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O Banco Central (BC) vetou, nesta quarta-feira (4), a compra do Banco Master pelo BRB, instituição controlada pelo governo do Distrito Federal. A decisão foi comunicada em fato relevante, mas sem detalhar publicamente os motivos que levaram à negativa. Apesar disso, alguns pontos ajudam a entender a posição do regulador.
Por que o BC disse não?
O principal fator de preocupação foi a carteira de CDBs emitidos pelo Master. O banco privado cresceu rapidamente nos últimos anos oferecendo títulos com rentabilidade bem acima da média do mercado. Esses papéis eram garantidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mas, por outro lado, estavam lastreados em ativos de baixa liquidez, como precatórios e participações em empresas em dificuldades financeiras.
Mesmo após ajustes na proposta, que reduziu o tamanho da operação e deixou de fora parte desses ativos, o BC avaliou que ainda havia risco de o BRB assumir responsabilidades futuras ligadas aos problemas de liquidez do Master. Outro ponto sensível foi a indefinição sobre o destino da parte do banco que ficaria fora do negócio.
Como seria a operação?
O acordo inicial, anunciado em março, previa a aquisição de 58,04% do capital do Master, incluindo 49% das ações ordinárias e 100% das preferenciais. Depois de sucessivas revisões solicitadas pelo BC, a versão final contemplava cerca de R$ 24 bilhões em ativos, metade do que havia sido desenhado no início.
Outro ajuste importante foi a saída de Daniel Vorcaro, dono do Master, do controle do futuro conglomerado.
Qual o tamanho do passivo?
Segundo o balanço de 2024, o Master tem R$ 12,4 bilhões em CDBs vencendo até o fim deste ano e um total de R$ 49,8 bilhões em CDBs e CDIs emitidos. Caso o banco tivesse problemas de solvência, o FGC — que possuía R$ 107,8 bilhões em liquidez em junho de 2024 — poderia ser acionado para ressarcir milhares de investidores com aplicações de até R$ 250 mil.
Esse cenário preocupa, pois poderia gerar efeitos em cascata no sistema financeiro.
O que dizem BRB e Banco Master?
Após a decisão, o BRB informou que pediu acesso às justificativas do BC para avaliar próximos passos. A instituição reforçou que a compra representava uma “oportunidade estratégica” e que continuará buscando formas de gerar valor para clientes, acionistas e para o sistema financeiro nacional.
Já o Banco Master declarou que também aguarda o documento oficial para avaliar alternativas, destacando confiança em sua estratégia e no desempenho que o levou a se destacar em um mercado altamente competitivo.
Pressões políticas em jogo
O Banco Central tomou uma decisão técnica e não aceitou pressão política. Na mesma semana, líderes do Centrão, em movimento liderado pelo PP, apresentaram um pedido de urgência para acelerar a votação de um projeto que daria ao Congresso o poder de destituir a cúpula do Banco Central — uma medida interpretada como tentativa de pressão.
Daniel Vorcaro, dono do Master, é apontado como figura influente nos bastidores políticos, com proximidade de dirigentes de diversos partidos.



