A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (18), a Operação ‘Rastreio’, que resultou na prisão de funcionários e ex-funcionários do Terminal de Cargas do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus. A ação ocorreu simultaneamente no Amazonas e em outros 14 estados brasileiros, com o objetivo de combater o tráfico de drogas e armas, além da atuação de facções criminosas e crimes como lavagem de dinheiro. As investigações tiveram início após a prisão em flagrante de um funcionário da empresa aérea de cargas Gollog, em maio de 2025, transportando 97 quilos de maconha do tipo skunk.
Investigação começou com flagrante de droga
O ponto de partida da operação remonta a maio de 2025, quando um funcionário da empresa Gollog foi preso em flagrante ao tentar despachar uma grande quantidade de entorpecentes. De acordo com informações obtidas pelo g1, o suspeito carregava 97 quilos de skunk — uma variação mais potente da maconha — escondidos em uma carga que seria enviada para o Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.
A apreensão ocorreu após uma inspeção realizada pela Receita Federal, que identificou irregularidades no material transportado. Com o apoio da Equipe K9, especializada no uso de cães farejadores, os agentes localizaram uma caixa contendo 90 tabletes da droga.
“O trabalho integrado foi essencial para identificar a carga suspeita e impedir que o material chegasse ao destino final”, informou uma fonte ligada à investigação.
Após o flagrante, o homem e a droga foram encaminhados à Polícia Federal, que passou a aprofundar as investigações para identificar outros envolvidos no esquema.
Esquema envolvia funcionários do terminal de cargas
As apurações revelaram que o esquema criminoso contava com a participação direta de funcionários e ex-funcionários do terminal de cargas do aeroporto de Manaus. Segundo a Polícia Federal, o grupo utilizava sua posição estratégica dentro da estrutura aeroportuária para facilitar o envio de drogas e possivelmente armas para outros estados do país.
A suspeita é de que os investigados atuavam manipulando cargas, burlando fiscalizações e garantindo que os entorpecentes fossem despachados sem levantar suspeitas. Esse tipo de atuação é considerado especialmente grave pelas autoridades, já que compromete a segurança de um dos principais pontos logísticos da região Norte.
Além disso, há indícios de ligação com facções criminosas que operam em âmbito nacional, o que ampliou o alcance da investigação e justificou a realização da operação em diversos estados.
Operação mobiliza forças de segurança em todo o país
A Operação ‘Rastreio’ foi realizada pelas Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs), que reúnem diferentes órgãos de segurança pública. Além da Polícia Federal, participaram da ação as polícias civis, militares e penais, bem como a Polícia Rodoviária Federal e secretarias estaduais de segurança.
A atuação conjunta é uma estratégia adotada para enfrentar organizações criminosas que atuam de forma articulada em diferentes regiões do país. Segundo a Polícia Federal, a integração entre os órgãos foi fundamental para o cumprimento simultâneo de mandados e para o avanço das investigações.
“A cooperação entre as forças de segurança permite uma resposta mais rápida e eficaz contra o crime organizado”, destacou a corporação em nota.
Prisões e desdobramentos
Durante a operação desta quarta-feira, ao menos cinco pessoas foram presas — incluindo o funcionário flagrado anteriormente e outros quatro suspeitos identificados ao longo da investigação.
As autoridades não divulgaram todos os detalhes sobre os detidos, mas confirmaram que eles têm ligação direta com o esquema de envio de drogas a partir do aeroporto de Manaus. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em diversos estados, com o objetivo de coletar provas adicionais.
Os investigados poderão responder por crimes como tráfico de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro. As penas, somadas, podem ultrapassar 30 anos de prisão.
Uso de aeroportos no tráfico preocupa autoridades
O caso evidencia uma preocupação crescente das autoridades brasileiras: o uso de aeroportos como rotas estratégicas para o tráfico de drogas. Devido à sua estrutura logística e grande fluxo de cargas, esses locais acabam sendo alvos de organizações criminosas que buscam expandir suas operações.
No caso específico de Manaus, a localização geográfica da cidade — próxima a rotas internacionais e regiões produtoras de drogas — torna o aeroporto um ponto sensível para esse tipo de गतिविधade criminosa.
Especialistas em segurança pública apontam que a infiltração de funcionários em esquemas ilícitos representa um desafio adicional, pois dificulta a detecção das irregularidades.
Combate ao crime organizado segue como prioridade
A Polícia Federal destacou que a Operação ‘Rastreio’ faz parte de um conjunto de ações estratégicas voltadas ao combate ao crime organizado no país. O foco é desarticular não apenas os executores diretos, mas também toda a cadeia envolvida nas atividades ilícitas.
As investigações continuam, e novas fases da operação não estão descartadas. A expectativa é que, com o avanço das apurações, outros envolvidos sejam identificados e responsabilizados.
Impacto e próximos passos
A operação representa um importante golpe contra o tráfico de drogas na região Norte e reforça a necessidade de vigilância constante em áreas estratégicas como aeroportos.
Além das prisões, o material apreendido e as informações coletadas devem contribuir para o mapeamento de rotas e métodos utilizados por organizações criminosas, permitindo ações mais eficazes no futuro.
A Polícia Federal orienta que denúncias anônimas podem ser feitas para auxiliar nas investigações, reforçando a importância da participação da sociedade no combate ao crime.



