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terça-feira, 10 fevereiro, 2026
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Método usado nas fraudes do Master, do BRB e da REAG revela ousadia contra BC

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“Os fiscais do Banco Central nunca vão descobrir como era feita a fraude nos fundos que são administrados pela REAG DTVM”, disse um operador do mercado financeiro que conhecia de perto aqueles caminhos marginais dos negócios que haviam sido estourados com a liquidação extrajudicial do Banco Master e a prisão dos controladores da instituição, Daniel Vorcaro e Augusto Lima. Nossa conversa se deu apenas uma semana depois do 18 de dezembro do ano passado, dia em que ocorreu a 1ª fase da Operação Compliance Zero e a liquidação do Banco Master.

Eu e meu colega de redação, Leandro Demori, escutávamos nossa fonte com dedicada atenção num café localizado no Jardim Paulistano, bairro nobre de São Paulo preferido pelos donos do dinheiro novo da cidade. Os quatrocentões, inclusive os arruinados, preferem outras vizinhanças como Higienópolis, Pacaembu e o pouco mais distante Morumbi. “Ninguém vai chegar aos controladores finais dos fundos. Eles fazem uma troca de empréstimos fictícios. É tudo fraude, mas está tudo sob as regras do BC. Não tem como a fiscalização pegar”, concluiu o novo amigo que fazíamos. Passou confiança. Estava aflito por se distanciar de todas as práticas nefastas que assistiu serem lançadas mão por Daniel Vorcaro, por seu sócio Augusto Lima e pelos parceiros de negócios da dupla: Nelson Tanure, João Carlos Mansur e Maurício Quadrado. Daquela vez, falamos muito brevemente de Fabiano Zettel.

 

REAG LIQUIDADA MUDOU TUDO

Passaram-se três semanas. Em 15 de janeiro passado, marquei um novo café da manhã com a mesma fonte. Agendamos cedo, 7h30. Ambos tínhamos de viajar na hora do almoço. Estávamos conversando havia quase uma hora quando o celular dele começou a cuspir mensagens insistentes. Ele pediu licença e disse que precisava atender. Aproveitei para consultar o meu próprio smartphone. Daquela vez éramos só nós dois na sala de um flat no Itaim, em São Paulo. 8h22min, 15/01/2026. Li os avisos de push de vários sites de informação: “Banco Central decreta liquidação extrajudicial da operadora REAG”, “Polícia Federal na Faria Lima de novo. Liquidação da REAG é desdobramento do caso Master” e “PF nas ruas em SP, DF, RJ e BH. 2ª Fase da Operação Compliance Zero”. Repliquei as mensagens para o grupo de whatsapp classificado como “Jornalismo ICL”. William De Lucca, mesmo no ar, na bancada do N1, tinha feito o mesmo, na mesma hora. O alerta havia sido ligado.

Esperei o meu informante coletar os relatos um tanto alvoroçados de duas pessoas que trabalhavam com ele na mesa de operações de sua própria corretora. Um homem e uma mulher, pelas vozes que capturava de soslaio em razão de o volume dele estar um pouco mais alto que o normal. Na operadora deles, mantinham negócios cruzados com fundos da REAG. “Não se preocupe, tudo dentro do normal. Administrável”, tranquilizou meu interlocutor para os próprios ouvintes em partícula. Afinal, a operadora que estava sendo liquidada extrajudicialmente naquela manhã possuía um patrimônio de R$ 352 bilhões em fundos administrados. Situava-se entre o 6º e o 8º lugar entre as maiores distribuidoras de títulos e valores mobiliários do país. “Não há porque entrar em pânico”, recomendou a fonte aos sócios e subordinados.

Desligado o celular, voltou-se para mim. “O BC chegou lá. Chegou aonde eu duvidava que chegassem. Eles só estão indo na boa. Só estão estourando o que devem estourar”, contou. Era uma justificativa direta para revogar a conversa anterior. “Mas está claro que tem um delator no meio do caminho”, soprou como se soltasse não uma certeza, mas um desejo. “Tem”?, perguntei. “Está óbvio que sim. Eles não podiam chegar lá, como chegaram agora de manhã, e pedir a abertura de todos os fundos em que o Fabiano Zettel, cunhado do Vorcaro, é cotista único. Meu pessoal disse que pediram isso, especificamente. Só procura assim quem sabe o que vai achar, não te parece?”. “Sim, parece”, respondi com convicção.

