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quarta-feira, 18 fevereiro, 2026
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Petróleo no centro da disputa; entenda por que os EUA apertam o cerco à Venezuela

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O bloqueio total a petroleiros ligados a alvos de sanções, anunciado pelos Estados Unidos na terça-feira (16), marca mais um capítulo da escalada de tensões entre Washington e Caracas. Embora o discurso oficial aponte o combate ao narcotráfico e a atividades ilegais, o petróleo aparece como peça-chave por trás desse embate, que se intensificou nas últimas semanas.

A Venezuela concentra cerca de 17% das reservas mundiais conhecidas de petróleo, o equivalente a mais de 300 bilhões de barris — volume quase quatro vezes superior ao dos Estados Unidos, segundo estimativas de organismos internacionais do setor. Em um momento de rearranjo do mercado global de energia, o acesso a essas reservas ganha peso estratégico.

Com aproximadamente 303 bilhões de barris em reservas comprovadas, a Venezuela lidera o ranking global, à frente de países como Arábia Saudita e Irã. O potencial, porém, contrasta com a realidade: grande parte do petróleo venezuelano é extrapesado, o que exige tecnologia avançada e investimentos elevados para extração — algo limitado por anos de sanções e pela precariedade da infraestrutura.

A produção do país ilustra essa dificuldade. Após atingir um pico de 3,7 milhões de barris por dia em 1970, a extração despencou nas décadas seguintes, chegando a 665 mil barris diários em 2021. Houve leve recuperação recente, com produção próxima de 1 milhão de barris por dia, ainda assim menos de 1% do total mundial.

Uma economia moldada pelo petróleo

O petróleo definiu o rumo da economia venezuelana ao longo do século 20. As grandes descobertas nas décadas de 1920 e 1930 transformaram o país em potência energética e levaram à criação da OPEP, em 1960. Em 1976, a indústria foi nacionalizada com a criação da PDVSA, consolidando o controle estatal sobre o setor.

Nas décadas seguintes, sobretudo durante os governos de Hugo Chávez, a renda do petróleo financiou programas sociais. Entre 1998 e 2019, mais de 90% das exportações do país vinham do petróleo. Quando a produção caiu e as sanções se intensificaram, a crise econômica se aprofundou.

O colapso das receitas ajudou a impulsionar a hiperinflação. Em 2019, os preços dispararam mais de 340 mil por cento em um único ano, corroendo o poder de compra da população.

Sanções, PDVSA e a relação com os EUA

A ligação entre Estados Unidos e petróleo venezuelano é antiga. Desde os anos 1920, empresas americanas tiveram presença relevante no país. Com o avanço das sanções, essa atuação praticamente desapareceu. Hoje, a Chevron é a única companhia dos EUA operando na Venezuela, graças a autorizações específicas de Washington.

A PDVSA, antes principal fonte de dólares do país, sofreu cortes orçamentários, perdeu capacidade de manutenção e investimento e viu sua produção despencar. Um ponto de inflexão ocorreu em 2002, quando uma greve paralisou a estatal por quase dois meses e resultou na demissão de cerca de 20 mil funcionários, alterando profundamente sua estrutura.

Mesmo com dificuldades, o petróleo segue sendo o pilar econômico da Venezuela. Em 2024, a PDVSA faturou cerca de US$ 17,5 bilhões com exportações, com produção média pouco acima de 800 mil barris por dia.

O petróleo venezuelano é considerado estratégico para os Estados Unidos por sua compatibilidade com refinarias da Costa do Golfo, o que reforça o interesse econômico por trás da pressão política. Antes das sanções mais duras, em 2019, os EUA eram os principais compradores. Depois disso, a Venezuela passou a direcionar grande parte das exportações para a China, em acordos que misturam petróleo e financiamento — ampliando a disputa geopolítica.

Impactos na economia venezuelana

As exportações de petróleo continuam determinantes para o desempenho econômico do país. Em 2024, cerca de 58% da receita da PDVSA veio do petróleo. Desse total, uma parcela significativa foi destinada ao Tesouro venezuelano na forma de impostos e royalties.

Dados oficiais indicam que a economia venezuelana cresceu nos últimos trimestres, impulsionada principalmente pelo setor de hidrocarbonetos, que avançou em ritmo bem superior ao restante da atividade econômica.

Ainda assim, a dependência do petróleo cobra seu preço. Estimativas indicam que as sanções lideradas pelos EUA provocaram perdas superiores a US$ 200 bilhões em receitas petrolíferas entre 2017 e 2024 — valor que supera o próprio PIB atual do país.

Apesar de deter uma das maiores riquezas naturais do planeta, a Venezuela segue como uma das economias menores da América Latina, com seu futuro fortemente condicionado ao petróleo e às tensões geopolíticas que o cercam.



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