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“O cunhado é o cupim de ferro da família.”
Ah, que me perdoem os mais sérios leitores do ICL Notícias, mas esse escândalo do banco Master está pedindo uma luz de Nelson Rodrigues, o pernambucano que decifrou a alma da canalhice nacional.
O líder político Leonel Brizola chegou a questionar se cunhado era parente. O tio Nelson não tem dúvida. Alguns cunhados chegam ao noticiário como os verdadeiros patriarcas de família alheia.
Repare no caso desse rapaz fortão, pastor da igreja da Lagoinha, o ricaço Fabiano Zettel. Casado com uma irmã de Daniel Vorcaro, ele surge no rolo do Master com o status de maior doador das campanhas do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Jair Bolsonaro (PL), com R$ 5 milhões para a dupla de reaças.
Óbvio que ninguém derrama dinheiro em comitê de político por caridade. Agora, porém, é que entra o teor rodriguiano da parada: “Cunhado de Vorcaro doa apartamento de R$ 2,6 mi para nutricionista”, berrou a manchete da Folha.
Procurada pela reportagem, Gabriela Amaral Rocha (a nutricionista) disse que a doação fez parte de um investimento realizado por Zettel (o cunhado) em empresa de marmitas chiques, a Feed Me Up — alimente-me, me dê comida, me abasteça, a tradução é livre, como preferir.
Um mês depois dessa transação, em 16 de dezembro de 2024, a Super Empreendimentos (dirigida também pelo cunhado de Vorcaro) doou outro apê em São Paulo, agora no valor de R$ 4,4 mihões, para Karolina Trainotti.
Ela nega qualquer laço de corrupção com pessoas do grupo Master. A sua defesa alega que Karolina era apenas “sugar baby” de alguém acusado na fraude financeira.
No seu tempo, tio Nelson, não havia esse ofício moderno da moça que ganhou um imóvel de luxo na região da Faria Lima, aqui em SP.
“Sugar baby” é um termo que define uma jovem que mantém uma relação com uma pessoa mais velha (o “sugar daddy”) em troca de ajuda financeira.
Explico e parece que escuto a voz do autor de “A vida como ela é” no ambiente: “Ah, qual o quê, meu rapaz, isso não passa da tradicional, da tradicionalíssima, da clássica ´teúda e manteúda´ da Tijuca. Só puseram esse batismo moderninho em inglês, coisa desses jecas que frequentam Miami”.
Tio Nelson falou, tá falado.
Ninguém entende mais desse tipo de escândalo do que ele. O dramaturgo semeou os melhores cunhados em suas peças e crônicas. O Paulo, de “A Serpente”, por exemplo, nem é tão canalha assim, apenas aproveita uma oportunidade oferecida pela própria esposa.
Em “Vestido de Noiva”, Pedro é um cunhado que vira motivo de trauma.
Casado com uma das filhas do canalha-mor Dr. Werneck, Peixoto, no drama “Bonitinha, mas ordinária” entra na decadência moral de ser o mensageiro de um casamento arranjado, quase um acordo financeiro nos moldes da turma do banco Master. Desce o pano. Até a próxima.
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