Associações que representam juízes solicitaram ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira (27), a ampliação do prazo para implementar as novas regras que limitam os chamados penduricalhos — benefícios que elevam salários acima do teto do funcionalismo público.
O pedido foi apresentado pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), em conjunto com outras entidades da magistratura e do Ministério Público. No documento, a associação afirma atuar em nome dessas instituições e solicita a suspensão da eficácia da decisão do Supremo.
As entidades alegam que os tribunais enfrentam dificuldades para cumprir a decisão da Corte. Segundo o documento, há entraves na interpretação e na operacionalização das novas regras, especialmente em meio ao fechamento das folhas de pagamento. “Considerando que vários Tribunais que estão para ‘fechar’ a elaboração da folha de pagamento (…), revela-se urgente a apreciação e deferimento do pedido”, diz um dos trechos.
O grupo pede que a aplicação das novas regras seja adiada por pelo menos 30 dias após o julgamento de eventuais recursos (embargos de declaração), além de solicitar que a análise do pedido seja feita de forma individual por um ministro, com posterior validação do plenário virtual.
O que mudou
Em março deste ano, o STF decidiu limitar o pagamento de verbas extras a integrantes do Judiciário e do Ministério Público. Pela nova regra, os chamados penduricalhos — como auxílios, gratificações e indenizações — devem respeitar um teto equivalente a 35% do subsídio de ministros do Supremo.
Na prática, isso representa um limite adicional de cerca de R$ 16 mil sobre o salário-base, hoje em torno de R$ 46 mil.
Mesmo com a restrição, esses benefícios continuam fora do cálculo do teto constitucional, o que permite que a remuneração total ainda ultrapasse o limite previsto na Constituição; uma das principais críticas ao modelo.
“Fato extraordinário”
Na avaliação das entidades, o cenário atual configura um “fato extraordinário”, o que, segundo elas, justificaria a concessão de mais prazo para a adaptação às novas regras.
Além da prorrogação, as associações solicitam que uma eventual suspensão dos efeitos da decisão não inclua a parcela de valorização por tempo de antiguidade na carreira (PVTAC). De acordo com o texto, a exclusão desse componente é necessária para mitigar os impactos sobre a estrutura remuneratória da magistratura.
Por fim, solicitam que o pedido seja analisado de forma monocrática, com posterior validação pelo plenário virtual do STF, que poderia ser convocado em caráter extraordinário.
Impacto e resistência
A decisão do STF foi apresentada como uma tentativa de padronizar e dar maior transparência aos pagamentos no serviço público, com estimativa de economia de bilhões de reais por ano.
Ainda assim, entidades da magistratura afirmam que a mudança é complexa e pode impactar diretamente os rendimentos da categoria, incluindo aposentados e pensionistas.
Diante disso, pedem que, caso o Supremo decida suspender os efeitos da medida até a análise dos embargos, seja autorizada a implementação imediata da parcela relacionada ao tempo de antiguidade.
O tema dos penduricalhos pode parecer complexo. No jargão do funcionalismo, o termo se refere a verbas classificadas como indenizatórias que ficam fora do teto constitucional e acabam inflando os salários de servidores públicos.
Próximos passos
Até o momento, o STF não se manifestou sobre o pedido. Caso a Corte aceite a solicitação, a implementação das novas regras poderá ser adiada temporariamente, prolongando a transição para o novo modelo de remuneração.
A decisão final deve indicar até que ponto o Supremo está disposto a flexibilizar a aplicação de uma medida que, ao mesmo tempo em que busca conter supersalários, enfrenta resistência dentro do próprio sistema de Justiça.



