco da defesa nacional, do controle de fronteiras e do território nacional. No fundo, enfraquecendo no meio e longo prazo as capacidades de defesa do país.

Outro temor é de que, em um eventual acordo de ação conjunta entre militares americanos e brasileiro, o governo norte-americano tenha acesso a locais estratégicos do país. Um deles é a Amazônia, onde tanto o PCC quanto o Comando Vermelho estão presentes. Se vencer, Flávio Bolsonaro sinalizou que irá atender ao pedido dos EUA e reconhecer esses grupos como entidades terroristas.

No governo norte-americano, a classificação serve como instrumento para permitir que todas as armas e direitos sejam usados contra esses grupos. Na Assembleia Geral da ONU, foi o próprio Trump quem declarou que o crime organizado receberia o mesmo tratado dado pelos EUA ao Estado Islâmico.

Entre os militares circula um mapa publicado recentemente pelo IISS (International Institute for Strategic Studies, um dos principais centros de estudos militares do mundo) e que revela a presença do PCC e do Comando Vermelho na Amazônia.

O que militares tentam entender é o que essa nova doutrina americana – acatada por Flávio Bolsonaro – significaria para o próprio território brasileiro.

Indústria Militar

Também preocupa os militares brasileiros o que uma aproximação entre Flávio Bolsonaro e Trump poderia significar para a indústria bélica nacional. Considerada como estratégica para os generais brasileiros, essa indústria poderia ser submetida aos interesses da Casa Branca, seja na pré-definição do que deveriam produzir, na compra de material para fortalecer a indústria norte-americana ou simplesmente abastecer de munição ou qualquer outro equipamento as forças americanas espalhadas pelo mundo. A prioridade, neste caso, não seria o interesse nacional.

A avaliação dos militares é de que, sem uma indústria nacional, falar em soberania seria uma “ficção”.

Um levantamento que forma parte do relatório anual do SIPRI – o maior banco de dados sobre investimentos militares do mundo – revela que o Brasil investiu US$ 23,9 bilhões em defesa em 2025. Hoje, cerca de 130 empresas brasileiras exportam produtos de defesa para aproximadamente 150 países. O controle da política de defesa e da política externa por parte de Trump poderia significar, na avaliação dos militares, um controle também dos destinos e investimentos na indústria nacional.





ICL Notícias

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