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terça-feira, 10 fevereiro, 2026
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‘Seguimos sendo assassinados’ — Brasil de Fato

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Mesmo diante das reformas e avanços conquistados durante o governo de Gustavo Petro, comunidades indígenas, camponesas, afrocolombianas e setores populares urbanos permanecem mobilizadas em diversas regiões da Colômbia. Os protestos ocorrem diante de um cenário que, segundo os organizadores, continua marcado por violações de direitos humanos, violência paramilitar, abandono estatal e descumprimento de acordos históricos.

Desde a quarta-feira (15), manifestantes ocupam ministérios e órgãos públicos em Bogotá, onde foram organizados ao menos nove pontos de “refúgio humanitário”, entre eles o Ministério do Interior, o Ministério da Habitação e a Agência Nacional de Terras. As ações fazem parte da jornada nacional de mobilização intitulada Aquí en la lucha por la vida, las transformaciones y la dignidad de los pueblos, com articulação entre campo e cidade.

Segundo Sônia López, porta-voz do Congreso de los Pueblos, o objetivo da mobilização é “propor uma agenda ao país”, a partir da articulação de diferentes setores da classe popular. Estão envolvidos processos indígenas como os povos Nasa, Embera Chamí, Embera Dóbida e Guanan, além de estudantes, trabalhadoras, mulheres e sindicatos.

“Reivindicamos a mobilização social como um exercício autônomo dos povos”, afirmou a dirigente. “Historicamente, as elites nos têm arrancado até as mínimas garantias para viver e permanecer nos territórios.”

Protesto na sede do Ministério de Habitação, em Bogotá (Foto: Divulgação/Congreso de los Pueblos)

Crise humanitária e militarização são eixos da denúncia

A plataforma de mobilizações denuncia o agravamento da crise humanitária nos territórios. Entre os principais pontos levantados pelas organizações estão o assassinato sistemático de lideranças populares, o deslocamento forçado e a impunidade diante da violência. A repressão, segundo os movimentos, persiste mesmo sob o governo Petro.

De acordo com Sônia López, “a cifra de assassinatos de líderes sociais segue sendo exagerada” e os deslocamentos continuam acontecendo diariamente. “Seguimos sendo perseguidos e deslegitimados por meio da doutrina de segurança nacional, que nos trata como inimigo interno”, apontou.

Dados do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e a Paz (Indepaz) mostram que entre 2016 e 2024 foram assassinados quase 2 mil líderes sociais. Somente em 2023, o Indepaz registrou 188 homicídios, enquanto em 2024 foram 173. Até agosto de 2025, já são mais de 100 casos.

O Indepaz mantém um painel atualizado com os últimos casos de violência, gráficos e balanços da última década. Segundo esses dados, 270 líderes camponeses, 104 líderes negros, 356 indígenas, 94 sindicalistas, 28 ambientalistas e 144 políticos foram mortos desde 2016. Os números mais altos da série foram registrados entre 2018 e 2020, com picos de mais de 250 assassinatos por ano, durante o governo de extrema direita de Iván Duque.

O desmonte do paramilitarismo e da doutrina de segurança nacional são demandas centrais das manifestações. A porta-voz ressalta que essa política, herdada de governos anteriores, “foi imposta como estratégia imperialista”, permitindo que toda pessoa ou organização que questione a ordem vigente seja criminalizada.

A denúncia das comunidades inclui também o papel das corporações nacionais e estrangeiras nos territórios. Segundo os movimentos, projetos de caráter extrativista, agroindustrial, de turismo e infraestrutura têm impulsionado a violência e o deslocamento forçado.

“Os territórios continuam sendo alvo do capital transnacional. O paramilitarismo serve para aterrorizar e abrir caminho para esses projetos de acumulação”, criticou López.

As demandas não são exclusivas das áreas rurais. Em Bogotá, setores empobrecidos e moradores das periferias exigem uma Reforma Urbana Popular, que garanta acesso a moradia digna, transporte, saúde, educação e trabalho. Segundo os organizadores, os espaços de interlocução com o governo foram esgotados, sem que houvesse respostas concretas.

A mobilização nacional ocorre de forma coordenada com bloqueios e manifestações em diferentes regiões do país. Entre os pontos mais ativos estão La Delfina, em Buenaventura (Valle del Cauca); a via Quibdó–Medellín, no Chocó; Rosas, no Cauca; Tame, em Arauca; e a planta Gibraltar, no município de Toledo, Norte de Santander. A Rota do Sol, no centro do país, e Mutatá, em Antioquia, também estão entre os focos da resistência.

Para os movimentos populares, as manifestações não buscam uma negociação pontual com o Estado, mas, sim, a construção de uma nova agenda nacional. A proposta, segundo a porta-voz do Congreso de los Pueblos, é “gerar uma alternativa diferente ao modo de produção que nos tem submetido como povo colombiano”.

“Queremos uma paz que vá além do silêncio das armas. Que supere as causas estruturais do conflito armado e inclua a participação dos territórios”, concluiu.

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Fonte: Brasil de Fato

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