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Sob Trump, EUA vivem censura inédita em sua história moderna: ‘Supera o Macartismo’

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Em sua posse no dia 20 de janeiro de 2025, Donald Trump afirmou “vou assinar uma ordem executiva para interromper imediatamente toda a censura governamental e trazer de volta a liberdade de expressão para os Estados Unidos”.

Poucas coisas foram tão mentirosas como essa promessa. Em seu primeiro ano de governo, os EUA viveram uma asfixia sem precedentes sobre a liberdade acadêmica, universidades foram chantageadas e a censura se proliferou.

Agora, num estudo detalhado do desmonte da democracia nos EUA, a entidade Pen America revela o impacto do governo do republicano sobre os intelectuais do país e constata que nem no auge do Macartismo a censura ganhou tal dimensão.

A instituiu concluiu que:

  • A censura governamental à liberdade de expressão e à liberdade acadêmica atingiu níveis sem precedentes nos campus universitários dos EUA, à medida que os legisladores ampliam uma rede de controle político e ideológico sobre o setor.
  • Mais da metade dos estudantes universitários dos EUA agora estudam em um estado com pelo menos uma lei ou política que restringe o que pode ser ensinado ou como os campus podem operar.
  • O governo Trump instrumentalizou diversas alavancas do poder estatal para coagir faculdades e universidades a se adequarem aos seus ditames ideológicos.

“Para o ensino superior nos Estados Unidos, 2025 foi um ano catastrófico”, constata a Pen America.

“Em praticamente todas as frentes imagináveis ​​– das capitais estaduais ao Capitólio e até mesmo nas redes sociais – os políticos americanos têm travado uma campanha em larga escala contra faculdades e universidades, com foco concentrado na liberdade de expressão”, alerta o levantamento.

O impacto é profundo.

“O preço a pagar é imenso. O medo entre professores, alunos e administradores é generalizado. A autocensura no ensino e na pesquisa é desenfreada. Toda semana parece trazer uma nova lei ou diretriz que ameaça ainda mais a liberdade acadêmica e a qualidade da educação”.

Um dos problemas tem sido o fato de que muitos professores estão lidando com o ódio online e a divulgação de informações pessoais online, às vezes instigada por autoridades eleitas.

Estudantes internacionais foram detidos por suas declarações e ameaçados de expulsão do país, enquanto os líderes universitários, cedendo ao ataque, demitiram, suspenderam ou puniram dezenas de professores e funcionários, muitos por discursos constitucionalmente protegidos.

“Alguns reitores foram forçados a renunciar ou a deixar o cargo. Muitos líderes universitários sentem que não têm outra escolha senão acatar as exigências e tentar negociar acordos com o governo federal, mesmo enfrentando ameaças crescentes em nível estadual”, afirma.

Segundo o documento, um vasto conjunto de legislações, políticas, investigações e ameaças, provenientes de governos estaduais e federal, “teceu uma teia de controle sobre os campus universitários”.

Alguns estados, como a Flórida e o Texas, integraram mecanismos de censura em praticamente todas as dimensões de seus sistemas universitários, desde a seleção de líderes administrativos até a promoção de professores, da aprovação de disciplinas aos detalhes da atribuição de cursos. Enquanto isso, o governo federal tem usado seu controle sobre verbas federais para pesquisa, investigações e audiências no Congresso para colocar algumas das universidades mais ricas e influentes do país de joelhos.

Ainda que a ofensiva ultraconservadora sobre as universidades já tenha começado nos últimos anos, a Pen America destaca que, tanto em quantidade quanto em qualidade, o ataque do segundo mandato de Trump ao ensino superior “não tem precedentes na história moderna dos Estados Unidos”.

“Instituições privadas não foram poupadas, nem mesmo aquelas em estados com políticas mais liberais. Isso impacta todo o setor, desde faculdades comunitárias até o sistema nacional de credenciamento, do financiamento federal para pesquisa e programas de empréstimo estudantil aos esforços para promover o sucesso dos alunos, combater o antissemitismo e permitir que as universidades recrutem e retenham estudantes e professores internacionais”, disse.

