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segunda-feira, 6 julho, 2026
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Eduardo Bolsonaro atua nos bastidores da campanha de Flávio

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Por Cleber Lourenço

A presença de Eduardo Bolsonaro ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), em Washington, reforça um papel que, embora não seja formalizado pela campanha, vem sendo exercido nos bastidores da pré-campanha presidencial do senador: o de principal articulador político do projeto eleitoral.

Eduardo acompanhará Flávio em uma das agendas internacionais mais relevantes da pré-campanha, dedicada ao debate sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A participação ocorre em um momento em que o senador tenta convencer autoridades norte-americanas a adiarem a entrada em vigor das sobretaxas. A informação foi dada pelo Metrópoles e confirmada pelo ICL Notícias.

Como revelou o ICL Notícias, integrantes do entorno político de Flávio descrevem Eduardo como o principal coordenador informal da campanha. Segundo interlocutores ouvidos pela reportagem, decisões estratégicas passam pelo filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, incluindo discussões sobre a formação de um eventual governo, interlocução com aliados e articulação política junto a diferentes setores.

Esse protagonismo também ficou evidente em outras movimentações recentes. A ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques, por exemplo, esteve nos Estados Unidos para compromissos ao lado de Eduardo, encontro interpretado por interlocutores como parte das articulações em torno da campanha presidencial de Flávio.

A nova agenda em Washington reforça essa dinâmica. Embora não ocupe qualquer função oficialmente anunciada na pré-campanha, Eduardo segue acompanhando Flávio nos compromissos considerados estratégicos, especialmente aqueles relacionados à articulação internacional do grupo político.

Na terça-feira (7), Flávio participará do primeiro painel da audiência organizada pelo USTR ao lado de representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI), da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) e de entidades empresariais norte-americanas. O senador defenderá o adiamento das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Na semana passada, Flávio encaminhou uma carta ao governo norte-americano solicitando que as sobretaxas fossem suspensas ao menos até a realização das eleições brasileiras. No documento, argumentou que a medida poderia fortalecer politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ampliar a influência econômica da China sobre o Brasil.

A reportagem questionou o coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, Fábio Portela, sobre qual é o papel exercido por Eduardo Bolsonaro na campanha e o que justifica sua presença na audiência pública promovida pelo governo norte-americano, uma vez que ele não ocupa cargo formal na estrutura da pré-campanha. Até a publicação desta reportagem, não houve resposta. A assessoria de Flávio Bolsonaro também foi procurada, mas não se manifestou.

Da pressão por sanções ao pedido para adiar tarifas

A audiência desta semana é mais um capítulo da atuação internacional conduzida por Eduardo e Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos. Nos últimos meses, os dois intensificaram agendas com parlamentares republicanos, representantes do governo norte-americano e integrantes do movimento conservador em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Nesse período, Eduardo tornou-se o principal interlocutor da família Bolsonaro junto a setores da direita norte-americana. Em diferentes ocasiões, defendeu a adoção de sanções contra autoridades brasileiras, passou a articular a aplicação da Lei Magnitsky contra integrantes do Supremo Tribunal Federal e buscou ampliar a pressão internacional sobre o Judiciário brasileiro em meio ao avanço dos processos envolvendo o ex-presidente.

Agora, a estratégia passou por uma inflexão. Em vez de concentrar os esforços na defesa de novas sanções contra autoridades brasileiras, Flávio Bolsonaro passou a pedir ao governo dos Estados Unidos o adiamento das tarifas impostas aos produtos brasileiros. Na carta enviada às autoridades norte-americanas, o senador sustentou que a medida poderia beneficiar eleitoralmente o presidente Lula caso entrasse em vigor antes da eleição.

A mudança de discurso ocorre após meses em que a atuação internacional da família Bolsonaro esteve diretamente associada às tentativas de pressionar autoridades brasileiras e influenciar o cenário político em torno da situação judicial de Jair Bolsonaro.

Ainda que a narrativa pública tenha migrado para os impactos econômicos das tarifas, a presença de Eduardo ao lado de Flávio em mais uma agenda de alto impacto reforça que ele continua exercendo papel central na condução da estratégia internacional e política da pré-campanha presidencial do senador.





ICL Notícias

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