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O presidente russo, Vladimir Putin, declarou nesta quinta-feira (2) que as acusações do Ocidente de que a Rússia poderia atacar os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) são “absurdas”. Ao mesmo tempo, o líder afirmou que a Rússia está monitorando de perto a crescente militarização da Europa.
Em discurso de encerramento do 22º Clube Valdai de Discussão Internacional, realizado em Sochi, o presidente russo afirmou que Moscou não tem planos de atacar os países da Otan.
“Às vezes eu observo o que eles dizem, mas não é possível que eles consigam acreditar. Eles não conseguem acreditar no que dizem: que a Rússia planeja atacar a Otan”, disse.
“É impossível acreditar, mas eles convencem seu povo. Que tipo de pessoas são essas? Ou são extremamente incompetentes se realmente acreditam nisso, porque é impossível acreditar em tal absurdo. Ou são simplesmente desonestos, porque eles próprios não acreditam, mas tentam convencer seus cidadãos disso”, completou.
Putin também falou sobre a atual conjuntura internacional de confrontação com o Ocidente, reforçou a visão da Rússia sobre o conflito ucraniano e as sanções contra Moscou, e apontou suas perspectivas de parcerias com países do Brics e do Sul Global no contexto da formação de uma ordem multipolar no mundo.
De acordo com o presidente russo, “a subordinação da maioria à minoria, característica das relações internacionais durante o período de dominação ocidental, está dando lugar a uma abordagem multilateral e mais cooperativa, baseada em acordos entre os principais atores e na consideração dos interesses de todos”.
Ao falar sobre a guerra da Ucrânia, Vladimir Putin acusou os países ocidentais e, em particular, a administração de Joe Biden de armar a Ucrânia para combater Moscou, e, ao mesmo tempo, tratar o povo ucraniano como descartável.
“Aqueles que encorajaram e armaram a Ucrânia, voltando-a contra a Rússia e os russos por décadas, não se importam nem um pouco não apenas com Moscou, mas também com os interesses da Ucrânia e de seu povo. Os ucranianos são descartáveis para eles”, disse o presidente russo.
“Isso [o conflito na Ucrânia] poderia ter sido evitado se nosso trabalho com o governo Biden tivesse sido estruturado de forma diferente, se a Ucrânia não tivesse se transformado em um instrumento destrutivo nas mãos de outros, se o bloco do Atlântico Norte, que avançava em direção às nossas fronteiras, não tivesse sido usado para esse propósito, se a Ucrânia tivesse, em última análise, preservado sua independência, sua verdadeira soberania”, acrescentou.
Ao falar das sanções ocidentais contra a Rússia, o presidente russo destacou que o país é recordista de restrições no mundo, mas alegou que “esses esforços fracassaram”. “Em termos de número e alcance das medidas punitivas impostas contra nós, vergonhosamente chamadas de sanções, a Rússia é a recordista absoluta da história mundial. E daí? Atingiram o objetivo? Acho que não há necessidade de explicar aos presentes que esses esforços fracassaram completamente”, destacou.
O presidente russo também afirmou que os políticos europeus estão tentando “tapar as rachaduras” no edifício europeu, retratando a Rússia como inimiga. “A Rússia quer atacar a Otan? É impossível acreditar nessa bobagem”, disse ele. “É impossível acreditar nessa suposta agressão da Rússia, tudo é invenção e exagero. Ou são incompetentes ou estão mentindo. Fiquem calmos, durmam tranquilos e cuidem dos próprios problemas”, completou.
Segundo ele, se a Otan não tivesse se aproximado das fronteiras da Rússia, o conflito na Ucrânia poderia ter sido evitado. “Mudanças na consciência pública na Ucrânia estão ocorrendo, não importa o quanto as autoridades façam lavagem cerebral nos ucranianos”, afirmou.
Multipolaridade
“A multipolaridade tornou-se uma consequência direta das tentativas do Ocidente de manter a hegemonia global. Se o conflito na Ucrânia tivesse sido resolvido de acordo com os princípios de um mundo multipolar, a decisão coletiva teria sido mais equilibrada”, acrescentou o líder russo.
A 22ª reunião anual do Clube de Discussão Internacional Valdai, realizada na cidade russa de Sochi entre 29 de setembro e 3 de outubro, teve início nesta segunda-feira, com a participação de 140 representantes de mais de 40 países, para discutir os caminhos da multipolaridade.
O tradicional fórum de discussão reuniu acadêmicos, diplomatas e atores políticos para discutir os principais temas da agenda do cenário internacional e é um dos principais eventos no calendário da política externa russa. Neste ano, o lema principal das discussões foi: “O Mundo Policêntrico: Instruções de Uso”.
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Fonte: Brasil de Fato