“Quando se trata da crescente rede de controle político e ideológico que definiu os últimos doze meses, praticamente nenhuma instituição de ensino superior está a salvo”, aponta.

O grande extorsor trump

Controle ideológico

Segundo a entidade, o controle ideológico sobre os campus universitários já está impactando a pesquisa acadêmica, o ensino e o currículo, bem como as políticas institucionais e a governança compartilhada.

“A enxurrada de legislação, políticas e discursos direcionados ao ensino superior tornou-se a nova normalidade para um número crescente de legislaturas estaduais, assim como para o governo federal sob a presidência de Trump”, aponta.

  • Em 2025, legisladores estaduais apresentaram 93 projetos de lei em 32 estados que visavam censurar o ensino superior.
  • Isso inclui 15 projetos de lei com ordens de silêncio educacionais, 56 com disposições de censura indireta e 22 projetos de lei que incluem ambos.
  • Dos 93 projetos de lei propostos, 21 – ou 23% – foram aprovados em 15 estados.

Com isso, as legislaturas estaduais estabeleceram 3 novos recordes em 2025: o maior número de novas leis de censura ao ensino superior promulgadas em um único ano (21), o maior número de estados que as promulgaram (15) e o maior número de estados que promulgaram sua primeira lei de censura ao ensino superior (8).

De acordo com a Pen, 23 estados já promulgaram leis ou políticas de censura ao ensino superior desde 2021, e mais de 50% dos estudantes universitários e de faculdades nos EUA estão matriculados em um estado que promulgou pelo menos uma lei ou política de censura ao ensino superior. “Este é um número impressionante que deveria nos fazer refletir”, diz.

O exemplo do Texas

Um dos destaques do estudo são as políticas de censura no Texas, um estado aliado de Trump. Docentes e departamentos acadêmicos agora têm restrições sobre como podem discutir raça ou “ideologia racial”, identidade de gênero e orientação sexual sem permissão especial da direção da universidade.

Essas políticas não têm respaldo legal, mas podem impedir o acesso à liberdade de expressão para dezenas de milhares de docentes e alunos. Na prática, milhares de planos de aula no Texas estão agora sob revisão administrativa.

Nem no auge do Macartismo

Os números ainda revelam um impacto abrangente da tentativa de Trump de asfixiar a academia:

Número de vistos de estudantes internacionais revogados pelo Departamento de Estado: mais de 8.000
Percentual de instituições que relataram uma diminuição na matrícula de novos estudantes internacionais: 57%
Investigações sobre universidades, iniciadas pelo Departamento de Justiça e pelo Departamento de Educação desde janeiro de 2025: mais de 90
Verbas federais para pesquisa que serão alvo de cortes em bolsas anteriormente concedidas a instituições: US$ 3,7 bilhões
Custo anual estimado dos cortes de financiamento na forma de diminuição da produção econômica dos EUA: US$ 10 a 16 bilhões
Número estimado de participantes de ensaios clínicos afetados por cortes e interrupções de financiamento: 74.000 (383 ensaios clínicos)

Para a Pen America, as ordens executivas e memorandos a investigações, retenção de fundos para pesquisa e auxílio financeiro, e esforços para deter, deportar ou negar vistos a estudantes e acadêmicos internacionais estão sendo implementadas para colocar o “setor de ensino superior de joelhos”.

Há hoje o temor de que o uso de certas palavras em propostas de pesquisa científica possa levar à perda de financiamento.

Mesmo durante o auge do Macartismo, quando a paranoia da Guerra Fria consumia as universidades do país, as ações do governo federal se concentravam principalmente em indivíduos e não se comparavam, nem em qualidade nem em quantidade, aos instrumentos de controle, medo e censura empregados contra todo o setor de ensino superior em 2025.

Chantagem

Uma das estratégias usadas por Trump tem sido a chantagem, a partir da retenção de recursos públicos.

