O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira (21) um novo capítulo de sua política tarifária, agora mirando os remédios genéricos importados pelos Estados Unidos. Segundo o republicano, os produtos ficarão livres de taxação até agosto de 2028, mas, a partir daí, passarão a sofrer uma sobretaxa de 100%, que subirá para 200% em agosto de 2029.
Em publicação na Truth Social, Trump justificou a medida como uma forma de forçar a volta da manufatura farmacêutica para solo americano:
“Isso é feito para TRAZER DE VOLTA a produção de medicamentos genéricos para os Estados Unidos, impondo uma penalidade às empresas que decidirem não construir fábricas e instalar equipamentos dentro do prazo estabelecido para elas.”

A fala expõe a lógica central da estratégia: usar tarifas como instrumento de coação econômica sobre empresas do setor. Trata-se de mais um episódio da política comercial de Trump baseada na chamada cláusula da “nação mais favorecida”, que tenta obrigar as farmacêuticas a equiparar os preços cobrados nos EUA aos praticados em outras nações ricas.
Na prática, essa cláusula pressiona os laboratórios a alinhar o valor pago pelos consumidores americanos aos preços de mercados como Europa e Canadá, geralmente bem mais baixos.
Impacto e medidas
O impacto potencial da medida é significativo. De acordo com a FDA (agência reguladora de alimentos e medicamentos dos EUA), mais de 90% dos remédios consumidos no país são genéricos, o que torna esse segmento, o mais acessível do mercado farmacêutico, especialmente sensível a qualquer distorção de preço ou oferta.
Já os medicamentos de marca e patenteados seguem fora dessa nova rodada de tarifas, mantendo a política que já estava em vigor.
Vale lembrar que, no ano passado, grandes farmacêuticas globais fecharam acordos com o governo americano para escapar de tarifas sobre bilhões de dólares em medicamentos. Em abril deste ano, Trump já havia assinado uma ordem executiva elevando em 100% as tarifas sobre remédios de marca importados, sobretaxa que poderia ser evitada caso as empresas negociassem preços com o governo ou se comprometessem a fabricar localmente.



