
Enquanto milhões de brasileiros defendem menos tempo de trabalho e mais qualidade de vida, dois deputados federais do Amazonas decidiram apoiar justamente o caminho contrário. Alberto Neto e Fausto Jr. foram os únicos parlamentares amazonenses a assinar emendas que propõem adiar por mais dez anos o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal no país.
A proposta mantém as atuais 44 horas semanais até 2036 para setores considerados essenciais, como saúde, segurança, mobilidade e abastecimento.
O apoio dos deputados chamou ainda mais atenção por um detalhe: ambos acumulam faltas em atividades da própria Câmara dos Deputados.
Segundo registros oficiais apurados pelo Ecos do Norte, Alberto Neto soma cinco faltas em sessões de plenário e outras 16 ausências em reuniões de comissões. Já Fausto Jr. acumula sete faltas em plenário e 14 em reuniões de comissões.


As emendas foram apresentadas na comissão especial que analisa as PECs 221/2019 e 08/2025, propostas que defendem a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e o fim da escala 6×1 modelo criticado por trabalhadores por permitir apenas um dia de descanso após seis dias consecutivos de trabalho.
O texto do adiamento foi protocolado pelo deputado Sérgio Turra (PP-RS), que defende uma transição lenta da mudança e medidas de compensação para empresários.
A posição dos parlamentares do Amazonas vai na contramão da opinião pública. Pesquisa Quaest divulgada nesta semana mostrou que sete em cada dez brasileiros apoiam a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1.
Mesmo assim, Alberto Neto e Fausto Jr. integraram o grupo de parlamentares do Centrão e da ala bolsonarista que garantiram as assinaturas necessárias para manter a proposta de adiamento em discussão.
Em nota, Fausto Jr. afirmou que é favorável ao fim da escala 6×1, mas defendeu uma implementação gradual.
“Precisamos valorizar o trabalhador sem comprometer a geração de empregos e o funcionamento da economia”, declarou.
Até a publicação desta matéria, Alberto Neto não havia comentado publicamente o apoio à proposta.
Nas redes sociais, a movimentação gerou críticas de trabalhadores que apontaram contradição entre defender mais tempo de trabalho para a população enquanto acumulam ausências nas próprias atividades parlamentares.

