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segunda-feira, 27 abril, 2026
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Mutirão leva atendimento especializado a indígenas no Parque das Tribos em Manaus

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Moradores do Parque das Tribos, reconhecido como a maior comunidade indígena urbana da capital amazonense, recebem nesta terça-feira (28) um mutirão de saúde com atendimento médico especializado. A ação ocorre na Maloca dos Povos Indígenas e é promovida pelo Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), vinculado à Universidade Federal do Amazonas (UFAM), como parte da programação da Semana dos Povos Indígenas.

A iniciativa busca ampliar o acesso a serviços de saúde dentro da própria comunidade, respeitando as especificidades culturais e promovendo um atendimento mais humanizado, especialmente voltado ao público infantil indígena.

Atendimento especializado chega à comunidade

O mutirão reúne uma equipe multidisciplinar formada por médicos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, enfermeiros e educadores físicos. A diversidade de profissionais tem como objetivo oferecer um atendimento integral, capaz de atender diferentes demandas de saúde da população indígena que vive no Parque das Tribos.

Com mais de 35 etnias, incluindo povos Tikuna, Baré, Sateré-Mawé, Tukano e Dessana, o território é considerado um dos principais polos de diversidade cultural de Manaus. No entanto, apesar da riqueza cultural, a comunidade enfrenta desafios no acesso contínuo a serviços de saúde especializados.

A realização do mutirão dentro da própria maloca representa, portanto, uma estratégia importante para reduzir barreiras geográficas, sociais e culturais que muitas vezes dificultam o atendimento dessa população.

Foco na saúde infantil indígena

Um dos principais objetivos da ação é atender crianças indígenas, garantindo acompanhamento adequado desde os primeiros anos de vida. A presença de especialistas como fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais permite identificar precocemente possíveis dificuldades no desenvolvimento infantil, além de orientar famílias sobre cuidados básicos e prevenção de doenças.

O atendimento próximo às famílias também fortalece o vínculo entre profissionais de saúde e a comunidade, criando um ambiente de confiança que facilita o acompanhamento contínuo dos pacientes.

Respeito às tradições e saberes indígenas

De acordo com a vice-coordenadora do Comitê de Saúde Indígena do HUGV, Socorro Lobato, a iniciativa vai além da oferta de serviços médicos. “Levar saúde ao território indígena é reconhecer que o cuidado precisa considerar identidades, tradições e diferentes formas de compreender o bem-estar”, afirmou.

A fala reforça a importância de um modelo de assistência que respeite os saberes tradicionais e integre práticas culturais ao atendimento clínico. Esse tipo de abordagem tem sido cada vez mais valorizado dentro das políticas públicas de saúde voltadas aos povos originários.

A presença de lideranças indígenas, como Eliza Saterê e o cacique Ismael Munduruku, também fortalece o diálogo entre a comunidade e os profissionais de saúde, garantindo que as ações sejam conduzidas de forma participativa e alinhada às necessidades locais.

Documentação necessária para atendimento

Para participar do mutirão e receber atendimento, os moradores devem apresentar alguns documentos básicos. A organização orienta que os pacientes levem:

  • RG
  • CPF
  • Cartão do SUS
  • Comprovante de residência
  • Certidão de nascimento (para crianças)

A exigência dos documentos segue os protocolos do sistema de saúde, permitindo o registro adequado dos atendimentos e o acompanhamento posterior dos pacientes.

Programação segue com atividades culturais e educativas

A programação da Semana dos Povos Indígenas continua na quarta-feira (29), com atividades realizadas no próprio HUGV. Entre as ações previstas estão rodas de conversa sobre saberes tradicionais em saúde e nutrição indígena.

Também será promovida a exposição “Sabedoria e Sabores Ancestrais”, que destaca comidas típicas e valoriza a cultura alimentar dos povos originários. A iniciativa busca ampliar o conhecimento da população sobre práticas tradicionais e incentivar o respeito à diversidade cultural.

Essas atividades complementam o mutirão de saúde, promovendo não apenas o cuidado físico, mas também a valorização dos aspectos culturais e sociais que fazem parte do conceito de bem-estar para os povos indígenas.

Integração entre saúde e cultura

A realização do mutirão dentro da programação da Semana dos Povos Indígenas evidencia uma tendência crescente na área da saúde pública: a integração entre atendimento clínico e valorização cultural.

Especialistas apontam que políticas de saúde mais eficazes para populações indígenas devem considerar não apenas aspectos biológicos, mas também sociais, culturais e espirituais. Nesse contexto, ações como a promovida pelo HUGV ganham relevância por adotar uma abordagem mais ampla e inclusiva.

Além disso, a presença de estudantes e profissionais vinculados à UFAM contribui para a formação de futuros profissionais mais preparados para atuar em contextos interculturais, ampliando o impacto da iniciativa a longo prazo.

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