Se fôssemos fazer a alusão da intolerância a uma representação, talvez a melhor seria a do imenso e destruidor monstro marinho Leviatã, com os seu imensos tentáculos. Leviatã é descrito em várias mitologias como o monstro destruidor, que ataca ferozmente suas vítimas com os seus imensos oito tentáculos.
Na contemporaneidade, o nosso Leviatã, forjado durante séculos e séculos, se chama intolerância e, diferente das mitologias, cada tentáculo tem um nome.
Vejamos quais são: racismo, misoginia, homofobia, transfobia, xenofobia, machismo, desigualdade desrespeito. Juntos, esses tentáculos permeiam nossas relações sociais, políticas e religiosas deixando seus rastros de destruições por onde quer que passem.
E de dentro do nosso Leviatã contemporâneo, entre as intolerâncias, salta a intolerância religiosa, que vem ceifando vidas, deixando vítimas e provocando danos patrimoniais e religiosos.
Ora! Mesmo garantida por lei, a liberdade religiosa não é uma realidade para as religiões em solo brasileiro.
Obviamente, diante das circunstâncias atuais, tivemos, infelizmente, um crescimento significativo dos casos de intolerância religiosa no Brasil, principalmente na cidade do Rio de Janeiro.
Umas nefasta realidade que assola a todas as minorias religiosas representativas no Brasil, que durante muitos anos usou o slogan “Somos todos iguais” e é lido no exterior como “o país das igualdades”. Igualdades essas que esbarram nas fronteiras e nos tentáculos de Leviatã.
*Prof. Dr. Ivanir dos Santos é professor e orientador no Programa de Pós-graduação em História Comparada da UFRJ; Conselheiro Estratégico do CEAP; Autor e idealizador da série Resistência Negra, da Globoplay



