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Os últimos meses do governo Biden transcorreram sob o signo da desconfiança de que os Estados Unidos eram governados por um homem senil. Sete meses antes de deixar a Casa Branca, Joe Biden literalmente travou durante um debate com o adversário Donald Trump, promovido pela CNN. Tinha o olhar difuso, pronunciava frases desconexas e não conseguia concluir raciocínios simples.
A partir desse episódio, as suspeitas, antes adstritas ao campo da política, ganharam corpo e passaram a ser discutidas pela área médica, retroalimentando o debate sobre a senilidade de Biden e sua incapacidade de responder pelo posto de homem mais poderoso do planeta.
Donald Trump, que desde 2019 já alcunhara o adversário de “Sleepy Joe” (Joe Soneca), tentava, naquele momento, cravar outro apelido – “Crooked Joe” (Joe Corrupto). Ao perceber a vulnerabilidade do contendor, mudou de estratégia, voltando ao “Sleepy Joe” para carimbar Biden como um velho senil, incapaz de governar por mais um mandato.
Diante do desastre que se avizinhava, com Trump galgando posições no ranking eleitoral, congressistas, próceres do Partido Democrata, lobistas e a imprensa liberal americana começaram a pressionar por sua substituição, que se efetivou em 21 de julho de 2024.
Trump ganhou a eleição e pilotou os Estados Unidos como se dirigisse um transatlântico desgovernado. Afrontou o mundo ao abolir o direito internacional, ameaçou e chantageou aliados históricos, interveio em assuntos que não são da conta de seu país, praticamente exterminou a ONU e o multilateralismo, e criou uma milícia fascista que saiu promovendo atrocidades contra imigrantes latino-americanos.
Agora, no entanto, a maldição da senilidade parece ter-se incorporado em Trump. Muito do que não foi possível entender em seu comportamento errático serve como combustível para alimentar, outra vez, a desconfiança de que o presidente dos Estados Unidos está senil e incapaz de entender a realidade que o cerca.
Ruins em Biden, os sinais de demência são apavorantes em Trump, que tem uma personalidade narcisista, não esconde seu pendor segregacionista, é violento e possui uma moralidade muito própria, que ele mesmo diz ser seu único limite para ações hostis do governo estadunidense.
As suspeitas, por enquanto, ocorrem nos bastidores da política, fora do ambiente institucional da grande imprensa. Mas na internet, dezenas de neurologistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e milhares de palpiteiros chamam a atenção para certos detalhes das coisas que Trump tem feito em suas aparições públicas. Como ele se expõe muito, os sinais de degeneração abundam nas redes sociais.
O sinal de alerta piscou quando ele passou a ser flagrado dormindo durante eventos oficiais. No dia 2 de dezembro, enquanto o Secretário de Comércio, Howard Lutnick, e o Secretário de Estado, Marco Rubio, falavam na Casa Branca, a cabeça de Trump chegou a pender para a frente antes de ele “dar um sobressalto” para despertar. A porta-voz Susie Wiles afirmou que ele não estava dormindo, mas apenas “ouvindo atentamente com os olhos fechados”.
Antes, porém, Trump já havia sido flagrado “ouvindo atentamente com os olhos fechados” em 6 de novembro, durante uma solenidade no Salão Oval na qual ele iria anunciar seus planos de redução do preço dos medicamentos. E o fato voltou a se repetir duas vezes neste mês de janeiro – durante uma entrevista coletiva para tratar da reforma da política do leite e em um evento para anunciar a reclassificação da Cannabis como substância de reconhecido valor medicinal.
As bizarrices de Trump serviram como matéria-prima para um sem-número de memes, mas pouco efeito político produziram até que, nos últimos dias, ele passou a agir como se estivesse ‘fora da casinha’. O episódio mais estranho foi aquele em que ele enviou uma mensagem de WhatsApp ao premiê norueguês, Jonas Gahr Støre, afirmando que, como não havia ganhado o Prêmio Nobel da Paz, não se sentia mais obrigado a pensar na paz. Era uma ameaça estapafúrdia dirigida erroneamente ao país errado. O alvo era a Groenlândia, território autônomo que pertence à Dinamarca, obsessão de Donald Trump. A reclamação também foi dirigida à instância errada, pois a comissão do Nobel nada tem a ver com o governo da Noruega.
