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terça-feira, 10 fevereiro, 2026
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Operador afastado pelo inss é preso após tombamento de guindaste que matou trabalhador no largo são sebastião

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Operador estava afastado pelo INSS e trabalhava irregularmente

A investigação conduzida pelo 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP) revelou que Antônio Benjamim, contratado apenas para aquele dia pela empresa responsável pela ornamentação natalina — prestadora de serviços à Secretaria de Cultura e Economia Criativa (SEC) — trabalhava enquanto estava afastado pelo Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) e recebendo auxílio-doença.

Segundo o delegado Marcelo Martins, responsável pelo caso, o operador não possuía condições físicas nem habilitação técnica para conduzir o guindaste utilizado na instalação da estrutura. “Como estava afastado pelo INSS, Antônio não possuía condições físicas nem habilitação adequada para exercer essa função”, afirmou o delegado.

Testemunhas registraram Benjamim fantasiado de Papai Noel no momento das operações. Vídeos que circularam nas redes sociais mostram o operador saltando da cabine segundos antes do tombamento, em uma tentativa desesperada de se salvar.

Trabalhador conhecido como Antônio Suricate morreu na queda

A vítima fatal do acidente, Antônio Paulo Rodrigues de Souza, 40 anos, conhecido como Antônio Suricate, estava sendo içado quando o guindaste tombou. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que ele sofreu edema cerebral, hemorragia craniana e traumatismo craniano decorrentes da queda.

De acordo com colegas de trabalho, Suricate era experiente nas atividades de montagem e costumava participar anualmente da ornamentação natalina da área, que recebe milhares de visitantes todos os anos. A tragédia causou comoção entre prestadores de serviço que atuam tradicionalmente na montagem da árvore.

Outra vítima permanece internada com fratura na perna

Além de Suricate, Henes Libório Ramos, 47 anos, também foi atingido durante o tombamento e sofreu fratura na perna. Ele permanece internado, e até o momento não há informações detalhadas sobre seu estado de saúde. Familiares disseram estar aguardando novos exames e avaliações médicas para entender a extensão das lesões.

Falhas graves no içamento e irregularidades na operação

As apurações do 24º DIP identificaram falhas em diferentes procedimentos relacionados ao içamento da estrutura. Segundo o delegado Marcelo Martins, o operador afirmou em depoimento que ouviu “estalos” na máquina pouco antes do tombamento. A declaração indica que o equipamento já apresentava sinais de instabilidade antes do acidente.

A Polícia Civil informou que Antônio Benjamim foi autuado em flagrante por homicídio culposo e lesão corporal. A corporação aguarda o resultado final do laudo pericial, que deve ser concluído em até 30 dias pelo Departamento de Polícia Técnico-Científica. O documento determinará as causas do acidente e apontará as responsabilidades oficiais.

CREA-AM encontrou empresa sem registro e ausência de documentos obrigatórios

Em nota, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (Crea-AM) comunicou que esteve no local no próprio domingo (23) para abrir fiscalização e apurar responsabilidades técnicas. A entidade relatou uma série de irregularidades relevantes.

Segundo o órgão, na semana anterior ao acidente a equipe de fiscalização já havia estado no Largo São Sebastião, onde identificou a atuação de uma empresa sem registro no Conselho. Um auto de infração foi lavrado na ocasião. O Crea-AM afirmou ainda que, até a sexta-feira anterior, não havia nenhuma operação de guindaste no local, apenas um caminhão-munck, também autuado conforme a legislação.

Durante a nova inspeção após o acidente, fiscais descobriram que o trabalhador presente no local não soube informar sobre a existência das Anotações de Responsabilidade Técnica (ARTs) necessárias para a operação, nem sobre o plano de rigging, documento obrigatório para atividades de içamento com guindaste.

Ao consultar o sistema SITAC, o Conselho constatou que nenhuma ART tinha sido registrada para o serviço executado no momento do acidente.

Em nota, o Crea-AM destacou:
“O Crea-AM seguirá acompanhando o caso, adotando todas as providências necessárias dentro de sua competência legal, reforçando seu compromisso com a segurança, a responsabilidade técnica e a proteção da sociedade.”

Impacto e questionamentos sobre condições de trabalho

O acidente levanta questionamentos importantes sobre os processos de contratação emergencial, fiscalização de prestadores de serviço e negligência diante de normas técnicas obrigatórias. As informações iniciais sugerem um cenário de improviso e negligência técnica, com a presença de empresa não registrada, profissional afastado pelo INSS desempenhando função de risco e ausência de documentação essencial para operação com guindaste.

Especialistas do setor afirmam que operações de içamento exigem planejamento preciso, equipamentos certificados, profissionais habilitados e documentação rigorosa. A falta de qualquer desses elementos aumenta significativamente o risco de falhas estruturais e acidentes graves, como o que ocorreu.

Próximos passos da investigação

Com a abertura oficial do inquérito, a Polícia Civil aguarda o laudo técnico que deve detalhar aspectos como:

  • condições mecânicas do guindaste;

  • análise estrutural da plataforma e do solo;

  • peso e distribuição da carga içada;

  • procedimentos adotados pela equipe;

  • possíveis falhas humanas;

  • documentação exigida para a operação.

Somente após a conclusão do laudo será possível determinar de forma definitiva os responsáveis técnicos, civis e criminais pelo acidente que resultou na morte de Antônio Suricate e deixou outra vítima gravemente ferida.

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