Uma série de estudos científicos tem ajudado a esclarecer como a memória humana funciona e de que forma ela pode ser aprimorada no dia a dia. As conclusões fazem parte de análises conduzidas pela pesquisadora Elva Arulchelvan, publicadas no site do g1.
Memória
Segundo a pesquisadora, a memória é estruturada em três estágios principais, cada um associado a diferentes regiões do cérebro. A chamada memória sensorial é a mais imediata e de curta duração, responsável por registrar estímulos como imagens, sons e cheiros por apenas alguns milissegundos. Esse processamento inicial ocorre nos córtices sensoriais primários, como o visual e o auditivo.
Já a memória de trabalho, também conhecida como memória de curto prazo, atua como um espaço mental temporário. É ela que permite realizar tarefas como cálculos, interpretação de textos e execução de instruções. Essa função está diretamente ligada ao córtex pré-frontal, área associada à atenção, ao raciocínio e à tomada de decisões.
A memória de longo prazo é responsável por armazenar informações de forma duradoura, podendo mantê-las por minutos ou por toda a vida. Esse sistema inclui tanto memórias explícitas, como fatos e experiências, quanto memórias implícitas, ligadas a habilidades e hábitos. Estruturas como o hipocampo e os lobos temporais estão relacionadas ao armazenamento de eventos e informações, enquanto regiões como a amígdala, o cerebelo e os núcleos da base participam do processamento de memórias emocionais e procedimentais.

Dicas
Um dos pontos centrais destacados por Arulchelvan é a limitação da memória de trabalho. Em 1956, o psicólogo George Miller propôs que o cérebro humano consegue reter cerca de sete unidades de informação simultaneamente. Embora o número exato ainda seja debatido, o consenso científico é de que essa capacidade é restrita, o que impacta diretamente a forma como aprendemos.
Apesar dessas limitações, pesquisas indicam que é possível melhorar o desempenho da memória com estratégias simples. Entre elas, está a redução de distrações causadas por dispositivos eletrônicos. Estudos mostram que a simples presença de smartphones pode prejudicar o desempenho cognitivo, mesmo quando não estão em uso, ao consumir parte da atenção de forma inconsciente.
Outro fator relevante é o controle do estresse e da ansiedade, que podem ocupar a memória de trabalho e dificultar a concentração. Técnicas de relaxamento, como exercícios de respiração e práticas de mindfulness, têm sido associadas à melhora do desempenho cognitivo.
A organização da informação também desempenha um papel importante. A técnica conhecida como “chunking”, ou agrupamento, consiste em dividir conteúdos em blocos menores e mais significativos, facilitando a retenção e a recuperação posterior.
Por fim, a prática da recuperação ativa da informação é apontada como uma das formas mais eficazes de consolidar a memória. O conceito tem base nos estudos do psicólogo alemão Hermann Ebbinghaus, que demonstraram a rapidez com que o cérebro esquece novas informações. Segundo ele, grande parte do conteúdo aprendido pode ser perdida em poucas horas, fenômeno conhecido como “curva do esquecimento”.
A repetição ativa e o resgate frequente do conteúdo aprendido ajudam a combater esse processo, fortalecendo as conexões neurais e tornando a lembrança mais duradoura.
Outro ponto destacado pela pesquisadora Elva Arulchelvan, em publicação no g1, é a importância de respeitar intervalos entre os períodos de estudo ou prática.
De acordo com pesquisas na área, a memória tende a funcionar de forma mais eficiente quando o aprendizado é distribuído ao longo do tempo, em vez de concentrado em sessões longas e contínuas. Esse método, conhecido como prática espaçada, contribui para uma retenção mais duradoura das informações.
A estratégia é especialmente recomendada para quem está se preparando para provas ou precisa assimilar grande volume de conteúdo. Inserir pausas consistentes entre os momentos de revisão permite que o cérebro processe melhor as informações e fortaleça as conexões neurais associadas à memória.
O princípio está diretamente relacionado à chamada curva do esquecimento, conceito desenvolvido pelo psicólogo alemão Hermann Ebbinghaus. Segundo seus estudos, a repetição distribuída ao longo do tempo ajuda a reduzir a perda de informações, tornando a lembrança mais estável e acessível no longo prazo.
Assim, ao espaçar sessões de estudo, é possível “ajustar” essa curva, diminuindo o ritmo do esquecimento e aumentando a eficiência do aprendizado.



