Por Cleber Lourenço
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) se consolidou nos últimos meses como um dos principais nomes da oposição ao fim da escala 6×1 no Congresso e nas redes sociais. Em vídeos, entrevistas e publicações, o parlamentar passou a atacar diretamente propostas de redução da jornada de trabalho, classificando a medida como “populista”, “irreal” e capaz de provocar desemprego e crise econômica.
Enquanto intensificava a campanha pública contra a proposta, um levantamento da plataforma ‘De Olho em Você’ utilizando dados oficiais da Câmara dos Deputados mostrou que Nikolas participou de apenas 72 votações nominais no plenário em 2026. No mesmo período, o deputado acumulou 696 ausências em votações registradas no sistema da Casa.
Os números representam apenas 9% de participação nas sessões plenárias com votação nominal, modalidade em que o voto individual do parlamentar é registrado eletronicamente.
O tema da jornada de trabalho se tornou uma das principais frentes de atuação política do deputado neste ano. Em uma das declarações mais repercutidas sobre o assunto, Nikolas afirmou:
“Muito cuidado com essas medidas populistas.”
Em outro momento, ao criticar a proposta defendida por setores da esquerda e movimentos trabalhistas, declarou:
“A discussão é só se vai aumentar o desemprego e a informalidade.”
O deputado também ironizou a proposta ao afirmar:
“Daqui a pouco você está fazendo escala 0x0, trabalhando 0 dias e ganhando 0 reais.”
Nikolas ainda afirmou que a redução da jornada poderia provocar aumento da inflação e afetar pequenos empresários.
“Ou eles demitem funcionários ou aumentam o preço das coisas.”
Em outro vídeo divulgado nas redes sociais, o parlamentar criticou diretamente a PEC sobre o tema e afirmou que o texto teria sido “terrivelmente elaborado”.
A ofensiva do deputado contra o fim da escala 6×1 ganhou ainda mais repercussão após Nikolas defender mecanismos de compensação pública para empresas afetadas pela eventual redução da jornada.
A proposta apresentada por ele previa medidas como desoneração da folha e auxílio estatal para empresas que precisassem se adaptar às novas regras trabalhistas.
A medida passou a ser apelidada nas redes sociais de “Bolsa Empresário” ou “Bolsa Patrão”, especialmente por adversários políticos e movimentos ligados à campanha pelo fim da escala 6×1.
Nas redes, críticos passaram a apontar contradição entre o discurso liberal do deputado e a defesa de ajuda pública para compensar empresários.
Ao defender a proposta, Nikolas afirmou:
“Ao simplesmente empurrar a conta para as empresas, o resultado pode ser desemprego, informalidade e crise.”
Além da baixa participação em plenário, dados públicos mostram que o gabinete do deputado possui R$ 18,3 milhões em emendas empenhadas.
O contraste entre a forte atuação digital contra a redução da jornada e o índice de presença parlamentar passou a ser explorado por adversários políticos nas redes sociais.
A pauta do fim da escala 6×1 se tornou uma das discussões de maior apelo popular no Congresso, principalmente entre trabalhadores de setores como comércio, supermercados, farmácias, telemarketing e serviços.
Nos últimos meses, a proposta ganhou força nas redes sociais e passou a pressionar parlamentares de diferentes campos políticos.



