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sexta-feira, 17 julho, 2026
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Pastores investigados usavam regra da igreja para intimidar vítimas

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Os pastores investigados Roraima por suspeita de crimes sexuais contra adolescentes utilizavam uma regra prevista no estatuto da igreja para desencorajar denúncias e manter vítimas em silêncio, segundo a Polícia Civil. A investigação aponta que o casal se valia da posição de liderança religiosa para exercer controle psicológico sobre fiéis e adolescentes, que temiam ser expulsas da congregação caso denunciassem os abusos.

O caso ganhou novos desdobramentos após a conclusão do inquérito policial. As investigações identificaram ao menos 11 adolescentes, com idades entre 12 e 17 anos, como possíveis vítimas. O relatório foi encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário, enquanto o pedido de prisão preventiva dos investigados tramita sob sigilo. A defesa do casal nega as acusações e afirma que os dois são inocentes.

Investigação aponta uso da fé para controlar vítimas

De acordo com a Polícia Civil de Roraima, o ambiente religioso teria sido utilizado como instrumento de aproximação, manipulação e silenciamento das adolescentes.

Segundo a delegada responsável pelo caso, a confiança depositada nos líderes religiosos dificultou a identificação dos crimes e retardou o surgimento das denúncias. Ainda conforme a investigação, os suspeitos recorriam a interpretações religiosas para convencer as vítimas de que os abusos faziam parte de um suposto propósito espiritual.

Além disso, a polícia afirma que o estatuto da igreja previa punições para membros considerados “rebeldes” ou que desafiassem a autoridade religiosa. Conforme o inquérito, esse mecanismo teria sido usado para intimidar adolescentes e impedir que procurassem as autoridades.

Polícia identificou adolescentes e apura possível rede de manipulação

A investigação começou em abril, depois que adolescentes procuraram espontaneamente a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) para relatar os supostos abusos.

Ao longo da apuração, policiais ouviram dezenas de testemunhas e localizaram outras possíveis vítimas. Segundo a Polícia Civil, algumas adolescentes permaneceram sob influência dos investigados durante anos. Em determinados casos, a investigação aponta que os abusos evoluíram para violência sexual envolvendo outros homens, que teriam participado dos crimes sem serem identificados pelas vítimas, que permaneciam vendadas.

Os investigadores também afirmam que o casal utilizava benefícios, cargos religiosos e outras formas de recompensa para fortalecer o vínculo de dependência emocional e dificultar a ruptura das vítimas com a igreja.

Pedido de prisão e destruição de provas também são investigados

Além das suspeitas de crimes sexuais, a Polícia Civil concluiu que houve tentativa de ocultar provas durante a investigação.

Uma mulher foi indiciada por suspeita de fraude processual e corrupção de menores após, segundo a polícia, participar da destruição de um telefone celular que poderia conter elementos de prova. O inquérito também aponta que uma vítima teria sido orientada a registrar falsamente o desaparecimento do aparelho.

O pastor foi indiciado por suspeita de estupro de vulnerável, importunação sexual, favorecimento da exploração sexual de adolescente ou pessoa vulnerável, registro não autorizado de intimidade sexual, fraude processual e falsidade ideológica. Já a pastora foi indiciada por suspeita de estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual. O Ministério Público analisará o inquérito antes de decidir sobre eventual denúncia à Justiça.

Caso segue sob análise da Justiça

Os processos tramitam sob sigilo. A defesa informou que aguarda acesso integral ao relatório final da investigação para apresentar manifestação detalhada e sustenta que o casal é inocente.

Caso o Ministério Público ofereça denúncia e ela seja aceita pelo Judiciário, será aberta uma ação penal para apurar as responsabilidades dos investigados. Até eventual condenação definitiva, ambos são considerados inocentes, conforme o princípio constitucional da presunção de inocência.

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