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quarta-feira, 22 julho, 2026
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Petróleo dispara e ultrapassa US$ 95 com escalada da guerra entre EUA e Irã

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Os preços do petróleo voltaram a subir com força nesta quarta-feira (22), pressionados pelo agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã. O Brent, principal referência global de preço para o petróleo bruto, rompeu a barreira dos US$ 95 pela primeira vez desde junho, refletindo o receio crescente de que a crise no Oriente Médio provoque uma interrupção duradoura no abastecimento mundial de petróleo.

Por volta das 6h45 no horário de Brasília, o contrato do Brent com vencimento em setembro chegou a subir 4,4%, cotado a US$ 95,02 o barril. O WTI, referência americana, avançava 4,5%, a US$ 88,16. Horas depois, às 8h19, parte dos ganhos havia sido revertida: o Brent registrava alta de 3,85%, a US$ 94,51, e o WTI, de 3,59%, a US$ 87,37, embora ambos seguissem em forte valorização.

Por trás da disparada está o recrudescimento do confronto entre Washington e Teerã. Na madrugada desta quarta, os Estados Unidos bombardearam alvos no Irã pela 11ª noite consecutiva, atingindo centros de comando, sistemas de defesa aérea e lançadores de mísseis e drones, segundo informações das forças americanas.

O Irã tem revidado com ataques a instalações militares dos EUA no Bahrein, no Kuwait e na Jordânia. A tensão se intensificou ainda mais depois que um petroleiro foi atingido no Estreito de Ormuz, rota essencial para o transporte global de petróleo, o que ampliou o temor de novas interrupções no fluxo da commodity.

O quadro se agravou com o anúncio dos Houthis, grupo iemenita apoiado por Teerã, de um bloqueio naval contra a Arábia Saudita. A ação coloca em risco o estreito de Bab el Mandeb, ligação entre o Mar Vermelho e o Golfo de Áden e uma das principais vias de escoamento de petróleo do Oriente Médio para Ásia e Europa. Na terça (21), dois petroleiros com carga saudita destinada à Ásia precisaram alterar sua rota no Mar Vermelho após ameaças dos Houthis, episódio que reforçou o alerta sobre a fragilidade do fornecimento global.

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Estreito de Bab el-Mandeb e de Ormuz seguem sob risco(Imagem: Reprodução/Maps)

Com Ormuz e Bab el Mandeb sob risco simultâneo, o mercado teme restrições ao tráfego marítimo justamente nas duas passagens que concentram parte substancial do comércio mundial de petróleo. Qualquer bloqueio nessas rotas tende a reduzir a oferta disponível e pressionar ainda mais os preços internacionais.

Bolsas reagem de forma desigual

A alta do petróleo beneficiou empresas do setor de energia e sustentou as bolsas europeias. Já os futuros das bolsas americanas operavam em queda.

No câmbio, o dólar perdia força ante outras moedas, enquanto o iene japonês se valorizava, após autoridades do Japão sinalizarem preocupação com riscos inflacionários e a possibilidade de uma alta de juros mais rápida do que o mercado esperava.

Petróleo em alta complica decisões dos bancos centrais

O encarecimento da commodity acrescenta um desafio a mais para os principais bancos centrais, já que combustíveis mais caros tendem a alimentar a inflação. Nesta quinta-feira (23), o Banco Central Europeu anuncia sua decisão de juros, e na semana seguinte será a vez do Federal Reserve, nos Estados Unidos.

A expectativa geral é de que ambas as instituições mantenham as taxas inalteradas neste mês. Ainda assim, investidores já passaram a precificar ao menos um novo aumento de 0,25 ponto percentual, tanto nos EUA quanto na zona do euro, até o fim do ano, diante do risco de a inflação voltar a acelerar com a escalada dos preços do petróleo.





ICL Notícias

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