A Petrobras anunciou o aumento da oferta de gasolina e diesel para entrega em abril, em resposta a alertas de distribuidoras sobre o risco de falta de combustíveis no país. A decisão ocorre em um contexto de alta recente nos preços do petróleo no mercado internacional, que tem pressionado toda a cadeia de abastecimento.
Segundo a estatal, foram adicionados 70 milhões de litros de diesel S10 — de menor teor de enxofre e amplamente utilizado em veículos pesados e mais modernos — e 95 milhões de litros de gasolina. Em nota, a empresa afirmou que os volumes já estão incorporados aos compromissos comerciais previstos para o período.
A ampliação da oferta ocorre após notificação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que solicitou à Petrobras a disponibilização imediata de volumes que haviam sido retirados de leilões anteriores.
Embora a agência reguladora afirme não haver indícios de desabastecimento no país, a diretoria aprovou medidas para intensificar o monitoramento do setor. O objetivo é acompanhar mais de perto os níveis de estoques e o volume de importações, diante das incertezas do cenário internacional.
Entre as ações adotadas, está a determinação para que a estatal coloque à venda combustíveis originalmente previstos em leilões de março que foram cancelados.
Setor pressiona por novas medidas
Antes da decisão, entidades representativas de toda a cadeia de combustíveis divulgaram uma nota conjunta pedindo ações adicionais ao governo federal para reduzir o risco de escassez, especialmente de diesel.
O documento reúne associações que representam postos, distribuidoras, importadores e refinarias privadas. As entidades reconhecem iniciativas recentes do governo, mas avaliam que seu impacto sobre o preço final ao consumidor ainda é limitado.
Entre as medidas anunciadas está a isenção de impostos federais e a concessão de subsídios para produtores e importadores de diesel, com custo estimado de R$ 30 bilhões. A expectativa é reduzir o preço em cerca de R$ 0,64 por litro nos postos.
Diferença entre diesel “A” e “B” limita efeito
Segundo o setor, parte da dificuldade em reduzir preços está na estrutura do produto comercializado. As medidas do governo incidem sobre o diesel “A”, vendido pela Petrobras às distribuidoras, enquanto o consumidor final compra o diesel “B”, que contém 15% de biodiesel.
Essa composição faz com que os benefícios não sejam integralmente repassados ao preço final. De acordo com cálculos das entidades, um aumento de R$ 0,38 por litro no diesel “A” resulta em impacto de cerca de R$ 0,32 por litro no diesel “B”.
Dependência externa e riscos de mercado
As associações também destacam que parte relevante do abastecimento nacional depende de refinarias privadas e importadores, que seguem as cotações internacionais para definir preços.
Nesse contexto, avaliam que o cenário pode se tornar mais desafiador caso a Petrobras mantenha preços abaixo das referências globais e limite a oferta adicional de combustíveis.
A combinação de menor disponibilidade interna e dificuldades de importação poderia intensificar a pressão sobre os preços e elevar o risco de desabastecimento.



