O avanço das tensões no Oriente Médio voltou a provocar impactos diretos sobre a economia global e reacendeu o alerta para uma nova onda de pressão sobre os preços dos alimentos. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o aumento nos preços já compromete o sistema internacional de abastecimento e amplia os riscos para países dependentes de importações agrícolas.
Dados da agência da ONU para Alimentação e Agricultura mostram que o índice global de preços dos alimentos atingiu o maior nível em três anos. Para a entidade, os efeitos da guerra ultrapassaram o campo geopolítico e passaram a afetar cadeias estratégicas de produção e distribuição.
Óleos vegetais lideram alta
Entre os produtos mais impactados estão os óleos vegetais, pressionados pela combinação entre maior demanda por biocombustíveis e disparada do petróleo no mercado internacional. O encarecimento da energia aumenta custos de transporte e produção, refletindo diretamente sobre commodities agrícolas.
Especialistas também observam que o cenário favorece movimentos especulativos no mercado futuro de alimentos, ampliando a volatilidade dos preços em escala global.
Fertilizantes entram no centro da crise
No mercado do trigo, a principal preocupação é o abastecimento de fertilizantes. Antes do agravamento do conflito, cerca de um terço do comércio mundial desses insumos passava pelo Estreito de Ormuz, corredor marítimo considerado estratégico para o fluxo internacional de cargas.
Com bloqueios, ameaças militares e operações navais na região, cresce o temor de interrupções logísticas capazes de afetar a produção agrícola em diferentes continentes.
Escalada militar aumenta incerteza
A tensão voltou a crescer após novos confrontos envolvendo Irã e Estados Unidos. O governo iraniano acusou Washington de violar o acordo de cessar-fogo depois de ataques contra dois navios na região. Em comunicado, Teerã afirmou que, “sempre que uma solução diplomática está sobre a mesa, os Estados Unidos optam por uma aventura militar irreversível”.
Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o cessar-fogo permanece válido, apesar dos ataques, classificados por ele como um “tapinha de amor” durante entrevista.
Petróleo acima de US$ 100
As incertezas sobre a manutenção da trégua e o risco de ampliação do conflito voltaram a pressionar o mercado internacional de energia. O preço do petróleo ultrapassou novamente a marca de US$ 100 por barril, movimento que amplia os temores de inflação global e de novos impactos sobre alimentos, combustíveis e transporte.



