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quarta-feira, 11 fevereiro, 2026
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PESQUISA: Maioria dos jovens brasileiros prefere tentar empreender a ser empregado

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De jovens recém-formados na escola até aqueles beirando os 30 anos, o emprego dos sonhos não é um cargo no funcionalismo público ou uma carteira assinada: para 57% dos entrevistados na pesquisa na faixa etária dos 16 aos 29 anos, a carreira ideal é ter seu próprio negócio, uma forma de buscar lucro e independência, mesmo que isso signifique assumir riscos.

Esse é um dos resultados da pesquisa nacional de opinião pública encomendada pelo ICL e realizada pela Ágora Consultores, que ouviu quase 10 mil pessoas das diferentes classes sociais. O levantamento foi realizado entre 17 e 23 de novembro de 2025 para conhecer o pensamento do brasileiro. As conclusões do trabalho estão sendo publicadas em primeira mão pela Revista Liberta.

O desejo de abrir a própria empresa é mais comum entre os homens (51%) e aqueles que completaram apenas o ensino fundamental (49%). Pessoas pretas e pardas também são maioria entre os que preferem ter seu próprio negócio. A maioria dos sonhadores do “CEO próprio” se considera de direita ou centro-direita.

Para Diego Villanueva, da Ágora, consultoria que fez a pesquisa, quando se trata de trabalho, a imagem que venceu entre os jovens é a do influenciador digital. “Os cases de sucesso são pessoas que trabalham com redes sociais, ficam milionárias e trabalham apenas duas horas por dia”, exemplifica.

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Mesmo que, na realidade distante das redes sociais, empreender exija longas horas de trabalho e, muitas vezes, acumular mais de uma função, esta parece ser a única opção possível para muitos brasileiros. Para os jovens, empregos em cargos públicos ou mesmo vagas CLT soam como possibilidades remotas. Ser empresário é uma maneira de “não ser uma marionete” do empregador, ter mérito e realização, além de ajudar a família e viver bem. Valores como liberdade e independência são colocados como opostos à CLT, que leva à dependência do empregador e vem junto de uma alta carga de impostos.Para Villanueva, outro fator que influencia a opção pelo empreendedorismo é a desconexão com o sindicalismo e os demais movimentos de trabalhadores. Vencem ideias individualistas e que prezam por soluções imediatas, lógicas que guiam também outros resultados da pesquisa. “Tenho a hipótese de que, se fossem perguntadas o que querem para o futuro dos filhos, a maior parte das pessoas diria um emprego estável. Mas empreender é o que consigo fazer agora, é o que vejo meu vizinho fazendo. Serve como um case de sucesso mais real”, pontua Villanueva.

A influência das redes sociais também aparece como hipótese quando as faixas etárias são analisadas: o sonho do negócio próprio predomina entre quem tem de 16 a 29 anos, com 57% das respostas; segue entre brasileiros de 30 a 44 anos, com 48%; mas começa a diminuir a partir dos 45 a 59 anos, com um percentual de 36%. Ou seja, o emprego estável volta a ser o preferido entre os adultos mais velhos e idosos.

O empreendedorismo pode ser enxergado ainda como uma vitória discursiva de campos da direita, que mobilizam ideias como o individualismo, a meritocracia e a busca pelas próprias oportunidades (sem ajuda do governo). Entre os entrevistados que se identificam com a centro-direita, 66% preferem empreender. Mais da metade (54%) dos que se consideram de direita concorda. A identificação com esse discurso empreendedor diminui nos campos de esquerda, pontuando 19% na centro-esquerda e 34% na esquerda.

Já os brasileiros que preferem ter um emprego estável com direitos e benefícios, ilustrado como um cargo no setor público, somam 31%. As mulheres são maioria, assim como aquelas pessoas com ensino superior completo. O sonho da nomeação em um concurso público com garantia de um bom salário também é mais comum entre quem já ganha mais de R$ 5 mil ao mês.

Na parte qualitativa da pesquisa, aparece a ideia de um equilíbrio entre ganhar um bom salário e não assumir riscos. A família também surge como prioridade na busca do emprego estável. A perspectiva de lidar com dívidas e inseguranças afasta esses brasileiros da opção de empreender. Os altos impostos – vistos por quem prefere empreender como uma característica da CLT – trocam de lado e são considerados um empecilho para ter a própria empresa. O setor público é imaginado como uma oportunidade que garante segurança financeira. Os 31% dos brasileiros que sonham em ser concursados consideram que o trabalho duro pode ser recompensado com estabilidade, salário digno e uma fuga do mercado privado que leva à informalidade.

Em menor número, mas também em busca de estabilidade, 11% dos entrevistados preferiram a opção “trabalhar para alguém que me pague bem, sem precisar correr os riscos do negócio”. A alternativa para quem quer um emprego CLT bem pago predomina entre mulheres e pessoas na faixa etária entre 45 e 59 anos. A estabilidade e a tranquilidade são citadas como principais benefícios desta opção. Não ter perfil para empreender ou já ter tido um negócio próprio que não deu certo são algumas das justificativas dadas pelos entrevistados. Ter uma empresa apresenta riscos excessivos, que não se traduzem em valorização e bons salários.

Já uma minoria de 6% dos brasileiros prefere correr atrás dos seus objetivos, mesmo em um cenário adverso, e escolheu a opção “ter um trabalho que me realize, mesmo que pague mal”. No recorte de idade, os maiores de 70 anos chegaram a 14% nesta alternativa. Outros 9% não souberam responder.

O estudo consiste em uma pesquisa de opinião pública cujo universo abrange pessoas com 16 anos ou mais na República Federativa do Brasil, realizada por meio do Painel on-line da Ágora Consultores. Foi adotado um desenho amostral estratificado por Unidade da Federação (UF/Estado), com cotas populacionais conforme dados censitários e aplicação de cotas cruzadas por sexo, faixa etária e zona/área, assegurando consistência e equilíbrio na composição amostral. A amostra totalizou 9.497 entrevistas efetivas, com nível de confiança de 95% e margem de erro amostral de ±1,0 p.p. para distribuições simétricas. Como etapa adicional de robustez, a base foi ponderada e calibrada por sexo, idade, escolaridade e áreas, e submetida a procedimentos de controle de qualidade e consistência, incluindo validações de respostas, identificação de duplicidades, checagens de coerência interna e análise de tempo de resposta.



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