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sábado, 21 março, 2026
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Falta de memória quase leva MBL ao Lollapalooza

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Leio na manchete do “G1”: Banda de Renan Santos e Mamãe Falei fica em 1º em votação para abrir Lolla, mas é rejeitada por júri.

Depois do espanto com a falta de memória dos eleitores desse concurso, vejo a explicação: Limão Rosa, grupo dos integrantes do MBL, ficou em 1º em enquete para tocar no festival, mas júri da rádio 89 e do evento preferiu outra banda.

Ufa. No que me lembrei imediatamente do cronista Ivan Lessa, do “Pasquim” e outros babados. “De 15 em 15 anos, o Brasil esquece do que aconteceu nos últimos 15 anos”, dizia o garoto da fuzarca, sobre a fraca memória nacional.

E olhe que a turma votante no concurso da emissora é bem jovem. Não teria, teoricamente, ainda problemas de saúde ligados ao desgaste no hipocampo ou córtex cerebral.

O problema pode ser (ainda) mais grave. Simplesmente esse ouvinte que votou na banda de Mamãe Falei não liga para os acontecimentos recentes da história.

Cabe ao tio aqui, refrescar essa roseira do tempo.

Eleito no embalo da chamada “nova política” de 2018, na mesma onda que levou o presidente de extrema direita Jair Bolsonaro ao poder, o deputado estadual Mamãe Falei (pseudônimo de Arthur do Val) resolveu ir à guerra da Ucrânia para ajudar o país atacado pela Rússia de Vladimir Putin, segundo anunciou ao partir do Aeroporto de Guarulhos, São Paulo, em 2022.

Tudo parecia apenas mais um lance de marketing do político do MBL (Movimento Brasil Livre), afinal de contas ele planejava voo maior a essa altura da carreira, com o lançamento da sua candidatura ao governo paulista.

Mensagens enviadas por ele a um grupo de amigos, no entanto, revelariam suas reais intenções na viagem. “Elas olham, e eu vou te dizer, são fáceis porque elas são pobres!”, disse sobre as mulheres ucranianas, em um dos áudios enviados do “front”.

As mensagens vazadas e divulgadas pela imprensa causaram um escândalo pelo teor sexista, machista e preconceituoso com as mulheres.

Em vez da anunciada atitude de solidariedade e ajuda às vítimas do conflito, comentários de outro teor: “A recepcionista do hotel deu em cima de mim aqui. Meu Deus! Pensei ‘não é possível que isso esteja acontecendo, é uma mentira, é um filme’, isso não tá acontecendo! Essas cidades mais pobres são as melhores, realmente é inacreditável. Juro por Deus, é outro mundo. Eu tenho 35 anos, cara, e eu nunca vivi isso. E eu nem peguei ninguém aqui. Não peguei. Só a sensação de saber que eu poderia fazer, e sentir como alguém, enfim, já sabem”.

Mamãe Falei, louvado por seus eleitores por não ter papas na língua, revelou outras observações sobre a guerra, na sua falta de estilo:

“Eu juro pra vocês, eu contei, foram 12 policiais. Deusas! Que você casa, você faz tudo que ela quiser. Eu estou mal, eu não tenho nem palavras pra expressar. Quatro dessas eram minas que assim, se ela cagar, você limpa o c* dela com a língua. Assim que essa guerra passar eu vou voltar para cá”.

Na prosa com os colegas do Brasil, ainda fez uma comparação entre as conterrâneas brasileiras e as mulheres da Ucrânia: “Se você pegar fila da melhor balada do Brasil, na melhor época do ano, não chega aos pés da fila dos refugiados aqui. Eu estou mal, eu estou triste, é inacreditável”.

Todo esse festival de horrores acabou resultando na cassação do mandato do deputado que se elegeu pelo Podemos e havia se filiado ao União Brasil.

Ele ficou ainda inelegível por oito anos. Na votação, o placar foi 73 x 0 por despedir Mamãe Falei da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).

Em uma manobra para tentar fugir da inelegibilidade, o político havia renunciado ao cargo. Mesmo assim, o processo seguiu em curso. Nesse período, ele havia pedido também desculpas pelas falas sexistas. Tarde demais. Houve pressão inclusive de grupos de mulheres ucranianas residentes no Brasil para que o deputado não ficasse impune.





ICL Notícias

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