Thiago Ávila não chegou até Gaza. Há uma semana, ele foi sequestrado de seu barco que tinha o território palestino como destino. O ativista brasileiro foi preso por Israel e, neste fim de semana, deportado ao Brasil. Mas ele se transformou em um símbolo da ajuda humanitária e, neste domingo, ganhou um mural em Gaza.
O artista, Obeil Al Qarshali, escolheu um dos raros muros ainda de pé em Gaza para pintar a imagem de Ávila. Com 28 anos, ele explicou:
Por meio dessa obra, eu queria expressar meu apoio a eles, e esse é meu presente depois de sua libertação da prisão de Israel.
Quero encorajá-los a continuar a apoiar a Palestinas e quero dizer que a Palestina não se esquece quem fica ao seu lado e a apoia.
As imagens e depoimento foram enviados ao ICL Notícias pelo fotógrafo palestino Mohamed Ahmed.
Nos últimos dias, a prisão do ativista despertou uma preocupação internacional. A ONU quer que os maus-tratos contra o brasileiro sejam investigados. Num comunicado emitido na semana passada, a entidade defendeu que os responsáveis por violações sejam levados à Justiça.
Conforme o ICL Notícias já havia revelado na terça-feira com exclusividade, a pressão da ONU era para que Ávila fosse solto, sem qualquer condição imposta.
Além de Ávila, foi levado para Israel o ativista Sair Abukeshek, de nacionalidade espanhola.
O governo brasileiro falou em “sequestro”. Mas não optou por romper relações diplomáticas com Israel.

A defesa do brasileiro apontou que a prisão de Ávila foi marcada por violência. De acordo com um comunicado, os ativistas permanecem em isolamento total, submetidos a iluminação intensa 24 horas por dia, em suas celas, e mantidos com os olhos vendados sempre que são transferidos, inclusive durante exames médicos.
O porta-voz do Escritório de Direitos Humanos da ONU, Thameen Al-Kheetan, afirmou:
Não é crime demonstrar solidariedade e tentar levar ajuda humanitária à população palestina em Gaza, que necessita urgentemente dela. Relatos perturbadores de maus-tratos severos infligidos a Abukeshek e de Avila devem ser investigados, e os responsáveis devem ser levados à justiça.
Exigimos o fim da detenção arbitrária por Israel e da legislação antiterrorista, ampla e vaga, incompatível com o direito internacional dos direitos humanos. Israel também deve pôr fim ao bloqueio a Gaza e permitir e facilitar a entrada de ajuda humanitária em quantidade suficiente na Faixa de Gaza sitiada.



