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segunda-feira, 9 março, 2026
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STF e Globo precisam ter conversa que Dilma e irmãos Marinho não tiveram em 2015

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Nunca antes na História do Brasil uma concessionária de serviços públicos, as Organizações Globo, dona da maior emissora de TV aberta do país e controladora de canais de mídia que brigam pela liderança de audiência em diversas outras plataformas, teve a ousadia de dizer que um ministro do Supremo Tribunal Federal mente aos desmentir apurações de uma jornalista prestigiada de sua equipe.

Nunca antes na História do Brasil, também, um ministro do STF teve uma esposa e filhos que mantivessem um contrato milionário de defesa jurídica (R$ 3,6 milhões/mês de remuneração líquida durante três anos) para com um banco conhecido desde sempre pelas más práticas de compliance como ora ocorre com o casala Alexandre de Moraes e Viviane Barci de Moraes.

A união dos dois ineditismos históricos nos conduziu a uma situação paradoxal da política nacional na qual a Corte Constitucional se vê obrigada a defender a honra e a biografia de corajoso e combativo democrata de seu vice-presidente, Alexandre de Moraes, mesmo que entre os demais integrantes do Tribunal haja desconforto com a destemida ousadia com a qual o colega de toga desfrutou da amizade com o ex-banqueiro. Ao mesmo tempo, os veículos das Organizações Globo parecem esquecidos dos transtornos sofridos em seu próprio caixa dadas as perseguições das quais foram vítimas depois de terem desembarcado da aventura golpista do impeachment sem crime de responsabilidade de 2016 quando ela se converteu em golpe franco e aberto com a ascensão de Jair Bolsonaro ao poder em 2019. Parecem esquecidos porque o caminho que vem sendo trilhado – o de “jornalismo de campanha”, que nunca é de bom alvitre – assemelha-se demais à temporada de crimes de lesa-pátria e aos assassinatos de reputação em série perpetrados por jornalistas de seus quadros, com a anuência dos chefes e das cúpulas das redações, durante os trágicos anos de Operação Lava Jato a pleno vigor.

 

A REUNIÃO QUE NÃO HOUVE NO PALÁCIO DAS MANGABEIRAS

Houve um tempo, na História do Brasil, no qual protagonistas da vida política e institucional do país tinham de ter conversado no início de uma escalada tão grotesca de perversões e agressões aos fatos como a atual e não o fizeram. Foi em 2015, no início da vertiginosa ascensão de crimes que seriam cometidos pelo Ministério Público Federal por meio dos procuradores coordenados por Deltan Dallagnol em Curitiba sob a inspiração nefasta do ex-juiz Sérgio Moro, com o auxílio fundamental de delegados e agentes da Polícia Federal associados àquela engrenagem criminosa e em consórcio com parte significativa dos veículos de imprensa que se autointitulam “profissionais”. Transformaram-se, na verdade, em snipers profissionais – pistoleiros de aluguel do lavajatismo. O resultado daquele encontro cataclísmico foi o golpe do impeachment sem crime de responsabilidade, a deposição de Dilma Roussef, a entrega da caneta presidencial por usurpação do poder a Michel Temer e a abertura de caminhos para a aventura golpista dos militares que tinham em Bolsonaro seu títere.

Em outubro de 2015, pouco mais de um mês antes de o Tribunal de Contas da União firmar um entendimento espúrio por meio de um relatório do ministro Augusto Nardes (até hoje vinculado por laços de lealdade ao seu antigo partido, PP, pedra basilar do “centrão” corrupto que opera na Câmara dos Deputados), o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, chamou um interlocutor comum dele com alguns personagens do PT e de gestores de crise que estavam em Brasília para almoçar no Palácio das Mangabeiras.

Belíssima residência oficial modernista projetada por Oscar Niemeyer, era no Mangabeiras onde Pimentel morava com sua esposa, Carolina, e a filha do casal que acabara de nascer. Foi um almoço privado, só os três adultos que já se conheciam de outros carnavais. No passado, durante a resistência à ditadura militar, Fernando Pimentel havia sido militante do Comando de Libertação Nacional (Colina) muito próximo de Dilma. Os dois tinham se conectado desde a adolescência, no movimento estudantil, em organizações que lutavam pela restauração democrática. O então governador mineiro antevia naquele outubro de 2015 o tsunami que devastaria o governo da amiga, derrubando-o, e lançaria o Brasil numa de suas mais trágicas quadras históricas.

– Essa mulher tem de ter juízo – disse ao interlocutor convidado para o almoço e surpreendendo a todos por tratar a presidente Dilma, sua amiga, de forma tão distante. A sequência do desabafo explicaria o distanciamento:

– Ela tem de descer do pedestal, aceitar que o Nelson Jobim é a única pessoa que pode organizar uma conversa com todo mundo aqui nesta sala, porque o Márcio Thomaz Bastos já morreu, senão era ele quem faria isso… e chamar para cá o João Roberto Marinho, o Roberto Irineu, o bispo Edir Macedo, o Sílvio Santos, o Emílio Odebrecht, o Cesar Mata Pires (OAS), uma das meninas da Camargo Correa, o Rodrigo Janot (então procurador-geral da República e chancelador da Lava Jato dentro do MPF) e dizer: basta! Vamos nos entender aqui dentro, vamos fazer um pacto para assumir erros e travar as ilegalidades e o golpismo.

Enquanto falava, Fernando Pimentel apontava para as poltronas e sofás vazios da ampla sala do Mangabeiras onde Carol, a primeira-dama mineira, e o interlocutor convidado comiam torresmo e bebiam um trago de cachaça antes do almoço ser posto à mesa. Ali, caberiam todos os elencados pelo governador para a reunião imaginária que nunca ocorreu. Nelson Franco Jobim, que naquele momento já trazia no currículo o diapasão único de ex-deputado constituinte, ex-ministro da Justiça, ex-ministro do STF, ex-ministro da Defesa do presidente Lula e da própria Dilma Rousseff, com quem saiu brigado, era de fato a biografia única disponível para suceder a Márcio Thomaz Bastos naquela imposição necessária de um diálogo que nunca houve. Se tivesse ocorrido, talvez a História do Brasil tivesse sido outra. O país está neste exato momento na soleira do portal de seu próprio destino e vislumbrando a tragédia se repetir como farsa. Farsa de si mesma.

É por isso que um pacto se faz necessário e aos Organizações Globo, os herdeiros dessa 3ª geração de Marinho que jamais viveram crises políticas de tamanha envergadura como a atual, precisam se dispor a sentar com os legítimos representantes dos três poderes da República e autoimporem um armistício na escalada guerrilheira contrafactual ora empreendida. Quanto aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, que devem explicações à Nação e às regras de compliance e transparência, precisam assumir o laissez-faire moral que manchou suas trajetórias biográficas na mesma proporção e medida em que foram ousados demais na proximidade construída com um ex-banqueiro promíscuo e fraudador do Sistema Financeiro Nacional.

Nuna antes na História do Brasil precisamos tanto do equilíbrio e do ajuste fino no sistema de freios e contrapesos que regula a Democracia.

 





ICL Notícias

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