O presidente dos EUA Donald Trump afirmou, em discurso na Casa Branca na noite de quarta-feira (1), que a guerra de um mês contra o Irã está “próxima do fim”. Trump disse que a “pequena jornada” dos EUA no Irã já teria alcançado “quase todos os objetivos militares”, mas não explicou claramente como pretende encerrar a guerra nas próximas semanas.
“Estamos à beira de acabar com a ameaça sinistra do Irã à América e ao mundo”, declarou em um discurso de 19 minutos. “Nós temos todas as cartas. Eles não têm nenhuma.”
Apesar da escalada do conflito, Trump disse que a “pequena jornada” dos EUA no Irã já teria alcançado “quase todos os objetivos militares”, mas não explicou como pretende encerrar a guerra nas próximas semanas.
Após o discurso, os preços do petróleo subiram e bolsas asiáticas caíram, refletindo a preocupação dos investidores com o fechamento do Estreito de Ormuz. Diante da incerteza, o petróleo Brent subiu 4,9%, chegando a US$ 106,16 por barril, o ouro caiu 2% e a prata recuou 4,9%.
O Irã mantém o estreito praticamente fechado desde o início do conflito, o que elevou os preços do petróleo. Nos EUA, o preço médio da gasolina ultrapassou US$ 4 por galão pela primeira vez desde 2022. Trump voltou a pedir que outros países ajudem a garantir a segurança da rota estratégica de petróleo.
Ao listar resultados da ofensiva, Trump afirmou que as forças navais e aéreas do Irã foram praticamente destruídas. Mas disse que os EUA continuarão atacando o Irã com força nas próximas semanas. “Vamos levá-los de volta à Idade da Pedra, onde pertencem”, afirmou, apesar de mencionar que negociações estariam em andamento.
Democratas e republicanos criticaram o discurso
Democratas criticaram o discurso, classificando-o como confuso e insuficiente. O senador Mark Warner disse que o presidente deve explicações sobre um conflito que já elevou o custo de vida. Chris Murphy afirmou que ninguém conseguiu entender se há escalada ou redução da guerra.
Entre republicanos, Ted Cruz apoiou Trump, enquanto a ex-deputada Marjorie Taylor Greene criticou o foco no conflito e a falta de medidas para reduzir o custo de vida.
A guerra segue intensa desde 28 de fevereiro, com milhares de mortos no Oriente Médio. Segundo estimativas da International Federation of Red Cross and Red Crescent Societies, ao menos 1.900 pessoas morreram no Irã e cerca de 20 mil ficaram feridas
No Líbano, mais de 1.300 pessoas morreram, a maioria civis. Em Israel, 19 mortes e mais de 500 feridos foram registrados. Entre militares americanos, ao menos 13 morreram e centenas ficaram feridos. Os EUA já atingiram mais de 12.300 alvos dentro do Irã desde o início da operação militar.
Desde o início da guerra, o governo Trump tem enviado sinais contraditórios sobre seus objetivos. Trump afirmou que o Irã estaria buscando um cessar-fogo, mas a declaração foi negada por Teerã.
O cenário político iraniano também mudou: Mojtaba Khamenei assumiu após a morte de Ali Khamenei no início dos ataques. O presidente iraniano é Masoud Pezeshkian, que questionou os motivos da guerra e se ela realmente atende aos interesses do povo americano, sugerindo que o conflito foi incentivado por Israel.
Tensão com aliados e futuro indefinido
Trump também criticou aliados dos EUA por não participarem da guerra e chegou a cogitar a saída do país da OTAN. Ele indicou que um cessar-fogo dependeria da reabertura do Estreito de Ormuz, mas não descartou novos ataques pontuais.
Apesar de classificar a campanha militar como “poderosa e brilhante”, os objetivos centrais ainda são incertos. Trump minimizou preocupações com o programa nuclear iraniano, embora esse tenha sido um dos principais argumentos para justificar o conflito.
Enquanto isso, milhares de soldados americanos permanecem na região, mantendo aberta a possibilidade de uma ofensiva terrestre mais ampla.



