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sexta-feira, 1 maio, 2026
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Empresário condenado corrupcao em voo motta ciro nogueira

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O empresário Fernando Cavendish, dono da empreiteira Delta, que já foi condenado na Operação Lava Jato no Rio de Janeiro, esteve presente em um voo particular que trouxe o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB) e senador Ciro Nogueira (PP-PI) da Ilha de São Martinho, no Caribe, um paraíso fiscal.

Na lista disponibilizada pela Polícia Federal (PF) no inquérito, é possível identificar o nome do empresário entre os 16 passageiros do voo.

Lista de passageiros do voo PP-OIG de 20 de abril de 2025 confirma a presença do presidente da Câmara, Hugo Motta, e do senador Ciro Nogueira. O documento consta do inquérito — Foto: Reprodução
Lista de passageiros do voo PP-OIG de 20 de abril de 2025 confirma a presença do presidente da Câmara, Hugo Motta, e do senador Ciro Nogueira. O documento consta do inquérito — Foto: Reprodução

Cavendish foi condenado em 2018 por integrar um esquema de corrupção que desviou cerca de R$ 370 milhões de recursos públicos. Posteriormente, firmou acordo de delação premiada e declarou ter pago propina ao ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, além de se comprometer a ressarcir milhões aos cofres públicos.

O empresário também esteve envolvido no episódio que ficou conhecido como “farra dos guardanapos”. Ele aparece em uma imagem registrada no ano de 2009, em Paris, na qual investigados no esquema aparecem confraternizando com guardanapos amarrados na cabeça.

Voo sob investigação

A aeronave em que Cavendish viajava, em 20 de abril de 2025, passou a ser investigada pela Polícia Federal após o piloto desembarcar no Aeroporto Catarina, em São Roque (SP), com bagagens que não passaram pelo raio-X. O terminal é voltado à aviação executiva.

Até o momento, a PF não identificou o conteúdo das malas nem a quem pertenciam.

O inquérito

A apuração foi aberta pela Polícia Federal em São Paulo para investigar a atuação de um auditor da Receita Federal que não teria realizado a fiscalização de forma adequada. Inicialmente, os possíveis crimes analisados são prevaricação e facilitação de contrabando ou descaminho.

Após o acesso à lista de passageiros, que incluía quatro parlamentares com foro privilegiado, o caso foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF). Além de Hugo Motta e Ciro Nogueira, também estavam a bordo os deputados Doutor Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL).

A reportagem procurou os quatro parlamentares para comentar a presença de Cavendish no voo e eventuais vínculos com o empresário citado em escândalos de corrupção. Até a publicação, não houve resposta.

O proprietário da aeronave, também listado entre os passageiros identificados pela PF, é Fernando Oliveira Lima, conhecido como Fernandin OIG.

Ele ganhou notoriedade ao prestar depoimento na CPI das Bets no Senado, quando foi questionado e negou ser dono do Jogo do Tigrinho, plataforma de apostas online investigada pela comissão.

No STF, o processo foi distribuído por sorteio ao ministro Alexandre de Moraes, que ficará responsável pela relatoria. Moraes encaminhou o caso para análise da Procuradoria-Geral da República (PGR), que poderá defender a permanência do inquérito no Supremo — caso haja indícios de participação de parlamentares —, sugerir o retorno à primeira instância em São Paulo ou solicitar novas informações antes de se posicionar.

Na terça-feira (28), data em que a investigação se tornou pública, o piloto da aeronave, José Jorge de Oliveira Júnior, declarou em nota que não se lembra do voo, mas afirmou seguir protocolos padrão nos desembarques.

“Cada passageiro realiza o desembarque com seus pertences de forma individual” e “cada piloto transporta apenas seus próprios itens, de modo que, em eventual fiscalização, responda exclusivamente pelo que carrega”, disse.

O auditor fiscal Marco Antônio Canella também foi procurado pela reportagem na mesma data, mas não se manifestou.





ICL Notícias

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