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terça-feira, 10 fevereiro, 2026
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Tropa de Choque ataca indígenas Guarani e Kaiowá no MS e realiza despejo sem presença da Funai

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Indígenas Guarani e Kaiowá foram alvo da violência policial em Caarapó, no Mato Grosso do Sul. No final da manhã desta segunda-feira (22), militares da Tropa de Choque da Polícia Militar investiram contra os indígenas com empurrões e tiros de bala de borracha, em uma ação ilegal de despejo, sem a presença da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).

Em um vídeo publicado pelo Cimi (Conselho Indigenista Missionário), é possível ouvir pessoas dizendo “a Funai [Fundação Nacional dos Povos Indígenas] já está vindo”, enquanto os policiais, segurando escudos, avançam em direção aos indígenas. Um homem leva vários empurrões e, em seguida, um policial faz um disparo.

Tropa de Choque ataca retomada na TI Guyraroká

A violência aconteceu em mais uma retomada, processo pelo qual os povos originários recuperam territórios que foram tomados por não indígenas. Neste caso, a fazenda Ipuitã está sobreposta a uma parte da Terra Indígena Guyraroká.

Segundo informações do Cimi, a área foi declarada pela Funai como de ocupação tradicional e os Guarani e Kaiowá aguardam a conclusão do processo de homologação, o que irá lhes garantir segurança jurídica para permanecer no território. Enquanto isso, o grupo é alvo de violências constantes.

“Respeita a barreira, meu Deus!”, grita uma mulher, diante do avanço da Tropa de Choque. Pelo menos dois indígenas foram atingidos pelos disparos de balas de borracha. O representante da Funai, Cris Tupan, chegou no local quando os indígenas já haviam sido despejados pelos policiais. A retirada dos indígenas foi realizada sem mandado judicial.

Segundo informações divulgadas pelo Cimi, os policiais se aproveitaram da ausência da Funai para realizar o despejo. Os indígenas retornaram para a aldeia e irão aguardar o andamento das negociações. Enquanto isso, eles vivem confinados em pequenas áreas cercadas por plantações de soja e milho.

Comunidade sofre com pulverização de agrotóxicos

A área da fazenda Ipuitã foi ocupada pelos Guarani e Kaiowá no domingo (21), em protesto contra a pulverização de agrotóxicos, que contamina as plantações dos indígenas.

Por causa do veneno, os Guarani e Kaiowá perderam quatro toneladas de sementes. Com o uso indiscriminado de agrotóxicos pelos fazendeiros, microorganismos e insetos buscam alimentos e devoram as plantações dos indígenas, causando insegurança alimentar. As plantas que escapam dos insetos acabam “queimadas” pelos agrotóxicos despejados na plantação de soja — mas que é, também, pulverizado sobre o território da comunidade.

Em julho deste ano, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Força Nacional, com apoio das Polícias Judiciária e Técnico-Científica, apreenderam 202 kg de agrotóxicos contrabandeados do Paraguai. Segundo o Ibama, os produtos estavam escondidos em depósitos clandestinos no interior de uma fazenda na Terra Indígena Guyraroka, em Caarapó.

“Segundo as instituições envolvidas, a ação tem como objetivo proteger os direitos dos povos indígenas e garantir a segurança das terras já declaradas como indígenas, mas que permanecem ocupadas por propriedades rurais. A Terra Indígena Guyraroka vem sofrendo reiteradas ameaças, principalmente pelo uso irregular e pulverização aérea de agrotóxicos”, informou o Ibama, em nota publicada no site oficial.

 Tito Vilhalva Guarani e Kaiowá recebe relator da CIDH – Renato Santana/Cimi

No último 22 de agosto, o relator para os Povos Indígenas da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), Arif Bulkan, visitou o território para ouvir a comunidade. Na ocasião, o ancião Tito Vilhalva Guarani e Kaiowá, de 108 anos, deu seu relato de esperança. “Não sei se ainda estarei vivo para ter a terra demarcada. É o que eu desejo, mas que pelo menos meus filhos, netos e bisnetos vejam”, disse.

A questão Guyraroká é alvo de uma petição em trâmite na CIDH. Bulkan declarou aos Guarani e Kaiowá que o caso da TI precisa de encaminhamento por parte da Comissão, podendo o organismo internacional estabelecer prazos ao Estado brasileiro para resolução e até mesmo encaminhar o processo para a Corte Interamericana de Direitos Humanos.

O Brasil de Fato procurou a Secretaria de Estado e Segurança Pública (Sejusp) para questionar sobre a ação truculenta na terra indígena, mas, até o momento, não houve retorno. O espaço segue aberto.

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Fonte: Brasil de Fato

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