O governo de Donald Trump usou as redes sociais para anunciar que “solicitou a expulsão” de um “funcionário brasileiro” nos EUA. Fontes extra oficiais indicaram que o caso envolve Marcelo Ivo, delegado da Polícia Federal em Miami e que teve uma atuação na operação que prendeu Alexandre Ramagem, ex-chefe da Abin e que está foragido nos EUA.
Ivo deve embarcar nesta terça-feira, em direção ao Brasil. Já Ramagem, depois de uma pressão de bolsonaristas, acabou sendo solto e aguarda seu pedido de asilo nos EUA.
“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos EUA. Hoje, solicitamos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso”, afirmou o Departamento de Estado norte-americano, nas redes sociais.
A alegação foi de que Ivo tentou convencer as autoridades americanas que o caso de Ramagem era de deportação por conta de um visto vencido, e não de extradição – o que envolveria uma consideração do processo legal contra ele pelo STF.
No momento da prisão de Ramagem, a atitude da PF de dizer que o ato foi resultado de uma cooperação entre os dois países irritou a ala mais radical da Casa Branca.
Oficialmente, o governo brasileiro ainda não se pronunciou sobre a expulsão do delegado, que estava nos EUA desde 2023. Mas diplomatas consultados pela reportagem se mostraram indignados com a atitude da Casa Branca. Negociadores brasileiros também consideraram o gesto como um “péssimo sinal”.
Publicamente, governo dos EUA não explicou quem seria expulso e nem o motivo. Mas o incidente ocorre dias depois da prisão – e soltura – de Alexandre Ramagem (PL-RJ) nesta semana por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE).
O fato gerou uma mobilização de bolsonaristas que, com contatos nos EUA, conseguiram convencer a Casa Branca a liberar o ex-diretor da Abin.
Não por acaso, o anúncio do Departamento de Estado sobre Ivo gerou uma comemoração imediata por parte de Eduardo Bolsonaro. “Perdeu mané”, escreveu o ex-deputado nas redes sociais.
Paulo Figueiredo, neto do ex-ditador João Figueiredo e aliado do bolsonarismo, também identificou o funcionário expulso como Marcelo Ivo. “Esta é a maior crise entre Brasil-EUA desde a época da Magnitsky”, disse.
Ambos agiram para conseguir que Washington aplicasse sanções e tarifas contra o Brasil.
Revanche de enviado de Trump
Agora, o caso amplia o desgaste entre os dois governos. No mês passado, Darren Beattie, enviado do governo Trump para o Brasil, teve seu visto revogado para a viagem que iria fazer ao país. Para Brasília, houve “má-fé” por parte do representante americano ao solicitar a autorização e não revelar, nos documentos, que o objetivo era o de visitar Jair Bolsonaro na prisão.
Agora, teria sido Beattie quem liderou a pressão para que Ramagem fosse solto e para que o delegado da PF tivesse seu visto revogado.
As medidas ampliam o mal-estar entre os dois governos que, até agora, não conseguiram encontrar uma data comum para um encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Enquanto os desentendimentos aumentam, parece ficar cada vez mais distante a chance de uma viagem do brasileiro à Casa Branca.
Fim da ‘química’?
A lista dos embates entre Brasil e EUA também voltou a crescer, colocando em questão a suposta “química” entre os dois presidentes. Nos últimos dias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem criticado de forma enfática o presidente Trump.
Além disso, as pendência incluem os seguintes itens na agenda bilateral:
- Não existe acordo sobre como tratar dos grupos criminosos, com os EUA insistindo que precisam ser qualificados como terroristas;
- As tarifas ainda não foram todas retiradas;
- Novas investigações comerciais foram abertas contra o Brasil;
- Brasil rejeitou pedido de Trump para receber estrangeiros deportados:
- Ministros e autoridades brasileiras continuam com vistos suspensos para ir aos EUA.