 

‘ESQUEMA PONZI’ BRASILEIRO

A partir dali o ‘esquema Ponzi’ tupiniquim foi-me didaticamente explicado. Vários dos negócios nos quais estão envolvidos os seis principais envolvidos na maior fraude financeira da história do Brasil (de acordo com a escala valorativa do ministro da Fazenda, Fernando Haddad) – Nelson Tanure, João Carlos Mansur, Maurício Quadrado, Daniel Vorcaro, Augusto Lima e Fabiano Zettel – funcionava assim:

1.      Caso se tratasse de um meganegócio, como a aquisição do controle da Gafisa ou da Ambipar, por exemplo, Tanure entrava comprando um naco de ações por meio de fundos administrados pela REAG. Mansur e Quadrado, velhos lobos do mar, estruturavam esses fundos. Tanure partia para o esmagamento dos sócios minoritários – algo que fazia com arte, com prazer e por método.

2.      Para irrigar o negócio, tornava-se necessário comprar participação em empresas menores que tomassem empréstimos bancários em nome de seus controladores originais e aplicassem em fundos direcionados pela turma. Aí era o ofício que tinha Zettel por mestre: persuasivo, ambicioso e ousado, ele sabia cercar novos sócios para executar essas operações.

3.      Os fundos indicados eram sempre operados pela REAG e pela miríade de corretoras menores mantidas como satélites por ela. E esses fundos cuidavam de se lastrear em títulos e debêntures do Banco Master. Vorcaro e Lima tinham por missão ampliar a base de clientes com captações dos CDB inflados que prometiam retorno de 140% do rendimento do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), uma taxa quase que exclusivamente trabalhada por eles.

4.      Foi justamente a busca dessa ampliação de base e de um sócio que não os questionasse acerca das fragilidades do negócio ao mesmo tempo em que injetassem irresponsavelmente R$ 12,2 bilhões num banco combalido como o Master estava quando seus controladores procuraram o governo do Distrito Federal para forjarem uma aquisição deles pelo Banco Regional de Brasília (BRB) que levou Vorcaro e Lima a dividirem o estopim da bomba que tinham em mãos com o governador Ibaneis Rocha, do DF, e com o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. “Negócios privados, prejuízos públicos”: eis a lei do capitalismo sem risco que se instalou no Brasil desde o Império.

O ‘esquema Ponzi’, referência ao banqueiro vigarista ítalo-americano Charles Ponzi, foi uma megafraude que quebrou o sistema financeiro dos EUA na década de 1920. Ele pagava empréstimos antigos tomando dinheiro emprestado a novos correntistas. Era uma pirâmide financeira. Mas, elos dessa corrente foram sendo quebrados e tudo ruiu de uma vez quando os novos correntistas ficaram a ver navios no momento em que tiveram de resgatar seus saldos – não havia dinheiro estocado no banco, só fumaça. Esse método de fraudar o mercado financeiro e a boa-fé dos clientes bancários reproduz-se desde então aqui e alhures, com nuances sutis de diferença.

O sexteto do esquema Master/REAG achava-se mais esperto que a média dos brasileiros e muito mais ladinos que a fiscalização do Banco Central. Montaram o p´roprio ‘esquema Ponzi’ brasileiro. Por meio do parceiro Antônio Carlos Freixo Júnior, da fintech Entrepay, um dos maiores grupos de operação de maquininhas de pagamentos, tinham certeza de que criariam uma rede de veículos de imprensa na mídia digital que disseminaria as versões deles – sempre desconectadas dos fatos. Deu no que deu: ruíram. Agora, são os técnicos do desprezado BC que esquadrinham o cortejo de ilegalidades cometidas por eles.



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