Erros factuais tornaram-se comuns em suas disparatadas aparições públicas. Em um discurso para se vangloriar de suas ações “pacifistas”, confundiu a Albânia, nos Balcãs, com a Armênia, que fica a mais de 3 mil quilômetros de distância, no Cáucaso Sul. Trump queria dizer que encerrou a guerra entre Armênia e Azerbaijão, que são vizinhos e, desde 1990, disputam a região de Nagorno-Karabakh.
Não bastasse isso, no dia seguinte, durante uma explanação sobre segurança no Ártico, Trump estava diante de um mapa digital e cometeu os seguintes erros: ao apontar para o mapa, referiu-se à Islândia como “A Groenlândia Oriental” (Eastern Greenland) e afirmou que a Islândia era, na verdade, uma “ilha de gelo russa” que precisava ser “comprada ou neutralizada”.
Quando corrigido por um repórter da Associated Press, que pontuou que a Islândia é uma nação soberana e membro da OTAN, Trump respondeu: “Eu sei o que os mapas dizem, os mapas estão desatualizados. A Islândia é o nome que deram para nos enganar, mas é tudo a mesma massa de terra sob o gelo. É Groenlândia. Tudo é Groenlândia.” Para espanto geral, ele prosseguiu dizendo que a Islândia estava “flutuando em direção à costa dos EUA como um iceberg gigante” e que isso representava uma ameaça imediata à segurança nacional.
Em 9 de janeiro, durante uma discussão tensa sobre investimentos de indústrias petrolíferas americanas na Venezuela, Trump se levantou e caminhou até uma das janelas do Salão Leste. Em vez de comentar a política externa ou o mercado de petróleo, começou a se gabar das obras de construção do novo salão de baile da Casa Branca. Descreveu a vista para o canteiro de obras, convidou a “imprensa falsa” (fake news) a tomar nota do trabalho e afirmou, entre risos da audiência, que era um “momento invulgar para olhar”, mas que o projeto era “fantástico”. Ninguém entendeu nada!
Menos de duas semanas depois, retornando de um comício na Carolina do Sul no Air Force One, seu gabinete voador, o presidente dos EUA cometeu uma inconfidência: disse aos jornalistas que havia feito um teste de inteligência, no qual teria obtido uma nota A (máxima) e recebido elogios do médico, que o teria qualificado como possuidor de um dos maiores QIs que ele já analisara.
O teste seria composto por perguntas cujo grau de dificuldade vai aumentando gradualmente, conforme sua própria descrição: – “Eles mostram imagens. Tem uma girafa, um elefante e um hipopótamo. Eles dizem: ‘O que é isso?’. Eu disse: ‘É um hipopótamo’. Eles disseram: ‘Ninguém nunca acerta o hipopótamo tão rápido quanto você’. É incrível”, disse ele aos jornalistas.
Ocorre que o teste prescrito não se presta à avaliação de QI. Ele se chama Teste de Montreal (MoCA), e é um instrumento de triagem rápida desenvolvido para detectar estágios iniciais da demência frontotemporal, doença que acomete pacientes idosos como Donald Trump. No mesmo voo, ele também revelou que havia feito uma ressonância magnética do cérebro: “Meu cérebro é lindo, eu vi na ressonância. Não tem nada lá, está limpo, muito espaço, muita inteligência.”
Médicos sérios não gostam de dar palpite sobre diagnósticos de terceiros. Mas, com a garantia do anonimato, um neurologista do primeiro time afirmou que, no contexto da Demência Frontotemporal (DFT), uma ressonância magnética que parece “limpa” para um leigo pode, na verdade, mostrar atrofia dos lobos frontais para um neurologista. O fato de o presidente tornar público que realizou uma ressonância magnética é incomum para um exame de rotina, o que levanta a suspeita de que a equipe médica estava investigando sintomas específicos de demência.
