O policial civil Enoque Galvão, irmão do lutador e professor de jiu-jitsu Melqui Galvão, foi afastado das funções operacionais após a Polícia Civil do Amazonas identificar indícios de que ele teria facilitado a entrada irregular de uma pessoa na unidade prisional onde o irmão estava preso, em Manaus.
A informação foi confirmada pela própria corporação, que abriu investigação depois de tomar conhecimento de que Melqui teria realizado uma videochamada de dentro da cela. A suspeita levantou alerta dentro da unidade prisional e deu início a uma série de inspeções internas.
Segundo a Polícia Civil, as primeiras verificações aconteceram no dia 2 de maio. Dois dias depois, uma nova vistoria foi realizada com acompanhamento do Ministério Público. Durante a apuração, surgiram indícios de participação de Enoque Galvão na facilitação da entrada de uma pessoa não autorizada no local onde o irmão estava custodiado.
Em nota, a corporação informou que o policial deverá responder a procedimentos administrativos disciplinares conduzidos pela Corregedoria-Geral da PC-AM. A data exata do afastamento não foi divulgada.
O caso envolvendo Melqui Galvão começou a ser investigado após denúncias feitas por uma adolescente de 17 anos, ex-aluna do treinador. A jovem, que atualmente mora nos Estados Unidos, relatou às autoridades ter sido vítima de atos libidinosos não consentidos durante uma competição esportiva realizada fora do país.
A investigação ganhou novos desdobramentos após a Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher reunir relatos de outras possíveis vítimas. Conforme a Polícia Civil, ao menos três pessoas já prestaram depoimento no caso.
Ainda segundo as investigações, os denunciantes entregaram uma gravação em que Melqui supostamente admitiria, de forma indireta, os fatos denunciados e tentaria impedir que o caso fosse levado adiante por meio de promessa de compensação financeira.
Durante a apuração, outras duas possíveis vítimas foram identificadas em diferentes estados do país. Em um dos relatos, a denunciante afirmou ter apenas 12 anos na época em que os fatos teriam acontecido.
De acordo com a polícia, Melqui Galvão havia chegado ao Amazonas menos de 24 horas antes da prisão. Após troca de informações entre as corporações, ele se apresentou às autoridades em Manaus, onde teve o mandado cumprido.
Além da prisão temporária, a Polícia Civil também cumpriu três mandados de busca e apreensão em imóveis ligados ao investigado na cidade de Jundiaí, no interior de São Paulo.
Conhecido no meio esportivo por formar atletas de alto rendimento, Melqui Galvão comandava uma academia de jiu-jitsu na Zona Norte de Manaus e também atuava como instrutor de defesa pessoal da Polícia Civil do Amazonas.
Segundo a corporação, ele era servidor efetivo e trabalhava no setor de capacitação da instituição, onde ministrava treinamentos para policiais. Diante da gravidade das denúncias, foi afastado cautelarmente das funções até a conclusão das investigações.
A Polícia Civil informou que o caso segue em andamento, com novos depoimentos presenciais e virtuais sendo realizados para aprofundar as investigações.
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