28.4 C
Manaus
quinta-feira, 9 julho, 2026
InícioAmazonasDiretora de "Anatomia do Caos" diz que filme é um convite à...

Diretora de “Anatomia do Caos” diz que filme é um convite à memória e à justiça durante debate em Manaus

Date:

Ecos do Norte acompanhou a exibição do documentário, entrevistou a diretora Dandara Ferreira e participou do debate com o público na capital amazonense.

Manaus recebeu uma das sessões especiais do documentário Anatomia do Caos, produção que revisita a condução da pandemia de Covid-19 no Brasil e seus impactos sociais e políticos. O Ecos do Norte esteve presente na exibição, acompanhou o debate com o público e conversou com a diretora Dandara Ferreira, que falou sobre a construção do filme, a importância da memória coletiva e o significado de lançar a obra em um ano eleitoral.

Durante a entrevista, Dandara afirmou que o documentário nasceu da necessidade de compreender os acontecimentos vividos durante a crise sanitária, especialmente após o colapso enfrentado por Manaus em janeiro de 2021.

“Eu fiz um documentário que justamente mostra a dor que vocês viveram. As imagens estão ali. Eu não estava aqui, então não sei sentir na pele o que vocês vivenciaram. Mas, para mim, é muito chocante que, depois de tudo o que aconteceu, o governador tenha sido reeleito aqui. Para quem está de fora, isso é muito chocante”, afirmou.

Assista a entrevista completa no instagram

A diretora explicou que, inicialmente, não tinha certeza de que o material reunido se transformaria em um longa-metragem. Segundo ela, a história ainda estava sendo construída enquanto as gravações aconteciam.

“Quando decidi fazer esse filme, ele nasceu muito do que vocês vivenciaram depois de janeiro de 2021. Eu buscava respostas para o que estava acontecendo. Fui entendendo muito mais acompanhando o dia a dia da CPI, ouvindo os depoimentos e tudo o que era discutido pelos parlamentares.”

Para Dandara, acompanhar os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito permitiu compreender a dimensão da crise enfrentada pelo Amazonas.

“Fui percebendo ainda mais a gravidade da situação e toda a questão de como vocês foram usados como cobaias.”

Ao comentar um dos momentos retratados no documentário, a cineasta criticou a condução da crise sanitária pelo governo federal.

“Tudo o que o Pazuello fala ali… O que o Ministério da Saúde tem a ver com falta de ar? Se não é responsabilidade do Ministério da Saúde, de quem é?”

Assista a entrevista completa no instagram

Filme chega em momento decisivo

Questionada sobre o lançamento da obra, Dandara disse acreditar que o documentário encontrou o momento certo para chegar ao público.

“Eu não imaginava que esse filme fosse ser lançado agora. Achei que ele ficaria pronto antes. Mas acho que o cinema tem uma magia. Às vezes tentamos controlar o tempo de um filme, mas ele sabe o momento de nascer.”

Segundo ela, o lançamento em um ano de eleições amplia o potencial de reflexão da obra.

“Esse filme não é apenas sobre a pandemia. Eu digo que ele é um filme sobre memória e justiça. A pandemia é um luto coletivo que ainda não terminou. Perdemos mais de 700 mil brasileiros, mas não podemos permitir que isso se transforme apenas em números ou estatísticas. Eram famílias, eram sonhos.”

A diretora destacou que preservar a memória dos acontecimentos é uma forma de fortalecer a democracia.

“Espero que esse filme provoque reflexão, principalmente neste ano de eleição.”

Debate amplia diálogo com o público

Após a sessão em Manaus, Dandara Ferreira participou de um debate com o público, respondendo perguntas e ouvindo relatos de quem viveu o período mais crítico da pandemia na capital amazonense.

Segundo a cineasta, essa troca faz parte da proposta do projeto.

“Tenho me proposto a ir aos lugares para conversar com as pessoas depois das exibições. Não quero apenas falar sobre o filme. Quero ouvir as pessoas. Acho isso importante.”

Assista a entrevista completa no instagram

Ela também explicou por que optou por lançar Anatomia do Caos primeiro nas salas de cinema, em vez de estrear diretamente nas plataformas de streaming.

“O cinema também é uma forma de fazer política, então essa troca é fundamental. Durante a pandemia estávamos confinados, em casa. O cinema é justamente uma experiência coletiva. Você assiste ao filme com outras pessoas, compartilha emoções e reflexões. Acho que tudo isso é importante, especialmente em um ano tão decisivo.”

spot_img
spot_img