Uma das principais formas de pagamento dos brasileiros nos últimos anos, o Pix está no centro de uma disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos. O governo de Donald Trump incluiu a ferrmenta entre os argumentos usados para justificar a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros exportados para os EUA, anunciada na quarta-feira (15).
O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) afirmou que o sistema brasileiro prejudicaria empresas americanas do setor de pagamentos ao criar uma concorrência considerada desigual.
Por que o Pix virou alvo dos EUA
No Brasil, o Pix ampliou o uso dos pagamentos instantâneos ao permitir transferências diretas entre contas, reduzindo custos e acelerando o recebimento dos valores. Antes, muitos pequenos negócios dependiam de dinheiro em espécie ou de cartões, sujeitos a taxas e prazos maiores para o repasse.
Segundo pesquisa do Sebrae e do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), 59% dos pequenos empreendedores já têm o Pix como principal meio de recebimento. Entre os microempreendedores individuais (MEIs), 97% utilizam o sistema para pagamentos.
Especialistas avaliam que o Pix aumentou a concorrência no mercado de pagamentos à vista, pressionando empresas tradicionais do setor.

Na investigação aberta pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), o governo americano afirma que o Banco Central atua ao mesmo tempo como regulador e operador do sistema, o que, na visão de Washington, favoreceria o Pix em relação a empresas privadas. Os EUA também alegam que companhias americanas poderiam ser prejudicadas ao competir com uma infraestrutura pública de pagamentos.
O governo Trump afirma, porém, que não pretende extinguir o Pix, mas questiona o que considera tratamento diferenciado ao sistema.
Outro ponto citado por analistas é o avanço do projeto do Pix Internacional, desenvolvido pelo Banco Central para integrar pagamentos instantâneos entre países. Para alguns especialistas, essa iniciativa pode reduzir a dependência de meios tradicionais de pagamento e ampliar alternativas ao dólar em operações internacionais.
Em 2025, o Pix movimentou cerca de R$ 35,4 trilhões em quase 80 bilhões de transações, segundo dados do Banco Central.
Tarifaço
O Pix é apenas um dos argumentos apresentados pelos Estados Unidos para justificar a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
O relatório do USTR também cita decisões do STF envolvendo plataformas digitais, críticas ao ambiente regulatório para empresas de tecnologia, questões de propriedade intelectual, corrupção, tarifas de importação e políticas comerciais.
O governo brasileiro rejeita as acusações e afirma que as medidas seguem a legislação nacional e a soberania do país.