Os passos trôpegos de Donald Trump também inspiram preocupação. Sua incapacidade de andar em linha reta ficou evidente quando ele desembarcou em Davos, na Suíça, para participar do Fórum Econômico Mundial. Ao caminhar sobre o tapete vermelho, ele fez uma trajetória aleatória, ora indo mais para a esquerda, ora voltando mais para a direita, mas nunca em linha reta.
Para os neurologistas, isso indica a ocorrência de apraxia da marcha (dificuldade em coordenar os movimentos das pernas); disfunção do lobo frontal (quando ele está atrofiado, o indivíduo perde o equilíbrio e a capacidade de caminhar em linha reta); e pode indicar também a ocorrência de Parkinson.
Além disso, é notório o pavor de Trump de tomar um tombo (no sentido literal, cair no chão). Não por acaso, as escadas largas que são normalmente acostadas ao Boeing presidencial foram substituídas pelas do deck inferior do avião, que são mais estreitas e permitem ao passageiro se agarrar aos corrimãos esquerdo e direito ao mesmo tempo.
No fatídico voo em que revelou os cuidados com sua ‘maravilhosa’ cognição, Trump produziu mais uma cena que preocupou o gabinete. No meio da descida, ao desembarcar, ele parou abruptamente. Testemunhas relataram que ele parecia ter “congelado”. Ele foi ouvido dizendo baixinho para um agente do Serviço Secreto: “Onde está a barra? Preciso de algo firme”. Então, agarrou o corrimão lateral com as duas mãos e desceu os degraus restantes um a um, colocando os dois pés no mesmo degrau antes de avançar para o próximo. Isso ocorre quando a pessoa está com a propriocepção (consciência da posição corporal) comprometida, como acontece com quem tem Alzheimer ou demência frontotemporal.
Logo começaram a surgir registros de vídeo e fotos chamando a atenção para a postura dele: o corpo sempre arqueado para a frente, coordenação motora grossa comprometida, ele sempre se segurando no púlpito à frente, os braços tensionados para dividir com as pernas a responsabilidade pelo equilíbrio do corpo.
Para ajudar a aumentar o clima de preocupação, surgiu um hematoma na mão esquerda de Trump, aparentemente marcas deixadas pela perfuração da pele para a colocação de um acesso venoso. Trump tentou explicar a mancha, que tentou sem sucesso disfarçar com maquiagem, como consequência de uma batida na mesa ao assinar atos presidenciais.
Isolados, esses sinais dizem pouco; juntos, no entanto, começam a formar uma equação complicada. A Constituição dos Estados Unidos prevê mecanismos de substituição de um presidente no exercício do mandato por incapacidade física ou mental. Mas o processo teria que começar com a admissão de incapacidade involuntária declarada pelo vice-presidente e pela maioria do gabinete. Segundo a previsão constitucional, J.D. Vance assumiria o governo. Mas o presidente poderia reaver o mandato apenas declarando por escrito que não há incapacidade – e poderia ser novamente afastado caso o vice e o gabinete reiterem a condição de impedimento em até quatro dias. Ao final, quem decide é o Congresso, com 2/3 dos votos dos congressistas.
O problema é que, se essa condição existe, o planeta inteiro está diante de um cenário grave e insólito: o homem mais poderoso de todos os tempos pode estar demente, mas não lhe tiraram das mãos as chaves e os códigos que acionam os mísseis que podem destruir a civilização muitas vezes.
Outros loucos que tiveram grande poder já mostraram do que são capazes. Calígula ordenou que seus exércitos lutassem contra o mar; Carlos VI mergulhou a França em uma guerra civil entre Armagnacs e Borguinhões; Adolf Hitler provocou mais de 60 milhões de mortes, entre as quais a de 300 mil soldados norte-americanos que foram à guerra combater o nazismo e o fascismo.
Com seu poder multiplicado pelos artefatos de guerra e o espírito narcisista que lhe é peculiar, a possível doença de Trump acende um sinal vermelho para os terráqueos indistintamente. E mostra o quão vulneráveis são as nações quando a população identifica traços de loucura antes dos médicos e os elege para conduzir os destinos de todos nós.
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