A consagração de uma campeã em casa
Rayssa Leal, duas vezes medalhista olímpica e um dos maiores nomes do skate mundial, venceu neste domingo o STU Pro Tour Rio, realizado na Praça do Ó, na Barra da Tijuca. Aos 17 anos, a maranhense garantiu mais um capítulo marcante em sua trajetória ao conquistar, com 75.69 pontos, seu quinto título na etapa carioca da competição. O pódio foi completado pela australiana Chloe Covell, com 70.55, e pela holandesa Keet Oldenbeuving, com 58.78.
A final reuniu, além das três medalhistas, as brasileiras Gabriela Mazetto, Maria Lucia e Isabelly Avila, que também disputaram manobra a manobra em uma manhã marcada por técnica, emoção e, inesperadamente, chuva fina.
Logo após assegurar o título, Rayssa celebrou com entusiasmo: “Tô feliz demais, emoção muito grande, emoção estar em casa, no Brasil. Acertei minhas voltas, estou muito feliz. A vontade de vencer nunca passa. A gente vai pro Super Crown mais forte ainda”, afirmou, projetando o próximo desafio, programado para 7 de dezembro.
Domínio desde a primeira volta
A disputa começou acirrada. Chloe Covell, de apenas 15 anos e finalista olímpica em Paris 2024, abriu a competição com uma nota expressiva de 70.55, colocando pressão sobre as demais participantes e elevando o nível logo no início. A australiana mostrou consistência técnica e velocidade, forçando cada skatista a buscar o limite.
Mas Rayssa fechou a primeira rodada com excelência. Última a entrar na pista, a brasileira encaixou manobras de alta dificuldade, fluidez e precisão, alcançando 75.69 e assumindo a liderança. Somente as duas atletas foram perfeitas na apresentação inicial, deixando claro que a disputa pelo ouro ficaria entre elas.
Gabi Mazetto, Maria Lucia e Isabelly Avila também completaram suas voltas, mas com pequenos erros que comprometeram a pontuação. Keet Oldenbeuving, experiente no circuito, consolidou 55.23, iniciando a rodada na terceira posição.
A chuva que mudou o ritmo da competição
A partir da segunda volta, o clima virou protagonista. Quando Chloe Covell iniciou sua apresentação, uma chuva fraca começou a cair sobre a Praça do Ó. Mesmo assim, a australiana continuou, mas errou na última manobra, recebendo 66.49 — insuficiente para retomar a liderança.
Na sequência, Maria Lucia e Isabelly Avila também enfrentaram problemas e não melhoraram seus desempenhos. Gabriela Mazetto se recuperou, elevou sua nota e passou a ameaçar a terceira colocação da holandesa, que mantinha 58.78.
Fechando a segunda rodada, Rayssa tentou ampliar sua liderança, mas caiu em uma das manobras e permaneceu com a pontuação inicial.
Com o piso cada vez mais úmido, a organização decidiu suspender temporariamente a final. Funcionários entraram na pista com rodos e toalhas, trabalhando intensamente para garantir a segurança das atletas e permitir que a decisão seguisse com condições adequadas.
A volta decisiva e o desfecho emocionante
Após alguns minutos de interrupção, a pista foi liberada novamente. No retorno, porém, Chloe Covell sofreu duas quedas importantes e, visivelmente emocional, deixou a área de competição chorando. Desse modo, perdeu as chances de recuperação e viu o título escapar definitivamente.
Keet Oldenbeuving, por sua vez, apostou em uma volta mais conservadora, garantindo manutenção na terceira posição. As brasileiras que estavam fora do pódio tentaram se aproximar, mas a combinação de nervosismo com pista ainda um pouco úmida dificultou o rendimento.
Quando chegou a vez de Rayssa realizar sua última apresentação, a maranhense já estava matematicamente garantida na primeira colocação. Mesmo assim, ela entrou na pista para completar a volta final diante de uma plateia que vibrava a cada movimento. A queda no final não comprometeu o resultado, e a campeã saiu ovacionada pelo público.
A força de competir em casa
Vencer no Rio de Janeiro tem simbolismo especial para Rayssa. A etapa carioca do STU é uma das mais tradicionais do skate brasileiro e foi palco de diversos momentos marcantes da carreira da atleta. Aos 17 anos, ela já soma cinco títulos no evento e mantém uma relação afetuosa com a torcida.
Neste domingo, cada manobra bem-sucedida foi acompanhada por gritos e aplausos intensos. O Brasil tem se tornado referência mundial no skate street feminino, e o carinho do público é uma demonstração da admiração pela evolução da modalidade no país.
Além disso, a conquista reforça a consistência da skatista no ano pré-olímpico, já que o STU Pro Tour integra o calendário internacional e serve de termômetro para o desempenho rumo a grandes competições.
O caminho até o Super Crown
O calendário de Rayssa não para por aqui. A brasileira citou, após vencer o STU Rio, que já está focada no Super Crown, marcado para 7 de dezembro. O evento é considerado o encerramento da elite do street mundial, reunindo as principais skatistas do circuito.
A declaração da brasileira reflete seu espírito competitivo e sua maturidade, apesar da pouca idade. “A vontade de vencer nunca passa”, disse a atleta, reforçando o compromisso com a evolução técnica e com a busca por títulos cada vez mais expressivos.
Chloe Covell, mesmo ficando com a prata no Rio, permanece como uma das principais rivais de Rayssa no cenário internacional. A australiana é conhecida pela consistência em manobras de alto grau de dificuldade e deve chegar ao Super Crown como uma das favoritas ao pódio.
Já a holandesa Keet Oldenbeuving, que completou o pódio no Rio, segue em ascensão na modalidade e tem sido presença constante nas fases finais das competições mais importantes.
O protagonismo brasileiro no circuito feminino
A presença de quatro brasileiras entre as seis finalistas reforça a força do skate feminino nacional. Gabriela Mazetto, Maria Lucia e Isabelly Avila seguem construindo suas trajetórias no esporte e se consolidando no cenário internacional.
A evolução técnica das brasileiras tem sido reconhecida mundialmente, e a presença constante em finais de eventos globais demonstra o potencial do país de formar novas referências, seguindo o caminho aberto por nomes como Raicca Ventura, Pâmela Rosa e naturalmente Rayssa Leal.
O impacto da vitória para a nova geração
A vitória de Rayssa inspira jovens skatistas em todo o país. Sua imagem, carismática e competitiva, tornou-se símbolo de superação e leveza dentro de um esporte que valoriza autenticidade e criatividade.
Além disso, a atleta equilibra maturidade técnica com a espontaneidade que conquistou o público ainda na infância. Ela representa não apenas um talento esportivo, mas também um fenômeno cultural que transcende pistas e rankings.
Com apenas 17 anos, Rayssa já acumula feitos históricos, como medalhas olímpicas, títulos internacionais e reconhecimento global. Cada nova conquista fortalece ainda mais seu legado e reafirma sua posição entre as maiores skatistas de todos os tempos.
O pentacampeonato e a construção de um legado
Conquistar cinco títulos na mesma etapa não é apenas uma marca estatística: é símbolo de domínio absoluto, regularidade e excelência. O STU Rio, por sua tradição e representatividade no circuito, torna essa conquista ainda mais relevante.
A maranhense segue ampliando seu currículo em um ritmo impressionante, e a sensação é de que, mesmo diante de tantas vitórias, seu auge ainda está por vir.
Se o futuro do skate feminino global já tinha um nome, ele agora se reafirma a cada competição: Rayssa Leal.



