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terça-feira, 10 fevereiro, 2026
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Mini Copa do Mundo’ testa a qualidade dos gramados nos EUA

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Estados Unidos encerram torneio com saldo de aprendizados rumo à Copa de 2026

A primeira edição da Copa do Mundo de Clubes da Fifa com 32 equipes terminou neste domingo (13), nos Estados Unidos, deixando um saldo de lições para a entidade que organiza o futebol mundial. Realizado em solo norte-americano pela primeira vez nesse formato ampliado, o torneio foi vencido pelo Chelsea e serviu como um ensaio para a Copa do Mundo de 2026, que reunirá 48 seleções em uma maratona de 104 partidas, distribuídas entre Estados Unidos, Canadá e México.

“É um ensaio para a Fifa”, afirmou Alan Rothenberg, ex-presidente da Federação de Futebol dos Estados Unidos e responsável pela organização da Copa de 1994. “Houve alguns erros e problemas no início, mas presumivelmente eles aprenderam a lição sobre como organizar um torneio em várias cidades neste nosso vasto país”, avaliou.

A competição, que pela primeira vez espelhou o formato de um Mundial de seleções, permitiu que a Fifa testasse questões logísticas, operacionais e estruturais. Mas, junto dos testes, vieram também críticas — especialmente em relação ao calor excessivo, à qualidade dos gramados e à distribuição desigual de público nos estádios.

Clima extremo e campos criticados por atletas e sindicatos

Um dos pontos mais controversos do torneio foi o calor. Com temperaturas frequentemente acima dos 29°C, jogadores e entidades levantaram preocupações sobre os riscos à saúde dos atletas. O meio-campista do Chelsea, Enzo Fernández, foi direto: “As temperaturas estavam muito perigosas para jogar”, afirmou.

A entidade que representa os jogadores profissionais em nível global, a FIFPRO, classificou o calor como um “alerta” para a Fifa, pressionando para que as partidas da Copa de 2026 sejam agendadas em horários mais amenos.

Gianni Infantino, presidente da Fifa, reconheceu os desafios. “Todas as críticas que recebemos são uma fonte para estudarmos, analisarmos e vermos o que podemos fazer melhor”, declarou. “Claro, o calor é definitivamente um problema. É um problema em todo o mundo.”

Segundo Infantino, para 2026, a Fifa planeja utilizar estádios com cobertura e climatização, permitindo jogos diurnos em ambientes mais controlados. Dos 16 estádios escolhidos, quatro — Atlanta, Dallas, Houston e Vancouver — possuem coberturas fixas.

Grama sob os holofotes e promessa de melhorias

Além do clima, outro foco de críticas foi a condição dos gramados. Mesmo com esforços como o transporte noturno de grama Bermuda em caminhões refrigerados, a qualidade do piso foi alvo de reclamações por parte de treinadores e jogadores.

“Faremos um relatório após este torneio e levaremos as lições para 2026”, disse Blair Christensen, gerente responsável pelos gramados. Ele destacou que sua equipe teve uma curva de aprendizado significativa durante o evento. “Esses caras aqui que trabalham no gramado comigo estão muito mais afiados e melhores do que estavam há 35 dias”, completou.

No MetLife Stadium, em Nova Jersey, palco da final do torneio e provável sede da final da Copa de 2026, já estão sendo conduzidas pesquisas específicas para otimizar as condições do gramado.

Centro de transmissão gigante e presença política

Outro aspecto testado pela Fifa durante a Copa de Clubes foi a operação de seu centro de mídia. Em Dallas, a entidade vai manter, até o fim do torneio do próximo ano, um centro de transmissão com quase 150 mil metros quadrados — uma das maiores estruturas do tipo já instaladas.

Na edição recém-encerrada, uma versão reduzida foi montada no estacionamento do MetLife Stadium. “Isto não é um teste — vamos ter muitos aprendizados com 2025, mas este é um evento histórico para nós”, disse Oscar Sanchez, chefe de produção da transmissão. “É enorme — mas 2026 é gigantesco.”

A presença do ex-presidente Donald Trump na final para entregar o troféu ao Chelsea, após a vitória de 3 a 0 sobre o Paris Saint-Germain, também chamou atenção. A Fifa vem ampliando sua presença física e política nos EUA, com novos escritórios em Miami e na Trump Tower, em Nova York.

Fifa assume mais controle e se prepara para evento sem precedentes

De olho em uma operação de escala inédita, a Fifa já indicou que vai assumir maior controle operacional sobre a Copa de 2026. Para Rothenberg, esse novo papel mais centralizador da entidade é estratégico. “Não acho que eles fizeram (a Copa do Mundo de Clubes) como um experimento, mas está se mostrando uma ótima experiência para a Fifa daqui para frente”, afirmou.

O próprio presidente Gianni Infantino reforçou que a entidade está atenta aos pontos de melhoria. “Precisamos analisar o que podemos fazer melhor. Introduzimos intervalos para resfriamento. Obviamente, é muito importante regar o campo”, explicou.

Ao todo, 16 cidades-sede receberão partidas em 2026, com desafios variados de clima, estrutura e logística. Em Vancouver, por exemplo, onde os jogos serão disputados em ambiente coberto, a expectativa é que o conforto para atletas e torcedores seja maior do que em cidades mais quentes como Miami ou Houston.

Evento histórico marca novo momento para o futebol nos EUA

Para além das dificuldades e ajustes, a edição ampliada da Copa de Clubes já entrou para a história como um marco na estratégia da Fifa de consolidar o futebol nos Estados Unidos. Com o sucesso de público em alguns jogos — especialmente os que envolveram equipes da Premier League e da MLS — a entidade acredita que a edição de 2026 será um divisor de águas para a popularidade do esporte no país.

O ex-dirigente Alan Rothenberg, que está lançando o livro The Big Bounce, sobre o crescimento do futebol nos EUA, aposta alto. “Acho que vai ser muito mais tranquilo daqui para frente, em 2026, porque agora eles têm experiência.”

Se a promessa de infraestrutura, conforto e ajustes se concretizar, o megaevento do próximo ano pode consolidar os EUA como uma potência organizadora no cenário do futebol mundial.

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