29.3 C
Manaus
segunda-feira, 27 abril, 2026
InícioBrasilDatafolha: 45% dos brasileiros afirmam ter buscado renda extra nos últimos meses

Datafolha: 45% dos brasileiros afirmam ter buscado renda extra nos últimos meses

Date:


Em meio às discussões em torno do crescente endividamento da população brasileira, pesquisa Datafolha divulgada no domingo (26) mostra que 45% dos brasileiros tiveram que fazer renda extra ou complementação de renda por consideraram a renda familiar insuficiente para cobrir as despesas. Por outro lado, a pesquisa também aponta que quase metade dos brasileiros classifica sua situação financeira e familiar como regular, enquanto outros 4 em cada 10 consideram suas finanças boas ou ótimas. Há também otimismo em relação ao futuro.

Entre as famílias que vivem com até dois salários mínimos, cerca de 7 em cada 10 entrevistados relatam insuficiência de renda.

O levantamento do Datafolha indica ainda que quase 6 em cada 10 brasileiros sentem algum nível de dificuldade para pagar contas básicas, revelando um quadro amplo de pressão sobre o orçamento doméstico.

Especialistas associam o cenário a uma combinação de fatores como endividamento elevado, juros altos e renda média ainda baixa no país.

O mais recente Relatório de Cidadania Financeira do Banco Central mostra que, ao final de 2024, cerca de 117 milhões de pessoas possuíam algum tipo de dívida com instituições financeiras. Ao mesmo tempo, 130 milhões tinham acesso a limite de crédito — o que representa aproximadamente 74% da população com relacionamento bancário.

Segundo análise de especialistas, o mercado de trabalho aquecido não tem sido suficiente para compensar a baixa remuneração média, o que leva muitos brasileiros a recorrerem a atividades informais ou alternativas para fechar as contas.

Trabalhadores com mais escolaridade

O levantamento mostra que a busca por renda adicional é mais comum entre pessoas com ensino médio e superior. Esse grupo concentra maior participação no mercado de trabalho ativo, o que aumenta também as oportunidades — e a necessidade — de complementação de renda.

Já entre os menos escolarizados, há maior presença de aposentados e pessoas fora do mercado de trabalho, o que reduz a intensidade desse movimento.

Redução de renda

Outro dado relevante indica que 4 em cada 10 brasileiros afirmam ter tido redução de renda nos últimos meses. O impacto é mais forte na faixa etária de 35 a 44 anos, em que quase metade relata perda de renda familiar.

O levantamento também aponta que dois terços dos entrevistados possuem algum tipo de dívida, o que ajuda a explicar a sensação generalizada de aperto financeiro.

Mulheres têm insegurança maior

A pesquisa revela diferenças importantes por gênero. As mulheres demonstram maior insegurança e desânimo em relação à situação financeira, além de avaliarem com mais frequência que as finanças pessoais afetam negativamente sua saúde física e mental.

O estudo também mostra que elas estão mais expostas a condições de vulnerabilidade financeira, incluindo maior presença em faixas de renda mais baixas e maior incidência de negativação.

Mau humor financeiro

Com base em um índice que considera sentimentos como preocupação, medo e desânimo, o Datafolha conclui que 4 em cada 10 brasileiros apresentam humor financeiro ruim ou péssimo.

As mulheres aparecem novamente em posição mais desfavorável nesse indicador, com maior proporção de sentimentos negativos em relação às finanças pessoais.

Quase metade vê situação como regular

Apesar das dificuldades, quase metade dos brasileiros classifica sua situação financeira e familiar como regular. Outros 4 em cada 10 consideram suas finanças boas ou ótimas.

Ainda assim, há um componente de expectativa positiva: a maioria acredita que a situação financeira tende a melhorar no futuro, enquanto cerca de 3 em cada 10 esperam uma melhora gradual.

Desenrola 2.0

Nesta semana, o governo do presidente Lula (PT) deve anunciar o novo programa federal de renegociação de dívidas, apelidado de Desenrola 2.0, que deve contar com a participação de mais instituições financeiras em comparação à versão lançada em 2023.

A avaliação é de representantes do setor bancário, que veem o redesenho da iniciativa como mais simples e menos custoso operacionalmente.





ICL Notícias

spot_img
spot_img