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Durante entrevista ao ICL Notícias 1ª edição, nesta terça-feira (23), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou como “tiro no pé” a decisão dos Estados Unidos de impor tarifas sobre produtos brasileiros, especialmente commodities.
Ele criticou a medida por penalizar diretamente o consumidor americano: “Foi uma decisão impensada. Tarifar commodity não faz sentido. Isso encarece o café da manhã, o almoço e o jantar dos americanos.”
Haddad revelou que o presidente Lula foi surpreendido com a queda nas exportações afetadas pelas sanções. Segundo o ministro, o Brasil diversificou seus destinos comerciais e já redirecionou boa parte das exportações. “Mais da metade das commodities foram redirecionadas para outros mercados. Dois terços das exportações brasileiras não foram afetadas.”
Haddad: “Plano de contingência já está em curso”
Apesar de minimizar o impacto macroeconômico das tarifas, Haddad reconheceu efeitos em setores específicos e destacou a rapidez da resposta do governo. “Não tem impacto macro, mas no micro vamos sentir. Elaboramos um plano de contingência 15 dias depois, via BNDES, para atender empresas em condições especiais.”
Ele também reafirmou o compromisso do presidente Lula com a reposição dos mercados perdidos. “O presidente continua fazendo o trabalho que sempre fez, um verdadeiro trabalho de mascate. Não temos dificuldade de realocar nossas exportações.”
“Foi ingerência e intromissão descabida”
O ministro classificou a ação americana como uma ingerência indevida nos assuntos brasileiros e enfatizou que a questão está nas mãos da Justiça, não do Executivo: “Foi ingerência de um país sobre nós. Não é um assunto do Executivo, é da Justiça. Uma intromissão descabida.”
Haddad destacou o perfil sereno de Lula, dizendo que o presidente não faz bravatas. “O presidente se coloca com sobriedade. Não faz palanque, não grita. Acredito que, passada essa fase aguda, essa situação será superada. Essa decisão dos EUA não tem base política, nem econômica — só pode estar baseada em desinformação.”
A entrevista também abordou o momento político brasileiro. Haddad concordou com o economista e fundador do ICL, Eduardo Moreira, ao dizer que crises podem ser oportunidades de transformação. “Vivemos uma crise sim, na relação comercial e diplomática com os EUA, mas também um momento auspicioso para fazer mudanças estruturais que nunca tivemos coragem de enfrentar.”
Reforma tributária: combate à desigualdade
Segundo Haddad, o Brasil está aproveitando este momento para implementar a maior reforma tributária da história, e isso tem um peso social profundo. “Toda litigância tributária beneficia o andar de cima. Estamos digitalizando o sistema tributário para mudar isso. A reforma do Imposto de Renda não é pequena. Pela primeira vez o Estado brasileiro começa a mexer de verdade no tema da desigualdade”. E lembrou: “Estamos entre os 10 piores países em distribuição de renda no mundo. É hora de mudar isso — e essa mudança já começou”, frisou.
Ele também lembrou dos avanços em inclusão social durante sua passagem pelo Ministério da Educação. “Tivemos a maior expansão de acesso à universidade por parte de pobres e negros periféricos. Agora, queremos tocar no tema da desigualdade de uma vez por todas.”