No final de julho, o Departamento de Justiça divulgou um “Guia para Beneficiários de Financiamento Federal sobre Discriminação Ilegal”. Ao longo de nove páginas e dezenas de exemplos, o documento tenta descrever os tipos de práticas discriminatórias que podem custar a escolas, universidades e outras organizações o acesso a fundos federais.

O guia explica que uma universidade não pode criar ou alocar recursos para apoiar um “espaço seguro” para estudantes de uma determinada religião ou origem nacional, pois isso constituiria “segregação” ilegal, mesmo que “o acesso seja tecnicamente aberto a todos”.

As universidades também não podem se envolver em “práticas preferenciais de contratação ou promoção”, por exemplo, tentando recrutar estudantes de instituições ou regiões específicas do país que “se correlacionem com, reproduzam ou sejam usadas como substitutas para” uma determinada raça ou etnia”.

O governo federal não tolerará mais que universidades enviem recrutadores para escolas de ensino médio predominantemente negras para direcionar estudantes negros para o primeiro ano da faculdade.

Exceto quando tolera. O governo federal chegou a um acordo com a Universidade Brown para que a instituição possa tomar medidas “para apoiar uma comunidade judaica próspera”, realizará “ações de divulgação junto a estudantes de escolas judaicas para fornecer informações sobre como se candidatar a Brown”.

Corpo docente excluído de decisões sobre alunos

De acordo com o levantamento, outro movimento identificado tem sido o da exclusão do corpo docente de processos disciplinares estudantis.

Na maioria das universidades americanas, a revisão de condutas estudantis é uma das tarefas compartilhadas entre administradores e professores. “Isso está mudando. Sob enorme pressão do governo federal, tanto Columbia quanto Harvard reformularam suas políticas disciplinares estudantis de maneiras que atropelam a governança compartilhada”, alertou.

O gatilho óbvio foi a onda de protestos pró-Palestina em 2024. No caso da Universidade Columbia, a autoridade sobre a má conduta estudantil foi transferida do Conselho Judicial da Universidade, no qual o corpo docente tem um papel de destaque, para o Gabinete do Reitor.

Essa mudança foi uma das principais exigências do governo Trump e uma condição para a liberação das verbas federais congeladas da Columbia.

Students walk past a protest encampment on the main campus of Columbia University, organized by a group of students in support of Palestinians, during the ongoing conflict between Israel and the Palestinian Islamist group Hamas, in New York City, U.S., April 27, 2024. REUTERS/Caitlin Ochs
Students walk past a protest encampment on the main campus of Columbia University, organized by a group of students in support of Palestinians, during the ongoing conflict between Israel and the Palestinian Islamist group Hamas, in New York City, U.S., April 27, 2024. REUTERS/Caitlin Ochs

Esperanças…poucas

Segundo a Pen America, a resistência tem ocorrido. Nos tribunais, o governo federal sofreu uma série de derrotas constrangedoras.

“Em setembro de 2025, um juiz ordenou que o governo restaurasse o fluxo de verbas federais para pesquisa em Harvard. Mais tarde, naquele mesmo mês, outro juiz decidiu que a tentativa do Departamento de Segurança Interna de deportar estudantes e professores internacionais por sua defesa da causa palestina violava a Primeira Emenda”, disse.

A Associação Americana de Professores Universitários foi fundamental para levar ambos os casos a julgamento, tornando-os vitórias não apenas para as universidades, mas para a liberdade de expressão em geral.

Batalhas significativas também foram vencidas em nível estadual. A lei que proíbe “atividades expressivas” em campus universitários após as 22h ou nas duas últimas semanas do semestre, foi temporariamente suspensa pelos tribunais.

Em junho, a Suprema Corte de Oklahoma impediu o estado de aplicar a primeira lei de censura educacional sobre “conceitos divisivos” a ser adotada nos Estados Unidos.

Apesar disso, a constatação da entidade é de que a asfixia é real e que a tendência não perderá força em 2026.



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