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Por Chico Alves
Na manifestação musical marcada para a tarde deste domingo (21), na praia de Copacabana, contra a PEC da Bandidagem, um instrumentista importante não estará tocando no palco, mas no meio do povão. Seu sucesso não é medido pela quantidade de audições no Spotify, mas por representar em alto e bom som a revolta de milhões de brasileiros contra o bolsonarismo e a extrema direita.
Ele é Fabiano Leitão, mais conhecido pelo codinome que assumiu: Trom-Petista. Toca o trompete que tem ressoado nos últimos anos em momentos importantes da política brasileira, da vigília à frente da sede da Polícia Federal onde Lula ficou preso, no Paraná, à provocação que irritou Bolsonaro, após sua prisão domiciliar ser decretada.
Fabiano vai ao ato de Copacabana com a esperança de que os brasileiros voltem a se manifestar nas ruas com mais frequência. “A gente aguarda muito a mobilização do povo”, comenta. “Tomara que dê certo”.
O músico teve destaque na imprensa e nas redes sociais nos últimos tempos por ocasião do julgamento e da condenação de Jair Bolsonaro e outros golpistas. No entanto, sua forma de protesto original surgiu no momento em que a direita estava em alta.
“Tudo começou no impeachment da Dilma, quando eu fiquei ali na Esplanada muitas e muitas horas depois da decisão final, naquela revolta. Aí resolvi fazer algo”, conta. “Invadi o link do Jornal da Globo. Pulei aquela cerquinha do STF e gritei ‘Globo golpista!’, ‘William Waack golpista!’ ao vivo, no Jornal da Globo”.
Fabiano acabou agredido pelos seguranças do Supremo Tribunal Federal e resolveu continuar a protestar de outra forma. Quando ocorreu a prisão do presidente Lula, por causa da Operação Lava Jato, ele decidiu marcar sua indignação à distância, tocando jingles de Lula durante flashes ao vivo das emissoras de TV. “Naqueles tempos invadi uns 24 links da Globo, de Jornal Nacional a Bom dia Brasil”, recorda.
O trompete também foi usado na vigília à frente da sede da PF do Paraná, onde Lula ficou preso, mas dessa vez como uma forma de alento: “Toquei as músicas do PT, toquei os hinos do Corinthians e do Vasco, que são os times do coração do presidente”.
A partir daí assumiu a tarefa de ser a marca sonora do PT e da esquerda em momentos importantes da política. “A imprensa brasileira estava invisibilizando o presidente Lula, então minha missão era reverter isso”, explica.
Fabiano Leitão
Trompetista diz que usa o instrumento para encorajar outros militantes
Ele trabalha na Secretaria Agrária do PT nacional e se define como um “militante que toca trompete”. Usa seu instrumento para encorajar outros militantes. “Essa é uma tarefa que ninguém me obriga, ninguém pede, mas é minha leitura política que aponta que é preciso fustigar o adversário”.
Fabiano tem 46 anos e toca desde os 14. Antes de se dedicar à política, participou de bandas que animavam festas e se apresentavam na noite. Com o engajamento partidário, deixou de lado a carreira profissional.
Quando Bolsonaro assumiu a Presidência, foi da defesa ao ataque. O trompete passou a ser usado como forma de provocação.
A primeira delas ocorreu ainda em 2018, quando Bolsonaro, já eleito, foi fazer uma visita ao STF. “Eu estava lá e toquei ‘Bella Ciao’”, diz Fabiano, referindo-se à música italiana que se transformou em hino antifascista.
Nessa fase de decadência do bolsonarismo, o trompetista tem marcado presença com frequência. O músico lembra alguns desses episódios, como quando Bolsonaro foi tornado réu pelo Supremo:
“Ele estava dando uma entrevista e interrompeu quando ouviu que eu estava tocando a marcha fúnebre, de Chopin, e “Tá na hora do Jair”, de Juliano Maderada. Teve também o momento em que colocou a tornozeleira, estava dando entrevista cercado de aliados e quando ouve o trompete interrompe a entrevista e sai às pressas”, lembra.
Fabiano diz que na guerra é preciso enfraquecer o adversário. “Quando Bolsonaro para de falar para ouvir o som do trompete, faz o protesto ficar maior do que ele”, acredita. “Nossa tarefa é usar a arte para fazer política “.
No ato de hoje, em Copacabana, em meio às obras-primas cantadas por Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico Buarque, Djavan e outros monstros sagrados da música, os manifestantes certamente vão ouvir o som de um trompete no meio deles.
Será mais uma vez Fabiano, o músico que insistiu na militância quando tudo parecia perdido.



