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terça-feira, 17 fevereiro, 2026
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Planalto adia decisão sobre PL da Devastação às vésperas do prazo final

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Faltando menos de 24 horas para fim do prazo legal, o Palácio do Planalto ainda não bateu o martelo sobre o projeto de lei (PL) que flexibiliza as regras de licenciamento ambiental no Brasil. A decisão precisa ser tomada até esta sexta-feira (8), mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue em consulta com a equipe ministerial.

Na quarta-feira (6), Lula reuniu-se com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, além de outros nomes de peso do governo, como o ministro da Casa Civil, Rui Costa, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann,  e o advogado-geral da União, Jorge Messias. Mesmo após a conversa, não houve definição.

A expectativa é de que novos encontros ocorram nesta quinta-feira para tentar fechar uma posição. No entanto, até o início da manhã, interlocutores do governo evitavam antecipar qualquer inclinação sobre o veto total, parcial ou sanção do texto. Entretanto, a previsão é de que haja um veto amplo, mas não integral.

Críticas PL da devastação

Apelidado por ambientalistas de “PL da devastação”, o projeto tramitava há mais de 20 anos no Congresso e ganhou força neste ano. A proposta aprovada pelos parlamentares prevê uma série de mudanças na atual política de licenciamento ambiental, que podem flexibilizar os mecanismos de proteção ambiental.

Entidades socioambientais alertam que o projeto enfraquece instrumentos básicos de controle ambiental e pode abrir brechas para obras e empreendimentos com potencial de dano significativo sem avaliação adequada. Segundo técnicos e ONGs, a proposta coloca em risco áreas protegidas e compromete compromissos internacionais do Brasil na área climática.

O Ministério do Meio Ambiente, comandado por Marina Silva, é contra o texto aprovado pelo Congresso. Já pastas como Agricultura e Minas e Energia são favoráveis. Deputados da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), que apoiam o projeto, afirmam que a proposta desburocratiza a concessão de licenças e estimula o desenvolvimento econômico.

Na semana passada, Marina afirmou que o governo já traça estratégias para o “pós-veto”, diante da possibilidade de o Congresso Nacional derrubar uma eventual decisão de Lula. A ministra indicou que o Executivo considera apresentar um novo projeto de lei ou uma medida provisória para “colocar algo no lugar”.

Planalto adia decisão sobre PL da Devastação às vésperas do prazo final

Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

O que muda?

O texto, aprovado pela Câmara por 267 votos a 116, estabelece uma série de mudanças que flexibilizam o licenciamento ambiental no país. Entenda os principais pontos:

  • Criação de uma nova licença especial: permite a autorização acelerada de obras e empreendimentos considerados estratégicos pelo governo federal, mesmo que causem impactos ambientais significativos;

 

  • Dispensa de licença para várias atividades: o licenciamento ambiental deixa de ser exigido para a ampliação de estradas e para atividades agropecuárias. A dispensa vale também para sistemas e estações de tratamento de água e esgoto até que o país atinja as metas de universalização do saneamento básico. Pequenas barragens de irrigação destinadas ao abastecimento de municípios ou à criação de animais também ficam liberadas. Apenas aterros sanitários seguem exigindo licença;

 

  • Renovação automática: a renovação da licença ambiental passa a ser feita automaticamente, via autodeclaração do empreendedor via internet, desde que não haja mudança no porte da atividade nem nas regras ambientais vigentes;

 

  • Autodeclaração nacionalizada: a chamada “licença por adesão e compromisso”, já adotada por alguns estados, é estendida nacionalmente. Ela permite que projetos de médio porte e potencial poluidor sejam aprovados automaticamente após o envio da documentação;

 

  • Redução do poder do Conama e do Ibama: o projeto exclui a exigência de aplicação das normas do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) para atividades de mineração de grande porte ou alto risco. A competência passa para os estados. Além disso, o corte de vegetação na Mata Atlântica deixa de precisar de aval federal, no caso do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama),  e a autorização será dada apenas por estados e municípios;

 

  • Impacto sobre comunidades tradicionais: o texto ignora terras de comunidades tradicionais ainda não tituladas na análise de pedidos de licença. Só áreas homologadas de povos indígenas e territórios quilombolas oficializados serão consideradas;

 

  • Lei da Mata Atlântica: o projeto anula dois trechos da lei, que restringem a derrubada de matas primárias e secundárias do bioma.



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