O dólar fechou esta terça-feira (11) em forte alta, subindo 0,98% e encerrando o dia cotado a R$ 5,161, depois de chegar a R$ 5,172 durante a tarde. Foi a maior cotação da moeda em mais de um mês. O euro também subiu, avançando 0,99%, para R$ 5,9566.
O movimento chama atenção porque o dólar recuou frente à maioria das outras moedas do mundo, principalmente as da América Latina. Os pesos colombiano, argentino, chileno e mexicano estiveram entre as divisas mais fortes do dia, enquanto o real foi a pior moeda entre 33 analisadas. Ou seja, o problema não foi o dólar ficando mais forte lá fora, e sim o real perdendo valor por conta própria.
A Bolsa brasileira também sentiu o impacto: o Ibovespa recuou 2,50%, fechando aos 167.874 pontos, o menor patamar desde 19 de junho. Foi o quinto pregão seguido sem alta para o índice.

Por que o dólar disparou
Três fatores principais explicam a piora do dia. O primeiro foi a divulgação da pesquisa eleitoral CNT/MDA, que mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliando a vantagem nas intenções de voto para o primeiro e o segundo turno contra Flávio Bolsonaro.
O segundo fator foi o rebaixamento da recomendação de investimento no Brasil pelo banco americano JPMorgan, que passou a avaliar o país como neutro, e não mais como uma boa oportunidade de compra. O banco citou o fim do ciclo de queda de juros, a desaceleração do crescimento econômico e a piora nas condições de crédito como motivos para a mudança.
O terceiro fator foi a saída de capital estrangeiro da Bolsa brasileira, que já soma cinco pregões consecutivos sem recuperação. Somente na quinta e na sexta-feira da semana passada, saíram cerca de R$ 2 bilhões por dia do mercado brasileiro.
Petróleo em alta também pesa no cenário externo
Lá fora, o preço do petróleo se aproximou dos US$ 100 e contribuiu para o clima de cautela nos mercados globais. O barril do tipo Brent fechou em alta de 1,36%, a US$ 88,91, depois de chegar a subir mais de 2% durante o dia. O WTI, referência nos Estados Unidos, também avançou, fechando em alta de 1,3%, a US$ 83,20. A pressão vem das incertezas sobre a reabertura do Estreito de Hormuz, corredor por onde passa 20% do petróleo comercializado no mundo, ainda travado pelo impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã.
Inflação e juros também no radar
Parte do humor do mercado já vinha sendo moldado desde a manhã. A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária, que decidiu reduzir a Selic na semana passada, reforçou que as próximas decisões sobre juros vão depender diretamente da evolução dos dados econômicos, sem dar sinais claros sobre o que vem pela frente.
A inflação oficial de julho também entrou na conta. O IPCA subiu 0,07% no mês, resultado mais brando que o registrado em junho, quando o índice havia avançado 0,16%. No acumulado de 12 meses, a inflação ficou em 4,44%, abaixo dos 4,64% do período anterior e também abaixo do teto da meta perseguida pelo governo, de 4,50%. Foi o segundo mês seguido de inflação controlada, o que reforça as apostas de que o Banco Central deve continuar cortando os juros nas próximas reuniões.
Balanços de empresas movimentam o pregão
Além dos fatores macroeconômicos, os investidores também reagiram aos resultados trimestrais de grandes empresas listadas na Bolsa. O BTG Pactual teve lucro de R$ 5,14 bilhões no segundo trimestre, alta de 22,6% em relação ao mesmo período do ano passado, mas as ações do banco caíram 5,86% no pregão, fechando a R$ 50,10.
A Natura registrou lucro de R$ 35 milhões no trimestre, queda de 92,1% na comparação anual, com receita líquida de R$ 5,17 bilhões, recuo de 9,1%. Mesmo assim, as ações da empresa subiram 1,36%, para R$ 8,19.
Já a JBS reportou prejuízo de US$ 102 milhões no trimestre, com queda de 62,3% no lucro líquido ajustado e recuo de 18,5% no indicador que mede geração de caixa da empresa. A companhia anunciou o fechamento de duas unidades nos Estados Unidos, cuja produção será absorvida por outras fábricas no país. As ações da JBS fecharam praticamente estáveis, a R$ 39,03.
A Movida foi na contramão das demais: a locadora e revendedora de veículos dobrou o lucro no trimestre, alcançando R$ 135,6 milhões, com receita líquida de R$ 3,77 bilhões, alta de 2,4% na comparação anual. A empresa também anunciou aumento de capital de até R$ 152,5 milhões e pagamento de R$ 255 milhões em juros sobre capital próprio. Mesmo assim, suas ações despencaram 18,59%, fechando a R$ 6,81.



